| Introdução |
Os múltiplos impactos de um diagnóstico de COVID-19 foram amplamente documentados durante e após a pandemia, mas muitos aspectos ainda não são totalmente compreendidos. Um desses aspectos é a escassez de estudos que avaliem a influência da COVID-19 na função sexual em mulheres, contrastando com a ampla documentação dos efeitos da COVID-19 na função sexual em homens. Estudos preliminares sugeriram que a pandemia está associada a prejuízos na função sexual feminina. As mulheres relataram diminuição na excitação, orgasmo e satisfação, bem como aumento da dor, mas não apresentaram mudanças significativas na lubrificação e no desejo.
A COVID longa refere-se à síndrome de efeitos prolongados que alguns indivíduos desenvolvem após a infecção inicial pelo vírus. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) define essa categoria de sintomas de COVID longa, que incluem manifestações respiratórias, cardíacas, neurológicas e digestivas, frequentemente associadas à encefalomielite miálgica/síndrome da fadiga crônica. A fadiga crônica em mulheres pode aumentar a propensão a problemas sexuais, especialmente no que diz respeito ao desejo. Nesse contexto, Seehuus e colaboradores (2023) realizaram uma pesquisa transversal para avaliar o impacto da infecção autorrelatada por COVID-19 e da infecção prolongada por COVID na função sexual em mulheres cisgênero.
| Métodos |
Para esta avaliação, foi conduzida uma pesquisa online em janeiro de 2023, envolvendo mulheres cisgênero que relataram ter tido COVID-19 (n=1168) e aquelas que nunca tiveram a doença (n=1161). A pesquisa incluiu medidas de função sexual, depressão, ansiedade e sintomas de COVID longa. As análises foram realizadas para examinar as diferenças na função sexual com base no status autorrelatado de COVID-19 e para testar se os sintomas de COVID longa mediaram a relação entre a infecção e a função sexual.
| Resultados |
No total, 1313 participantes forneceram dados adequados para análise. O grupo de mulheres que nunca tiveram COVID-19 (n = 645, 49,1%) apresentou pontuações mais altas nas subescalas de Desejo, Excitação, Lubrificação e Satisfação do FSFI (média [M] [DP] FSFI total: M nunca COVID = 27,98 [4,84] vs. M COVID = 27,05 [5,21]) em comparação com os grupos combinados de apenas-COVID (n = 498, 37,9%) e longo-COVID (n = 170, 12,9%). As pontuações das subescalas do FSFI foram significativamente maiores no grupo apenas-COVID do que no grupo COVID longo para Excitação, Lubrificação e Orgasmo, e menores para as subescalas de Dor, resultando em uma função sexual geral mais alta (FSFI total: M apenas-COVID = 27,49 [5,00] vs. M longo-COVID = 25,77 [5,61]). Nenhum dos modelos de mediação propostos apresentou ajuste adequado.
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Conclusão Os resultados deste estudo sugeriram uma associação entre a infecção por COVID-19 e a redução da função sexual em mulheres cisgênero, com um efeito negativo adicional observado naquelas com COVID longa. No entanto, os mecanismos subjacentes a esses efeitos não foram identificados. Embora a conscientização clínica e a triagem possam ser aprimoradas com esses achados, a compreensão dos mecanismos envolvidos é crucial para o desenvolvimento de tratamentos eficazes. Desta forma, são necessárias mais pesquisas para orientar os profissionais de saúde no tratamento de mulheres cisgênero que tiveram COVID-19. Por fim, deve-se encorajar os clínicos que tratam mulheres cisgênero que passaram pela COVID-19 a considerar discutir proativamente a função sexual e oferecer recursos, como psicoeducação e psicoterapia. |