Arte & Cultura

Publicado el 18 de julio de 2025

Avanços científicos

O impacto das políticas de Trump na saúde

Como cortes, censura e restrições ideológicas ameaçam décadas de progresso científico nos EUA.

Autor/a: Woolf, S. H. et al.

Fuente: The Lancet, V.405, I.10495, 2114 - 2116 (2025) The potential impact of the Trump administration policies on health research in the USA

Por mais de oitenta anos, os Estados Unidos (EUA) investiram em pesquisa biomédica, clínica e em saúde pública, tornando o país líder mundial em ciência e avanços médicos. Esses  resultaram em conquistas históricas, como a quase erradicação de doenças fatais, como a poliomielite, a redução da mortalidade por doenças crônicas e o desenvolvimento de tecnologias que impulsionaram a economia e fortaleceram a segurança nacional

No entanto, políticas do presidente Donald Trump estão desmantelando essa infraestrutura. A campanha começou com demissões em massa de cientistas federais. Cortes de financiamento atingiram diversas áreas, como os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), e temas como equidade, racismo, homossexualidade, saúde reprodutiva, ciência climática e assistência internacional foram banidos.

Com medo de perder recursos, universidades congelaram contratações, encerraram programas, alteraram currículos e suspenderam admissões de pós-graduação. Pesquisadores enfrentam autocensura, projetos foram abandonados e a confiança pública na ciência está em declínio. Além disso, a retirada dos EUA de colaborações internacionais e o enfraquecimento de programas de formação científica comprometem o futuro da pesquisa e da saúde global.

Órgãos de credenciamento foram instruídos a alterar critérios de certificação de universidades e programas médicos. Práticas editoriais de revistas científicas também estão sendo investigadas. Apesar do silêncio de muitas lideranças científicas, a resistência popular cresce. Mais de 600 instituições assinaram uma carta aberta contra a interferência política, e mais de 2000 cientistas publicaram um “SOS ao povo americano”. Ainda assim, essas manifestações não mudaram as políticas vigentes.

As consequências são graves: Menor acesso a dados dificultará estudos e decisões clínicas e políticas. Interrupções em pesquisas atrasarão avanços científicos, especialmente em temas censurados. Censura ideológica pode minar a confiança pública na ciência. Cortes em bolsas e formação ameaçam futuras gerações. Isolacionismo internacional prejudica colaborações e enfraquece a autonomia científica. Desconfiança pública na ciência cresce, alimentada por teorias conspiratórias e ataques às universidades.

Tudo isso ocorre em meio a uma crise de saúde: expectativa de vida abaixo da média, desigualdades raciais, crise de saúde mental entre jovens e aumento de doenças crônicas. Embora o governo tenha afirmado querer “tornar a América mais saudável”, suas ações podem paralisar ou reverter avanços.

O futuro da pesquisa em saúde nos EUA dependerá da resposta da sociedade. Movimentos jurídicos, protestos e petições estão em curso, mas talvez seja necessário um movimento social amplo para preservar essa infraestrutura vital. Por ora, o legado de progresso científico e médico americano permanece em risco.