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/ Publicado el 27 de abril de 2025

Opção de tratamento

O cannabis e a osteoartrite

Uma nova tendência de manejo para a dor crônica

Autor/a: Diana Marcela Cerquera-Gerena, Carlos Enrique Mira-Angel, Silverio Garzón

Fuente: Revista Salutem Scientia Spiritus, V. 10, N. 1, 2024 El cannabis y la osteoartritis, una nueva tendencia para el manejo del dolor reumático crónico

 osteoartrite é a artropatia mais comum no mundo e uma das principais causas de incapacidade. Caracteriza-se pelo comprometimento da articulação, com destruição da cartilagem hialina, acompanhada de alterações ósseas, como a formação de osteófitos que contribuem para sua degradação.

Atualmente, a terapia farmacológica para o manejo da dor causada por essa patologia inclui paracetamol, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), corticosteroides e opioides. Entretanto, a literatura aponta fortemente para a necessidade de novas abordagens terapêuticas, uma vez que a maioria dos pacientes não experimenta melhora a longo prazo com esses tratamentos. Além disso, busca-se reduzir o uso de opioides, promovendo o interesse em alternativas terapêuticas, entre elas, o cannabis.

O cannabis medicinal está disponível em diferentes formas de administração, como oral, sublingual ou tópica. Quanto às suas características moleculares, o cannabis contém dois componentes ativos principais: o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD).

Farmacodinamicamente, o THC e o CBD possuem efeitos analgésicos, anti-inflamatórios, ansiolíticos e antipsicóticos. O primeiro reduz a percepção da dor ativando os receptores canabinoides (CB1 e CB2), enquanto o CBD modula a resposta imune e inibe a atividade da enzima COX-2, reduzindo a inflamação e a dor.

Estudos demonstraram que o CBD aplicado localmente nas articulações reduz a dor e a sensibilização periférica na osteoartrite, além de diminuir a inflamação e a hiperemia articular. Ademais, a substância é capaz de mitigar os efeitos psicotrópicos do THC. Apesar dos avanços, ainda existem dúvidas sobre os mecanismos específicos da modulação da dor pelos canabinoides.

Por isso, Cerquera-Gerena e colaboradores (2023) realizaram uma revisão de literatura com objetivo de avaliar se o cannabis pode ser uma opção terapêutica segura e eficaz para o manejo da dor em pacientes com osteoartrite.

Para isso, os autores realizaram uma busca na literatura publicada nas bases de dados eletrônicas MEDLINE, PubMed, Scopus e Web of Science utilizando os termos de busca: "cannabis", "dor articular", "osteoartrite", "cannabinoides", "terapia com cannabis" e "manejo da dor".

Foram incluídos um total de sete estudos que examinaram o uso de cannabis e seus componentes no manejo da dor articular em pacientes com osteoartrite.

O cannabis apresentou vários pontos positivos, entre os quais a redução da dor articular crônica em alguns pacientes, a melhoria da qualidade de vida ao diminuir a quantidade de medicamentos administrados e a redução do risco de dependência de opióides em pacientes com osteoartrite. No entanto, é importante observar que foram identificadas limitações importantes, como o fato de que, atualmente, existem poucos estudos clínicos, o tamanho da amostra é pequeno em alguns estudos, há falta de padronização na dosagem e falta de informações para determinar como formular o cannabis.

Em conclusão, o manejo da dor articular, especificamente para osteoartrite, baseado em cannabis se apresenta como uma opção promissora para esses pacientes. No entanto, para garantir que a substância possa ser utilizada de forma segura, é necessário mais pesquisa para estabelecer a eficácia e segurança do uso de cannabis na população descrita, a fim de abordar as limitações importantes identificadas na literatura.