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Publicado el 23 de julio de 2026

Acidente no trânsito

Mortes no trânsito caem 21% no mundo, mas é preciso intensificar ações para salvar vidas

Em todo o mundo, 10 países conseguiram reduzir as mortes no trânsito em 50% na década encerrada em 2021, e mais da metade dos países registrou redução no número de vítimas fatais nesse período.

Apesar da inclusão de mais de 1 bilhão de veículos nas estradas do mundo, a taxa global de mortes no trânsito caiu 21% entre 2011 e 2025, segundo novos dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

O mundo passou por profundas transformações no trânsito nesse período, com o surgimento de novos meios de transporte e um forte aumento do uso de motocicletas. Apesar dos avanços, os acidentes de trânsito ainda causaram a morte de 1,16 milhão de pessoas em 2025. As lesões decorrentes desses acidentes continuam sendo a principal causa de morte entre crianças e jovens de 5 a 29 anos.

Os novos dados da OMS foram divulgados no momento em que líderes mundiais adotam uma nova Declaração de Progresso da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre Segurança no Trânsito. A declaração busca impulsionar ações globais para atingir a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de reduzir em 50% as mortes e lesões graves no trânsito até 2030, em comparação aos níveis de 2021.

“Esse progresso mostra que a mudança é possível quando os países investem em sistemas viários seguros. Nos últimos 15 anos fizemos avanços reais na redução das mortes no trânsito, apesar do aumento expressivo do número de veículos e das grandes mudanças na forma como as pessoas se deslocam”, afirmou o diretor-geral da OMS, Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus.

“Parabenizo os países pela forte declaração política adotada hoje, que busca acelerar ações para garantir que as vias sejam projetadas priorizando as pessoas, e não os veículos motorizados, tendo a segurança como prioridade. Todas as mortes no trânsito são evitáveis e nenhuma é aceitável.”

A nova declaração da ONU inclui um conjunto abrangente de compromissos dos Estados-Membros para implementar estratégias nacionais de segurança viária com metas, cronogramas e orçamentos definidos. Entre os compromissos estão:

  • Criação de órgãos líderes em segurança viária;
  • Melhoria da coleta e análise de dados;
  • Desenvolvimento e aplicação de legislações mais robustas;
  • Garantia de que estradas, infraestrutura e veículos atendam a padrões essenciais de segurança.

A declaração também compromete os países a adotarem a abordagem comprovada do “Sistema Seguro” (Safe System), que reconhece que as pessoas sempre cometerão erros no trânsito. Essa abordagem promove estradas, infraestrutura, veículos, limites de velocidade e regulamentações mais seguros, capazes de minimizar os impactos desses erros e manter os acidentes dentro de níveis de sobrevivência.

O documento ainda conclama os governos a exercerem liderança, adotarem medidas adicionais e incentivarem o setor privado a priorizar a segurança viária em toda a sua cadeia de valor. Além disso, destaca o papel fundamental da sociedade civil, da academia, dos jovens, das organizações filantrópicas e das Nações Unidas na promoção de avanços.

Estradas mais seguras para um futuro mais seguro

Com quase 60% da população mundial vivendo atualmente em áreas urbanas, a crescente demanda por mobilidade ameaça sobrecarregar sistemas de transporte que foram projetados principalmente para veículos particulares.

Com a expansão dos aplicativos de transporte e entrega, o número de motocicletas mais que triplicou entre 2011 e 2025. Atualmente, as mortes de motociclistas representam quase um terço de todas as fatalidades no trânsito no mundo. O uso de um capacete seguro reduz o risco de morte em um acidente em mais de seis vezes.

Novas formas de mobilidade, incluindo patinetes elétricos, bicicletas elétricas e veículos autônomos, apresentam tanto desafios quanto oportunidades para planejadores de transporte e formuladores de políticas públicas. A OMS trabalha para preencher lacunas regulatórias, promover padrões consistentes de segurança e reunir especialistas para desenvolver novas formas de garantir que veículos e tecnologias emergentes sejam seguros.

“Mais da metade de todas as mortes no trânsito envolve pessoas que nem sequer estão dentro de um carro: elas estão caminhando, pedalando ou pilotando uma motocicleta. Quando as vias são projetadas como se apenas os motoristas importassem, essas pessoas ficam perigosamente expostas”, afirmou o Dr. Etienne Krug, diretor do Departamento de Determinantes da Saúde, Promoção da Saúde e Prevenção da OMS.

“Sabemos o que funciona: leis rigorosas e sua efetiva aplicação, infraestrutura segura e veículos mais seguros, com atenção especial à redução da velocidade e ao combate à direção sob efeito de substâncias. Esta declaração significa que todos nós precisamos avançar mais e mais rapidamente.”

Em todo o mundo, 10 países conseguiram reduzir as mortes no trânsito em 50% na década encerrada em 2021, e mais da metade dos países registrou redução no número de vítimas fatais nesse período. No entanto, o progresso permanece desigual entre as regiões:

  • Região Europeia da OMS: redução de 36%;
  • Região do Pacífico Ocidental: redução de 15%;
  • Região do Sudeste Asiático: redução de 2%;
  • Região das Américas: sem mudança significativa;
  • Região Africana da OMS: aumento de 17%.

A nova declaração da ONU ressalta que fortalecer a segurança viária é essencial para melhorar a saúde pública e promover o desenvolvimento sustentável. O aumento do uso de meios de transporte ativos e coletivos, como caminhar, pedalar e utilizar transporte público, pode reduzir congestionamentos, melhorar a qualidade do ar, tornar as cidades mais habitáveis e contribuir para vidas mais longas e saudáveis.