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Publicado el 28 de agosto de 2026

Nanopartícula inovadora acelera cicatrização de feridas crônicas em testes laboratoriais

Em testes laboratoriais, formulação tópica que combina resveratrol e silenciamento genético acelerou a cicatrização de feridas crônicas, promovendo quase o fechamento total da lesão em 72 horas.

Autor/a: Morais, M. F. et al.

Fuente: Colloids and Surfaces B: Biointerfaces 266 (2026) 115816 Multifunctional hybrid lipid-polymeric nanoparticle enabling resveratrol and siRNA co-delivery for enhanced cutaneous wound repair

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma nanopartícula capaz de atuar simultaneamente em diferentes mecanismos envolvidos nas feridas crônicas, como úlceras associadas ao diabetes e lesões por pressão em pacientes acamados. 

As feridas crônicas afetam entre 1% e 2% da população e representam um importante desafio de saúde pública, devido ao risco aumentado de infecções, amputações e impacto na qualidade de vida dos pacientes. Os tratamentos disponíveis atualmente, baseados principalmente em curativos, antibióticos e anti-inflamatórios, costumam controlar sintomas e infecções, mas nem sempre conseguem corrigir os fatores que impedem a cicatrização.

Nos testes realizados em culturas celulares e em pele suína, a nova formulação reduziu a inflamação, diminuiu os danos provocados pelo estresse oxidativo e favoreceu a migração de fibroblastos, células essenciais para a reconstrução do tecido cutâneo. Em um modelo experimental de cicatrização, a combinação levou ao fechamento quase completo da lesão simulada após 72 horas.

A estratégia reúne dois componentes principais. O primeiro é um pequeno RNA interferente (siRNA), desenvolvido para silenciar o gene responsável pela produção da enzima MMP-9. Embora essa proteína participe normalmente do remodelamento dos tecidos, sua produção excessiva em feridas crônicas contribui para a degradação de colágeno, elastina e fatores de crescimento necessários à regeneração da pele.

O segundo componente é o resveratrol, composto conhecido por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Além de reduzir o estresse oxidativo, a substância favorece a migração e a proliferação dos fibroblastos, fundamentais para a formação de novo tecido.

Segundo os pesquisadores, a proposta foi reunir ambas as estratégias em uma única plataforma terapêutica para atuar, ao mesmo tempo, sobre diferentes fatores responsáveis pela cronificação das lesões.

Para garantir a chegada dos princípios ativos ao local da lesão, a equipe desenvolveu uma nanopartícula lipídica incorporada a um hidrogel. Além de proteger os compostos, a estrutura aumenta a penetração na pele e promove sua liberação gradual. A abordagem também ajuda a superar limitações dos dois componentes: o resveratrol apresenta baixa solubilidade em água e é facilmente degradado, enquanto o siRNA é uma molécula instável que pode ser rapidamente destruída por enzimas do organismo.

Os resultados mostraram redução significativa dos níveis de MMP-9, de espécies reativas de oxigênio e de citocinas inflamatórias, além da recuperação da capacidade de migração dos fibroblastos.

Apesar dos resultados promissores, a tecnologia ainda está em fase pré-clínica. Os próximos estudos envolverão modelos tridimensionais de pele e testes em animais para avaliar segurança e eficácia antes de uma eventual aplicação em humanos.