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/ Publicado el 18 de febrero de 2026

Saúde

Novas moléculas sintetizadas em laboratório mostraram atividade promissora contra câncer no cérebro

Entre 11 substâncias produzidas e testadas por pesquisadores brasileiros, duas se destacaram com atividade contra glioma e glioblastoma comparável aos quimioterápicos usados atualmente

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram e avaliaram um conjunto de novas substâncias com potencial para o tratamento de tumores agressivos do sistema nervoso central. Entre as 11 moléculas produzidas em laboratório, duas apresentaram desempenho particularmente animador contra linhagens de glioma e glioblastoma, com efeitos citotóxicos comparáveis aos quimioterápicos utilizados atualmente. O estudo, publicado na revista ACS Omega em 2 de fevereiro, integrou esforços multidisciplinares entre equipes brasileiras e instituições internacionais.

O trabalho, conduzido por Luciana Costa Furtado durante seu doutorado, partiu da estrutura do belinostate, um inibidor de histona desacetilase (HDAC) já utilizado no tratamento de neoplasias hematológicas, como o linfoma de células T periféricas. A partir dessa referência, os pesquisadores sintetizaram compostos com características químicas semelhantes, apostando na possibilidade de obter maior eficácia e ampliar a aplicação do mecanismo de ação para tumores sólidos, como os do sistema nervoso central.

Os testes iniciais de citotoxicidade foram realizados em duas linhagens de glioma e glioblastoma. Quatro substâncias demonstraram capacidade significativa de induzir morte celular. Na etapa seguinte, esses quatro compostos foram testados em linhagens ainda mais agressivas, e dois deles se destacaram com maior potência, especialmente um pertencente à classe dos ácidos hidroxâmicos.

As equipes também investigaram a ação sobre células-tronco de glioblastoma, uma população reconhecida por sua baixa diferenciação e papel relevante na resistência terapêutica. Nessa avaliação, o composto da classe benzamida demonstrou desempenho superior.

Segundo Furtado, essas células expressam menos proteínas-alvo de fármacos convencionais, o que dificulta o tratamento e pode contribuir para recidivas. A atividade observada contra essa população celular, portanto, é particularmente relevante.

Além dos testes biológicos, os compostos passaram por análises computacionais para prever seu comportamento no organismo humano. Os resultados indicaram perfil farmacocinético favorável, sugerindo boa capacidade de distribuição e alcance das concentrações necessárias nos tecidos-alvo.

Para Furtado, a multidisciplinaridade foi determinante para o avanço do estudo e para a obtenção de compostos com potencial real de se tornarem futuros agentes terapêuticos contra tumores cerebrais agressivos.