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Publicado el 27 de agosto de 2024

Explorando a Conexão

Microbioma intestinal de hipertensos com e sem diabetes mellitus 2

Composição da Microbiota Intestinal em Pacientes Hipertensos: Diferenças entre Portadores e Não Portadores de Diabetes Mellitus Tipo 2

Introdução

A hipertensão (HT) é uma condição médica caracterizada por pressões arteriais persistentemente elevadas, confirmadas por medições realizadas em dois dias diferentes. Essa elevação contínua da pressão exerce uma força excessiva contra as paredes das artérias, causando danos significativos e desempenhando um papel crucial no desenvolvimento de várias doenças cardiovasculares, como doença cardíaca coronária, insuficiência cardíaca e acidente vascular cerebral (AVC). A hipertensão frequentemente coexiste com o diabetes mellitus tipo 2 (DM2), outro importante fator de risco para doenças cardiovasculares (DCV).

Apesar disso, ainda não há um consenso claro sobre a associação direta entre hipertensão e risco de desenvolvimento de diabetes. Estudos recentes indicaram que a microbiota intestinal desempenha um papel importante tanto na hipertensão quanto no DM2, mas a existência de diferenças na composição da microbiota entre pacientes hipertensos com e sem DM2 ainda não foi amplamente explorada. Nesse contexto, Ding e colaboradores (2023) investigaram as diferenças na estrutura da comunidade e na abundância de táxons da microbiota intestinal entre pacientes hipertensos com e sem DM2, comparando-os também com controles saudáveis. O estudo buscou fornecer novos insights e direções para a identificação de bactérias específicas associadas à hipertensão e ao desenvolvimento de diabetes, além de esclarecer os mecanismos potenciais que explicam a coexistência dessas duas condições.

Métodos

Neste estudo, foram recrutados 101 pacientes hipertensos, sendo 72 sem DM2 (designados como grupo HT) e 29 com DM2 (designados como grupo HT-DM2). Para a análise, amostras de sangue foram coletadas para a avaliação de características clínicas, enquanto amostras fecais foram utilizadas para a extração de DNA bacteriano, seguido de sequenciamento do gene 16S rRNA, com foco nas regiões V3 e V4. Além disso, dados de 40 amostras de controle de saúde (grupo HC) foram obtidos do projeto PRJNA815750 para comparação.

Ainda, a análise da composição e estrutura da comunidade microbioma, diferenças taxonômicas, redes de coocorrência e enriquecimento funcional foram realizadas por meio de diversas abordagens, incluindo diversidade alfa/beta, LEfSe, o algoritmo de Fruchterman-Reingold e análise funcional PICRUSt2.

Resultados

Os resultados do estudo mostraram que a análise da diversidade alfa e beta revelou diferenças significativas na riqueza e composição da comunidade microbiana entre os três grupos. O grupo HC apresentou um índice de Simpson significativamente maior e uma comunidade de microbiota distinta em comparação aos grupos HT e HT-T2DM, conforme evidenciado pelas diferenças significativas nas distâncias UniFrac ponderadas e não ponderadas.

A análise LEfSe identificou táxons específicos com abundâncias significativamente diferentes entre os grupos, como Bacteroides uniformis, Blautia wexlerae, Alistipes putredinis e Prevotella stercorea no grupo HC; Prevotella copri e Phascolarctobacterium faecium no grupo HT; e Klebsiella pneumoniae no grupo HT-T2DM.

A análise da rede de coocorrência indicou que Prevotella copri, Mediterraneibacter gnavus, Alistipes onderdonkii e algumas espécies não identificadas atuam como nós-chave na rede microbiana. As vias funcionalmente diferenciadas identificadas pelo PICRUSt2 estavam predominantemente associadas à nutrição e ao metabolismo energético, bem como à biossíntese de outros metabólitos secundários.

Conclusões

Em conclusão, este estudo identificou diferenças significativas na riqueza, composição e função da comunidade microbiana entre controles saudáveis e pacientes hipertensos, com e sem T2DM. Alguns táxons específicos foram destacados, podendo explicar essas diferenças e servir como potenciais alvos terapêuticos para a prevenção, controle, ou até mesmo tratamento da hipertensão, DM2, e da coexistência dessas duas condições.