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/ Published on August 18, 2024

Pesquisa transversal

O impacto da COVID-19 na função sexual em mulheres cisgênero

Nos EUA, cerca de 20% dos adultos com COVID-19 apresentam COVID longa

Author: Seehuus, M. et al. (2023)

Fuente: The Journal of Sexual Medicine The impact of COVID-19 and long COVID on sexual function in cisgender women

Introdução

Os múltiplos impactos de um diagnóstico de COVID-19 foram amplamente documentados durante e após a pandemia, mas muitos aspectos ainda não são totalmente compreendidos. Um desses aspectos é a escassez de estudos que avaliem a influência da COVID-19 na função sexual em mulheres, contrastando com a ampla documentação dos efeitos da COVID-19 na função sexual em homens. Estudos preliminares sugeriram que a pandemia está associada a prejuízos na função sexual feminina. As mulheres relataram diminuição na excitação, orgasmo e satisfação, bem como aumento da dor, mas não apresentaram mudanças significativas na lubrificação e no desejo.

A COVID longa refere-se à síndrome de efeitos prolongados que alguns indivíduos desenvolvem após a infecção inicial pelo vírus. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) define essa categoria de sintomas de COVID longa, que incluem manifestações respiratórias, cardíacas, neurológicas e digestivas, frequentemente associadas à encefalomielite miálgica/síndrome da fadiga crônica. A fadiga crônica em mulheres pode aumentar a propensão a problemas sexuais, especialmente no que diz respeito ao desejo. Nesse contexto, Seehuus e colaboradores (2023) realizaram uma pesquisa transversal para avaliar o impacto da infecção autorrelatada por COVID-19 e da infecção prolongada por COVID na função sexual em mulheres cisgênero.

Métodos

Para esta avaliação, foi conduzida uma pesquisa online em janeiro de 2023, envolvendo mulheres cisgênero que relataram ter tido COVID-19 (n=1168) e aquelas que nunca tiveram a doença (n=1161). A pesquisa incluiu medidas de função sexual, depressão, ansiedade e sintomas de COVID longa. As análises foram realizadas para examinar as diferenças na função sexual com base no status autorrelatado de COVID-19 e para testar se os sintomas de COVID longa mediaram a relação entre a infecção e a função sexual.

Resultados

No total, 1313 participantes forneceram dados adequados para análise. O grupo de mulheres que nunca tiveram COVID-19 (n = 645, 49,1%) apresentou pontuações mais altas nas subescalas de Desejo, Excitação, Lubrificação e Satisfação do FSFI (média [M] [DP] FSFI total: M nunca COVID = 27,98 [4,84] vs. M COVID = 27,05 [5,21]) em comparação com os grupos combinados de apenas-COVID (n = 498, 37,9%) e longo-COVID (n = 170, 12,9%). As pontuações das subescalas do FSFI foram significativamente maiores no grupo apenas-COVID do que no grupo COVID longo para Excitação, Lubrificação e Orgasmo, e menores para as subescalas de Dor, resultando em uma função sexual geral mais alta (FSFI total: M apenas-COVID = 27,49 [5,00] vs. M longo-COVID = 25,77 [5,61]). Nenhum dos modelos de mediação propostos apresentou ajuste adequado.

Conclusão

Os resultados deste estudo sugeriram uma associação entre a infecção por COVID-19 e a redução da função sexual em mulheres cisgênero, com um efeito negativo adicional observado naquelas com COVID longa. No entanto, os mecanismos subjacentes a esses efeitos não foram identificados. Embora a conscientização clínica e a triagem possam ser aprimoradas com esses achados, a compreensão dos mecanismos envolvidos é crucial para o desenvolvimento de tratamentos eficazes. Desta forma, são necessárias mais pesquisas para orientar os profissionais de saúde no tratamento de mulheres cisgênero que tiveram COVID-19. Por fim, deve-se encorajar os clínicos  que tratam mulheres cisgênero que passaram pela COVID-19 a considerar discutir proativamente a função sexual e oferecer recursos, como psicoeducação e psicoterapia.