O rastreio neonatal para hipercolesterolemia familiar (HF) aumentaria drasticamente o diagnóstico de uma condição genética comum, potencialmente fatal, mas altamente tratável, em recém-nascidos e familiares.
Por isso, Peterson e colaboradores (2025) desenvolveram um teste genético de amostras de sangue seco (DBS) remanescentes do rastreio neonatal, com biomarcadores sugerindo alto risco para HF, como um passo inicial para o desenvolvimento de rastreio neonatal multinível.
Para isso, eles realizaram um estudo transversal entre 2021 e 2022 em Wisconsin, EUA, para testar DBS remanescentes de recém-nascidos com coleta de amostras entre 24 e 72 horas de vida para colesterol total, colesterol de lipoproteína de baixa densidade e apolipoproteína B. A análise de componentes principais identificou combinações de biomarcadores que representaram a maior variância. Após, eles testaram um subconjunto para variantes patogênicas em oito genes associados à FH
De 59.927 recém-nascidos no total, amostras de DBS foram obtidas de 10.004 recém-nascidos (51,4% do gênero masculino). Das amostras testadas, a análise de componentes principais demonstrou que a combinação de colesterol de lipoproteína de baixa densidade e apolipoproteína B representou a maior variância, e 768 amostras foram selecionadas para testes genéticos. Uma variante patogênica para HF foi encontrada em 16 amostras, resultando em uma prevalência de base populacional de 1 em 625 recém-nascidos.
Em conclusão, os autores descobriram que o rastreio de recém-nascidos para HF usando testes bioquímicos de primeira linha com testes genéticos reflexos de segunda linha foi viável e, nesta população, identificou 1 em 625 recém-nascidos com HF. Refinamento e validação adicionais são necessários antes da implementação no rastreio neonatal de rotina.