Atualmente, estamos em uma nova era de biomarcadores diagnósticos para a doença de Alzheimer (DA) e distúrbios neurodegenerativos relacionados à DA (DDRAD). Esses estão impactando rapidamente os paradigmas de avaliação e cuidados em todos os ambientes clínicos.
Recentemente, uma edição especial da revista Alzheimer's & Dementia: The Journal of the Alzheimer's Association destacou a nova diretriz The Alzheimer's Association Clinical Practice Guideline for the Diagnostic Evaluation, Testing, Counseling and Disclosure of Suspected Alzheimer's Disease and Related Disorders (DETeCD-ADRD) que resumiu o processo de avaliação diagnóstica em pessoas com suspeita de comprometimento cognitivo-comportamental devido à DA ou DDRAD. Esta não propôs critérios diagnósticos ou de estadiamento para essas doenças. Em vez disso, forneceu um processo de três etapas para que clínicos da atenção primária e especializada avaliem seus pacientes que podem ter comprometimento cognitivo ou demência devido a DA ou DDRAD,incluindo:
· Estado funcional cognitivo — o nível geral de comprometimento, como comprometimento cognitivo leve ou demência.
· Síndrome cognitivo-comportamental — os sintomas que a pessoa está experimentando (por exemplo, dificuldade progressiva de linguagem e perda de memória com depressão).
· Provável(eis) doença(s) cerebral(is) ou condição(ões) que causam os sintomas.
Como parte de uma avaliação abrangente, o clínico deve estabelecer metas com o paciente e seus cuidados, obter informações do perfil de risco, incluindo histórico familiar e de saúde e descrever o histórico dos sintomas e seus efeitos na vida diária. Além disso, deve incluir uma ressonância magnética (RM) ou tomografia computadorizada (TC) do cérebro, juntamente com exames laboratoriais para condições que possam contribuir para o comprometimento cognitivo.
A formulação diagnóstica deve ser divulgada claramente. Se os clínicos da atenção primária não tiverem confiança na etiologia, o paciente deve ser encaminhado a um especialista em demência.
A diretriz recomendou que os profissionais médicos comecem certificando-se de que seu pensamento sobre os objetivos da avaliação esteja alinhado com o do paciente, o que geralmente requer uma educação do mesmo. Ademais, ela enfatizou a importância de se ter um cuidador para a maioria dos pacientes, uma vez que os sintomas cognitivos podem comprometer a capacidade do paciente de processar as informações.
Abaixo, está um resumo das recomendações para os clínicos forneçam uma abordagem estruturada, porém flexível, para o diagnóstico e manejo das síndromes cognitivo-comportamentais com atendimento centrado no paciente:
Avaliação inicial: Para pacientes que relatem ou demonstrem alterações cognitivas, comportamentais ou funcionais, inicie uma avaliação em múltiplas etapas, adaptada ao problema específico.
Abordagem centrada no paciente: Use uma comunicação clara para estabelecer uma parceria com o paciente e o cuidador, definir objetivos de avaliação compartilhados e avaliar a capacidade do paciente de se engajar no estabelecimento de metas.
Formulação diagnóstica: Utilize avaliações em etapas para determinar:
· Estado funcional cognitivo.
· Síndrome cognitivo-comportamental com base nos sintomas.
· Causa(s) provável(eis) ou fatores contribuintes.
Histórico abrangente: Colete dados confiáveis relatados por informantes sobre:
· Alterações cognitivas.
· Atividades da vida diária (AVDs/AVDs instrumentais).
· Humor e sintomas neuropsiquiátricos.
· Função sensorial e motora.
Fatores de risco: Avalie os fatores de risco individualizados para declínio cognitivo durante a anamnese.
Exame: Realize um exame neurológico focado em demência, avaliação do estado mental e use ferramentas validadas para avaliar a cognição, o humor e o comportamento.
Testes laboratoriais: Siga uma abordagem em múltiplas etapas, realizando testes de rotina para todos os pacientes e testes adicionais com base nos achados clínicos.
Imagem: Obtenha imagens estruturais do cérebro (RM ou TC) para identificar potenciais causas de síndromes cognitivo-comportamentais. Imagens moleculares avançadas (por exemplo, tomografia por emissão de pósitrons (PET) com fluordesoxiglicose (FDG)) podem ser usadas para incerteza diagnóstica persistente.
Comunicação: Use uma abordagem estruturada e compassiva para explicar os achados diagnósticos, incluindo:
· Características e gravidade da síndrome.
· Causa(s) provável(eis) e estágio da doença.
· Prognóstico, opções de tratamento e preocupações com a segurança.
· Recursos para planejamento de cuidados e suporte.
Encaminhamento para especialista: Encaminhe pacientes com achados atípicos, início precoce ou condições rapidamente progressivas para um especialista para avaliação adicional.
Testes neuropsicológicos: Recomendado para casos com incerteza diagnóstica ou perfis clínicos complexos, cobrindo memória, função executiva, habilidades visuoespaciais e linguagem.
Diagnóstico avançado: Em casos com incerteza não resolvida:
· Obtenha análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) para marcadores de beta amiloide e tau.
· Realize exames de PET amiloide se justificado pelos critérios de uso apropriados.
Testes genéticos: Considere testes genéticos para pacientes com histórico familiar autossômico dominante, envolvendo um conselheiro genético ao longo do processo.
Em conclusão, a diretriz incentivou os clínicos de todas as especialidades e ambientes de prática a trabalhar em estreita colaboração com os pacientes e parceiros de cuidados, adotando uma abordagem sistemática e centrada no paciente para a avaliação oportuna de sintomas cognitivos ou comportamentais sugestivos de DA ou DDRDA.