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/ Published on November 8, 2024

Musicoterapia

Música para os ouvidos

Um programa individualizado de audição musical para reduzir a agitação em pacientes hospitalizados com doença de Alzheimer e demências relacionadas

A demência é uma doença progressiva que afeta o cérebro, causando perda de memória, déficits cognitivos e dificuldades em realizar tarefas diárias. A internação em cuidados intensivos agrava esses sintomas, já que o ambiente desconhecido e as mudanças de rotina aumentam a ansiedade e a agitação, o que pode resultar em internações prolongadas, mudanças no estado mental, desidratação e quedas. Estudos vêm demonstrando que intervenções não farmacológicas, centradas na pessoa, como ouvir música personalizada, são eficazes na redução da agitação em pacientes com Alzheimer e outras demências (ADRD).

Neste sentido, um projeto foi implementado visando reduzir a agitação em pacientes com ADRD em hospitais de cuidados intensivos, medindo o impacto da música personalizada por meio da Escala de Agitação de Pittsburgh (PAS) e relatórios da equipe de saúde sobre a eficácia da intervenção. Os resultados forneceram uma base sólida para a adoção de cuidados centrados na pessoa em contextos hospitalares, oferecendo aos pacientes com demência uma abordagem mais segura e humanizada.

Para o estudo, foram revisados artigos de 2017 a 2022 em bases de dados como PubMed e CINAHL, focando na eficácia da música personalizada para reduzir a agitação em pacientes com ADRD. Após uma triagem inicial de 701 artigos, 12 estudos relevantes foram selecionados para embasar o projeto.

O projeto demonstrou que o uso de audição musical personalizada foi eficaz na redução da agitação em pacientes com ADRD em hospitais. A PAS caiu significativamente após a intervenção, especialmente em agitação motora e vocalizações aberrantes. As músicas favoritas dos pacientes geralmente eram canções populares de sua juventude, como as de Frank Sinatra e Ella Fitzgerald, e tiveram um impacto positivo na tranquilidade e no comportamento dos pacientes.

Observações da equipe reforçaram a eficácia da intervenção: alguns pacientes, ao ouvirem música personalizada, se acalmavam, permitiam cuidados médicos e até adormeciam sem necessidade de medicação. Em um caso, um paciente se acalmou ouvindo sua seleção musical, dispensando a necessidade de Haldol, um antipsicótico.

Apesar de menos participantes do que o previsto, o projeto realçou a importância de intervenções centradas na pessoa no ambiente hospitalar para pacientes com ADRD. Muitas instituições ainda utilizam intervenções farmacológicas para controlar a agitação, mas a audição musical individualizada mostrou-se mais eficaz e segura. O envolvimento da família é recomendado para escolher as músicas personalizadas e detectar os primeiros sinais de agitação.

Em conclusão, a audição musical personalizada é uma prática baseada em evidências que melhora significativamente a experiência do paciente e reduz a necessidade de medicamentos, contribuindo para um cuidado mais humanizado e seguro para pacientes com demência. Intervenções centradas na pessoa devem ser priorizadas como primeira linha no manejo dos sintomas comportamentais da demência.