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Publicado el 14 de julio de 2025

Depressão

O impacto das redes sociais na saúde mental de adolescentes

Estudo longitudinal revelou que o aumento no tempo diário de redes sociais antecedeu o surgimento de sintomas depressivos em jovens de 9 a 13 anos.

Autor/a: Nagata, J. M. et al.

Fuente: JAMA Netw Open;8(5):e2511704 (2025). Social Media Use and Depressive Symptoms During Early Adolescence.

O uso crescente de redes sociais entre adolescentes tem gerado preocupações sobre seu impacto na saúde mental, especialmente diante do aumento de sintomas depressivos. Embora estudos anteriores tenham identificado correlações, a direção dessa relação permanece incerta.

 O Modelo de Suscetibilidade Diferencial aos Efeitos da Mídia (DSMM) sugeriu que os impactos das redes sociais variam conforme características individuais, desenvolvimento e contexto sociocultural. Na adolescência, essa combinação de fatores aumenta a vulnerabilidade emocional, tornando os jovens mais suscetíveis aos seus efeitos. O modelo também apontou que o uso dessas plataformas pode ter um papel bidirecional: influenciar o humor futuro e, simultaneamente, refletir sintomas depressivos já existentes, criando ciclos de reforço entre sofrimento e uso.

Diante disso, o estudo de Nagata e colaboradores (2025) aplicou o DSMM para investigar associações bidirecionais entre uso de redes sociais e sintomas depressivos. A análise explorou trajetórias individuais, variabilidade entre participantes e estabilidade dos fatores ao longo do tempo, com a hipótese de que redes sociais e sintomas depressivos se influenciam mutuamente na adolescência inicial.

O estudo utilizou dados e 11.876 adolescentes do Estudo de Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente (ABCD), acompanhando participantes dos 9 aos 13 anos em quatro momentos entre 2016 e 2022.

O uso de redes sociais foi medido como o tempo médio diário gasto, calculado a partir de respostas sobre dias úteis e fins de semana no questionário anual ABCD Youth Screen Time Survey. Os sintomas depressivos foram avaliados anualmente por responsáveis, usando o escore bruto da subescala de problemas depressivos do Child Behavior Checklist (CBCL), permitindo captar a variação completa da gravidade dos sintomas. Foram incluídos diversos covariáveis demográficos e contextuais, como sexo, raça/etnia, renda familiar, escolaridade dos pais, experiências adversas na infância, monitoramento parental, conflitos familiares e local do estudo, com base em evidências prévias sobre sua relevância para saúde mental e comportamento digital.

O estudo identificou que o aumento no tempo médio de uso diário de redes sociais foi acompanhado por uma leve elevação nos escores de sintomas depressivos ao longo de três anos. Embora não tenha sido observada associação estável entre indivíduos com altos níveis de ambos os fatores, análises intraindividuais revelaram que o aumento no uso das redes precedeu o surgimento de sintomas depressivos nos anos seguintes, indicando uma associação temporal unidirecional. Os sintomas depressivos, por outro lado, não antecederam mudanças no uso dessas plataformas.

A associação contemporânea observada no terceiro ano — entre uso elevado de redes sociais e sintomas depressivos acima da média — indicou que fatores imediatos, como conflitos familiares ou interações sociais negativas, podem amplificar o sofrimento emocional.

Em conclusão, o estudo de Nagata e colaboradores (2025) demonstrou que o aumento no tempo diário de uso de redes sociais precedeu o surgimento de sintomas depressivos e seu uso elevado pode ser um fator contribuinte para o sofrimento psíquico. Esses resultados reforçaram a importância de promover o uso consciente das redes sociais entre adolescentes, especialmente para os mais jovens. Estratégias que estimulem o uso intencional voltado à conexão social, associadas a orientações familiares e escolares, podem contribuir para a prevenção de sintomas depressivos ligados ao uso excessivo de mídias digitais.