Medical News

/ Published on February 6, 2025

Vacina personalizada

Nova vacina tem resultados promissores contra câncer renal avançado

Em ensaio clínico, o imunizante foi administrado após a cirurgia de remoção do tumor e foi projetado para treinar o sistema imunológico a reconhecer e eliminar células tumorais restantes

Uma nova vacina personalizada contra o câncer mostrou resultados promissores em pacientes com câncer renal avançado. Em artigo publicado na revista científica Nature, uma das mais renomadas da área, pesquisadores mostraram que todos os nove participantes de um ensaio clínico geraram uma resposta imune anticâncer bem-sucedida após receber o tratamento.

“Estamos muito animados com esses resultados, que mostram uma resposta tão positiva em todos os nove pacientes com câncer renal”, afirmou Toni Choueiri, diretor do Lank Center for Genitourinary Cancer do Dana-Farber, nos Estados Unidos, coautor sênior e copesquisador principal do estudo, em comunicado à imprensa.

A cirurgia é o tratamento padrão para pacientes com carcinoma renal de células claras, um tipo de câncer renal, em estágio III ou IV. O procedimento pode ser seguido por imunoterapia com pembrolizumabe, um inibidor de ponto de verificação imunológico. O pembrolizumabe induz uma resposta imunológico que reduz o risco de o câncer voltar. No entanto, cerca de dois terços dos pacientes podem sofrer recidivas (retorno do tumor) e têm opções de tratamentos limitadas.

“Pacientes com câncer renal em estágio III ou IV correm alto risco de recorrência”, disse Choueiri. “As ferramentas que temos para reduzir esse risco não são perfeitas e estamos buscando incansavelmente mais.”

Por isso, os pesquisadores decidiram investigar novas formas de combater esse tipo de câncer. No ensaio clínico, eles trataram nove pacientes com carcinoma de células renais claras em estágio III ou IV com uma vacina contra câncer personalizada após a cirurgia. Cinco pacientes também receberam o medicamento ipilimumab com a vacina.

Vacinas personalizadas são aquelas desenvolvidas para reconhecer o câncer individual de um paciente a partir do tecido tumoral removido durante cirurgia. A equipe de pesquisadores extrai características moleculares das células tumorais (neoantígenos) que as diferenciam das células normais. Os neoantígenos são pequenos fragmentos de proteínas mutantes que existem no câncer, mas não em nenhuma outra célula do corpo.

Os pesquisadores usaram algoritmos preditivos para determinar quais desses neoantígenos incluir na vacina com base na probabilidade de induzir uma resposta imune. A vacina é, então, fabricada e administrada ao paciente em uma série de doses iniciais seguidas por dois reforços.

Por meio de uma série de análises, a equipe descobriu que a vacina induziu uma resposta imune em três semanas, com o número de células T [células do sistema imunológico responsáveis pela defesa do organismo] induzidas pela vacina aumentando em 166 vezes — e esses níveis permaneceram altos por até três anos. Segundo os autores do estudo, nenhum efeito colateral grave foi relatado pelos participantes do estudo.

Ensaios clínicos com um número maior de pacientes são necessários para confirmar a eficácia da vacina e explorar seu potencial total no combate ao câncer. Um estudo randomizado internacional multicêntrico está em andamento e  usa uma vacina personalizada contra câncer com direcionamento de neoantígeno semelhante. Ela será administrada em combinação com imunoterapia pembrolizumabe.