| Introdução |
As mudanças climáticas têm amplos efeitos prejudiciais para a saúde respiratória. A poluição por combustíveis fósseis, além de impactar diretamente o organismo pela liberação de pequenas partículas que podem promover doenças respiratórias, também estressa o sistema respiratório humano ao impulsionar a mudança climática antropogênica, o que inclui eventos climáticos extremos, como ondas de calor prolongadas e intensas, secas expansivas, incêndios florestais abundantes, entre outros. Essas ameaças são preocupantes para populações mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, incluindo crianças, gestantes, idosos, pacientes com doenças pulmonares pré-existentes e aqueles que experimentam as consequências de injustiças econômicas ou sistêmicas históricas.
Para responder adequadamente à crise climática, profissionais e o sistema de saúde devem desenvolver soluções baseadas em evidências para reduzir a morbidade e mortalidade relacionadas às doenças respiratórias. Nesse sentido, Lewy e colaboradores (2024) buscaram compreender como os provedores de cuidados têm enfrentado a mudança climática, como estão se adaptando, e quais inovações são dignas de estudo adicional para proteger a saúde respiratória em um mundo em mudança.
| Métodos |
Para o estudo, os pesquisadores conduziram uma revisão sistemática, buscando em bases de dados como MEDLINE (PubMed), Embase, Scopus e Cochrane Library desde o início de suas operações para identificar artigos que examinaram o impacto das mudanças climáticas nos cuidados respiratórios. Foram considerados para inclusão estudos quantitativos, qualitativos e mistos revisados por pares, assim como revisões publicadas até 28 de julho de 2023, desde que abordassem os efeitos das mudanças climáticas ou do clima extremo nos cuidados respiratórios.
| Resultados |
Dos 67 estudos revisados, 53 analisaram os efeitos de condições climáticas extremas em grupos demográficos específicos. Populações idosas foram particularmente afetadas, com aumento de visitas ao pronto-socorro e hospitalizações durante ondas de calor. Crianças, especialmente aquelas com menos de 5 anos, também apresentaram maior risco de exacerbações respiratórias relacionadas ao clima, como demonstrado em estudos sobre precipitação intensa, secas e incêndios florestais. Além disso, diferenças na utilização de serviços de saúde foram observadas com base em raça, etnia e deficiências subjacentes, afetando principalmente comunidades vulneráveis. No entanto, a representação geográfica dos estudos foi limitada, com pouca pesquisa proveniente de regiões como América do Sul, Caribe, África e Ásia, o que ressalta a necessidade de mais investigações nessas áreas.
| Discussão |
A revisão sistemática demonstrou que pacientes, especialmente populações vulneráveis como crianças e idosos, estão enfrentando resultados adversos para a saúde respiratória devido às mudanças climáticas. Foi observado um aumento na utilização dos cuidados de saúde respiratória, medido por visitas ao pronto-socorro e hospitalizações, o que pode sobrecarregar os sistemas de saúde no futuro. Esses impactos foram impulsionados principalmente por eventos climáticos extremos, como incêndios florestais, furacões, secas e, em menor medida, frio extremo e inundações.
A literatura identificada nesta área, em sua maioria, tem se concentrado principalmente nos cuidados agudos hospitalares para a saúde respiratória relacionada ao clima, com pouca atenção aos efeitos das mudanças climáticas nos cuidados primários para doenças respiratórias ou nos cuidados pré-hospitalares. Além disso, não foram encontrados estudos sobre os efeitos das mudanças climáticas na distribuição de medicamentos ou nas operações de farmácia, aspectos essenciais para o manejo de doenças respiratórias.
Apesar das áreas substanciais que precisam ser exploradas cientificamente, houve um aumento significativo no número de relatórios sobre saúde respiratória e mudanças climáticas nos últimos anos, indicando uma maior conscientização em relação à última entre os profissionais de saúde respiratória. No entanto, são necessários estudos científicos adicionais sobre os resultados das doenças respiratórias, os custos econômicos e as inovações em resiliência e adaptação climática para fortalecer os sistemas de saúde diante das ameaças crescentes das mudanças climáticas para a prestação de cuidados.
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Conclusão Em sua pesquisa, Lewy e colaboradores (2024) identificaram os impactos das mudanças climáticas na prestação de cuidados respiratórios e apontaram importantes oportunidades de pesquisa futura. Observaram que áreas como os cuidados ambulatoriais, a disponibilidade de medicamentos, a telemedicina e a distribuição da cadeia de suprimentos para os cuidados respiratórios são pouco estudadas. Assim como, é necessário mais trabalho para abordar a falta de representação em regiões mais vulneráveis aos impactos climáticos e para desenvolver intervenções sistêmicas de saúde que garantam que os pacientes que necessitam de cuidados respiratórios possam acessá-los. |