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/ Publicado el 28 de mayo de 2024

Revisão sistemática

O impacto das alterações climáticas nos cuidados respiratórios

Pesquisadores exploraram os efeitos das mudanças climáticas na saúde respiratória e na prestação de cuidados

Introdução

As mudanças climáticas têm amplos efeitos prejudiciais para a saúde respiratória. A poluição por combustíveis fósseis, além de impactar diretamente o organismo pela liberação de pequenas partículas que podem promover doenças respiratórias, também estressa o sistema respiratório humano ao impulsionar a mudança climática antropogênica, o que inclui eventos climáticos extremos, como ondas de calor prolongadas e intensas, secas expansivas, incêndios florestais abundantes, entre outros. Essas ameaças são preocupantes para populações mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas, incluindo crianças, gestantes, idosos, pacientes com doenças pulmonares pré-existentes e aqueles que experimentam as consequências de injustiças econômicas ou sistêmicas históricas.

Para responder adequadamente à crise climática, profissionais e o sistema de saúde devem desenvolver soluções baseadas em evidências para reduzir a morbidade e mortalidade relacionadas às doenças respiratórias. Nesse sentido, Lewy e colaboradores (2024) buscaram compreender como os provedores de cuidados têm enfrentado a mudança climática, como estão se adaptando, e quais inovações são dignas de estudo adicional para proteger a saúde respiratória em um mundo em mudança.

Métodos

Para o estudo, os pesquisadores conduziram uma revisão sistemática, buscando em bases de dados como MEDLINE (PubMed), Embase, Scopus e Cochrane Library desde o início de suas operações para identificar artigos que examinaram o impacto das mudanças climáticas nos cuidados respiratórios. Foram considerados para inclusão estudos quantitativos, qualitativos e mistos revisados por pares, assim como revisões publicadas até 28 de julho de 2023, desde que abordassem os efeitos das mudanças climáticas ou do clima extremo nos cuidados respiratórios.

Resultados

Dos 67 estudos revisados, 53 analisaram os efeitos de condições climáticas extremas em grupos demográficos específicos. Populações idosas foram particularmente afetadas, com aumento de visitas ao pronto-socorro e hospitalizações durante ondas de calor. Crianças, especialmente aquelas com menos de 5 anos, também apresentaram maior risco de exacerbações respiratórias relacionadas ao clima, como demonstrado em estudos sobre precipitação intensa, secas e incêndios florestais. Além disso, diferenças na utilização de serviços de saúde foram observadas com base em raça, etnia e deficiências subjacentes, afetando principalmente comunidades vulneráveis. No entanto, a representação geográfica dos estudos foi limitada, com pouca pesquisa proveniente de regiões como América do Sul, Caribe, África e Ásia, o que ressalta a necessidade de mais investigações nessas áreas.

Discussão

A revisão sistemática demonstrou que pacientes, especialmente populações vulneráveis como crianças e idosos, estão enfrentando resultados adversos para a saúde respiratória devido às mudanças climáticas. Foi observado um aumento na utilização dos cuidados de saúde respiratória, medido por visitas ao pronto-socorro e hospitalizações, o que pode sobrecarregar os sistemas de saúde no futuro. Esses impactos foram impulsionados principalmente por eventos climáticos extremos, como incêndios florestais, furacões, secas e, em menor medida, frio extremo e inundações.

A literatura identificada nesta área, em sua maioria, tem se concentrado principalmente nos cuidados agudos hospitalares para a saúde respiratória relacionada ao clima, com pouca atenção aos efeitos das mudanças climáticas nos cuidados primários para doenças respiratórias ou nos cuidados pré-hospitalares. Além disso, não foram encontrados estudos sobre os efeitos das mudanças climáticas na distribuição de medicamentos ou nas operações de farmácia, aspectos essenciais para o manejo de doenças respiratórias.

Apesar das áreas substanciais que precisam ser exploradas cientificamente, houve um aumento significativo no número de relatórios sobre saúde respiratória e mudanças climáticas nos últimos anos, indicando uma maior conscientização em relação à última entre os profissionais de saúde respiratória. No entanto, são necessários estudos científicos adicionais sobre os resultados das doenças respiratórias, os custos econômicos e as inovações em resiliência e adaptação climática para fortalecer os sistemas de saúde diante das ameaças crescentes das mudanças climáticas para a prestação de cuidados.

Conclusão

Em sua pesquisa, Lewy e colaboradores (2024) identificaram os impactos das mudanças climáticas na prestação de cuidados respiratórios e apontaram importantes oportunidades de pesquisa futura. Observaram que áreas como os cuidados ambulatoriais, a disponibilidade de medicamentos, a telemedicina e a distribuição da cadeia de suprimentos para os cuidados respiratórios são pouco estudadas. Assim como, é necessário mais trabalho para abordar a falta de representação em regiões mais vulneráveis aos impactos climáticos e para desenvolver intervenções sistêmicas de saúde que garantam que os pacientes que necessitam de cuidados respiratórios possam acessá-los.