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Publicado el 9 de diciembre de 2024

Tratamento

O efeito do mel no alívio da dor após a tonsilectomia

Estudo clínico revela que o mel de kapok diminui a dor e o uso de analgésicos após tonsilectomia, apresentando-se como uma opção segura e econômica sem efeitos adversos.

Autor/a: Lubis, Azmeilia Syafitri, et al.

Fuente: BrazilianJournalofOtorhinolaryngology2023;89(1):60---65 The effect of honey on post-tonsillectomy pain relief: a randomized clinical trial

A tonsilectomia e a adenotonsilectomia são duas cirurgias comuns na área de Otorrinolaringologia. Geralmente, a primeira é considerada um procedimento seguro. No entanto, podem ocorrer complicações, como dor, dificuldade para engolir, garganta seca, infecção, sangramento, obstrução das vias aéreas e nasofaríngea, edema pulmonar, febre, otalgia, aspiração de corpo estranho, cicatrização deficiente e insuficiência velofaríngea. A primeira é a principal complicação durante a deglutição, devido à estimulação das terminações nervosas das tonsilas, espasmo dos músculos faríngeos e inflamação pós-ingestão.

Com base em alguns estudos, apenas os antibióticos não são eficazes o suficiente para tratar a dor; mesmo a adição de analgésicos e esteroides pode não reduzir a dor de forma rápida e significativa. Outro método comum é a administração de opioides e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), que apresentam vários efeitos adversos. Portanto, o controle da dor pós-operatória requer um método com o mínimo de complicações e máxima eficiência.

Um dos métodos não medicamentosos para reduzir a dor é o mel, conforme relatado em diversos estudos. Esse alimento demonstrou possuir propriedades antibacterianas e anti-inflamatórias. Ademais, outros benefícios relatados são a aceleração na recuperação de feridas e alívio da dor. Na medicina moderna, o mel tem sido usado com sucesso no tratamento de queimaduras, locais de doadores de enxertos, infecções de feridas pós-operatórias e úlceras cutâneas.

Lesões mecânicas ou térmicas podem ocorrer na fossa tonsilar durante a tonsilectomia, e essa região permanece como uma ferida aberta após a cirurgia. Portanto, os pacientes reclamam de dor de garganta, especialmente ao engolir. Com objetivo de avaliar os efeitos do mel na incidência de dor pós-operatória em pacientes submetidos à tonsilectomia, Lubis e colaboradores (2023) realizaram um ensaio clínico.

O ensaio foi randomizado e duplo-cego. No total, 24 pacientes adultos do sexo masculino foram submetidos à cirurgia de tonsilectomia e foram distribuídos aleatoriamente em três grupos: mel, placebo e controle. Todos receberam analgesia padrão e antibióticos, além de mel, placebo e apenas os regimes pós-operatórios padrão para o grupo controle.   

O estudo utilizou mel de árvore de paina ou árvore de kapok (Ceiba pentandra). Ele foi administrado por gargarejo a cada seis horas durante dez dias. Da mesma forma, o mesmo método foi aplicado no grupo placebo. A escala de dor foi avaliada durante dez dias utilizando o questionário de Escala Visual Analógica, e a frequência de uso de medicamentos analgésicos foi registrada nos dias 1, 2, 4, 7 e 10.

Houve diferenças significativas na escala de dor (p < 0,05) entre os três grupos nos 1º, 2º, 4º, 7º e 10º dias após a cirurgia. A média de dor do grupo do mel foi significativamente menor do que a dos grupos placebo e controle. Não houve diferenças significativas na escala de dor entre o grupo do mel e o grupo placebo no 1º dia, assim como entre os grupos placebo e controle nos 1º, 2º, 4º e 10º dias após a cirurgia.

O número de ingestões de analgésicos por dia foi calculado e analisado do 1º ao 10º dia. A média desse no grupo do mel foi significativamente menor do que nos grupos placebo e controle, particularmente do 2º ao 7º dia. Do 2º ao 7º dia após a cirurgia, a necessidade de analgésicos foi significativamente diferente (p < 0,05) no grupo do mel em comparação aos grupos placebo e controle. Não houve diferenças significativas na ingestão de analgésicos entre os três grupos no 1º e no 10º dia.

Não foram observados efeitos adversos ou alergias causadas pelo mel.

Sendo assim, o mel a árvore de kapok (C. pentandra) utilizado no grupo de pacientes após a tonsilectomia mostrou-se eficaz no manejo da dor pós-operatória e pode reduzir a necessidade de analgésicos, sem efeitos colaterais ou alergias. Ademais, sua utilização foi considerada econômica, simples, segura e acessível.