Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, estão desenvolvendo uma plataforma inovadora baseada em nanotecnologia para o tratamento de doenças de pele, como psoríase e vitiligo. A tecnologia utiliza nanopartículas lipídicas capazes de transportar moléculas de RNA terapêutico diretamente às células da pele, promovendo o silenciamento de genes envolvidos na inflamação crônica.
A estratégia é baseada no uso de RNA de interferência (siRNA), que atua degradando o RNA mensageiro responsável pela produção de citocinas inflamatórias, como o TNF-alfa. Com isso, há redução da inflamação de forma localizada, evitando os efeitos adversos comuns em terapias sistêmicas.
Segundo a coordenadora do projeto, Maria Vitória Bentley, essa abordagem representa um avanço em direção à chamada “nanomedicina de precisão”, ao atuar diretamente nos genes superexpressos em doenças cutâneas.
Um dos principais desafios, a entrega eficiente do RNA nas células da pele, foi superado com o desenvolvimento de nanopartículas de cristais líquidos. Essas estruturas protegem o material genético da degradação, facilitam sua penetração na pele e permitem liberação controlada, inclusive com uso de fotoativação.
Além disso, a plataforma possibilita a entrega simultânea de múltiplos RNAs e fármacos anti-inflamatórios, estratégia especialmente relevante na psoríase, que envolve múltiplas vias inflamatórias.
Os resultados já foram validados em modelos celulares e em animais. Outras aplicações em estudo incluem o tratamento do vitiligo, cicatrização de feridas crônicas e o desenvolvimento de sistemas de entrega de mRNA com potencial uso em vacinas, inclusive contra o câncer.
Com patentes depositadas e avanços no escalonamento industrial, a tecnologia tem atraído o interesse da indústria farmacêutica, indicando potencial para futura aplicação clínica.
Fonte: Nanotecnologia brasileira permite tratar doenças de pele com precisão
Published on June 3, 2026
Inovação
Nanotecnologia brasileira avança no tratamento de doenças de pele com alta precisão
Nova plataforma com RNA de interferência e nanopartículas lipídicas permite tratamento mais direcionado, eficaz e com menor risco de efeitos sistêmicos em doenças dermatológicas crônicas.
Author: Elton Alisson
Fuente: Agência FAPESP
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, estão desenvolvendo uma plataforma inovadora baseada em nanotecnologia para o tratamento de doenças de pele, como psoríase e vitiligo. A tecnologia utiliza nanopartículas lipídicas capazes de transportar moléculas de RNA terapêutico diretamente às células da pele, promovendo o silenciamento de genes envolvidos na inflamação crônica.
A estratégia é baseada no uso de RNA de interferência (siRNA), que atua degradando o RNA mensageiro responsável pela produção de citocinas inflamatórias, como o TNF-alfa. Com isso, há redução da inflamação de forma localizada, evitando os efeitos adversos comuns em terapias sistêmicas.
Segundo a coordenadora do projeto, Maria Vitória Bentley, essa abordagem representa um avanço em direção à chamada “nanomedicina de precisão”, ao atuar diretamente nos genes superexpressos em doenças cutâneas.
Um dos principais desafios, a entrega eficiente do RNA nas células da pele, foi superado com o desenvolvimento de nanopartículas de cristais líquidos. Essas estruturas protegem o material genético da degradação, facilitam sua penetração na pele e permitem liberação controlada, inclusive com uso de fotoativação.
Além disso, a plataforma possibilita a entrega simultânea de múltiplos RNAs e fármacos anti-inflamatórios, estratégia especialmente relevante na psoríase, que envolve múltiplas vias inflamatórias.
Os resultados já foram validados em modelos celulares e em animais. Outras aplicações em estudo incluem o tratamento do vitiligo, cicatrização de feridas crônicas e o desenvolvimento de sistemas de entrega de mRNA com potencial uso em vacinas, inclusive contra o câncer.
Com patentes depositadas e avanços no escalonamento industrial, a tecnologia tem atraído o interesse da indústria farmacêutica, indicando potencial para futura aplicação clínica.
Fonte: Nanotecnologia brasileira permite tratar doenças de pele com precisão