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/ Publicado el 23 de enero de 2025

Atualização para a prática clínica

Miomas uterinos

Uma revisão sobre a doença, diagnóstico e tratamento

Autor/a: Stewart, E. (2015)

Fuente: The New England Journal of Medicine Uterine Fibroids

Os miomas uterinos são neoplasias benignas extremamente comuns que afetam o útero, apresentando uma prevalência vitalícia superior a 80% entre mulheres negras e próxima de 70% entre as brancas. Esses tumores podem provocar uma ampla gama de sintomas, incluindo sangramento menstrual intenso ou prolongado, frequentemente resultando em anemia em mulheres em idade reprodutiva. Além disso, pode ocorrer nas que estão na pós-menopausa, quando essas apresentam sangramentos associado a condições mais preocupantes, como hiperplasia endometrial e carcinoma.

Outros sintomas incluem dismenorreia intensa, dor pélvica não cíclica, infertilidade e abortos espontâneos recorrentes. Entretanto, muitos casos de miomas permanecem assintomáticos, o que pode dificultar o diagnóstico precoce. Fatores de risco significativos para o desenvolvimento de miomas incluem a idade avançada até a menopausa, a raça negra, bem como fatores reprodutivos e ambientais. A menarca precoce e o uso de contraceptivos orais antes dos 16 anos estão entre os fatores associados ao aumento da suscetibilidade. Além disso, evidências indicaram que um alto índice de massa corporal também pode contribuir como fator de risco.

Diagnóstico

Devido aos miomas uterinos serem frequentemente suspeitos em mulheres na pré-menopausa a ultrassonografia é o método confirmatório padrão, pois permite diferenciar de forma eficaz e acessível miomas de condições como um útero grávido ou massas anexiais. Para casos de sangramento menstrual intenso, a ultrassonografia com infusão salina pode ser utilizada para avaliar a extensão dos miomas intracavitários, com base no sistema de classificação FIGO. Além disso, a ressonância magnética com contraste de gadolínio pode ser indicada para casos específicos, fornecendo informações detalhadas sobre miomas degenerados e sua relação com as superfícies endometrial e serosa.

Em pacientes com sangramento intenso, recomenda-se hemograma completo, triagem para disfunção tireoidiana e distúrbios de coagulação, além de biópsia endometrial em casos de sangramento irregular ou risco de hiperplasia endometrial. Apesar de a biópsia e a ressonância magnética sugerirem possíveis malignidades, nenhum exame pré-operatório descarta completamente o sarcoma, tornando essencial o aconselhamento sobre o risco de malignidade. A ultrassonografia anual é frequentemente utilizada para vigilância, embora careça de evidências consistentes devido à variabilidade no crescimento ou regressão dos miomas.

Tratamento

As terapias devem ser individualizadas, considerando o tamanho, número, localização e sintomas. A histerectomia é a única cura definitiva, indicada para mulheres com prole constituída. Suas abordagens incluem métodos abdominal, vaginal e laparoscópico, sendo este último menos invasivo. Apesar de melhorias na qualidade de vida, eventos adversos, como complicações cirúrgicas e transfusões, são frequentes.

Para mulheres que desejam preservar o útero, há opções médicas e intervencionistas, como por exemplo, a miomectomia preferido para mulheres com sintomas relacionados ao volume ou que têm planos de engravidar. No entanto, a recorrência de miomas é comum, e o risco de aderências e complicações pode comprometer a fertilidade. Além disso, a embolização da artéria uterina, uma técnica minimamente invasiva, que reduz sintomas e o tempo de recuperação, mas aumenta o risco de complicações menores e prejudica a fertilidade em alguns casos.

Para o tratamento de sangramento menstrual intenso isolado, terapias eficazes incluem ácido tranexâmico, DIUs com levonorgestrel, contraceptivos orais e agonistas do GnRH para uso em curto prazo. Moduladores de progesterona, como mifepristona e acetato de ulipristal, também são opções promissoras. Assim como, abordagens menos invasivas, como ablação por radiofrequência e ultrassom focalizado guiado por ressonância magnética, apresentam potencial para aliviar sintomas de forma eficaz.

Conclusão

Os miomas uterinos são uma condição comum, especialmente em mulheres em idade reprodutiva. Embora existam diversos métodos de diagnóstico e tratamento disponíveis, ainda são necessários estudos adicionais para avaliar sua eficácia a longo prazo, os potenciais efeitos adversos e, sobretudo, o impacto nas questões relacionadas à preservação da fertilidade das pacientes.