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/ Publicado el 13 de enero de 2025

Atualização para a prática clínica

Menopausa e diabetes mellitus

Um resumo sobre o guia clínico EMAS: European Menopause and Andropause Society (Sociedade Europeia de Menopausa e Andropausa)

Autor/a: Slopien, R. et al. (2018)

Fuente: Maturitas Menopause and diabetes: EMAS clinical guide

O diabetes mellitus (DM) afeta aproximadamente 9,1% da população adulta na Europa e 13,3% nos Estados Unidos. Estima-se que, entre 2015 e 2030, a população mundial com mais de 60 anos aumentará em 56%, indicando uma tendência substancial de crescimento no número de mulheres pós-menopáusicas com DM. A gestão da menopausa em mulheres com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) apresenta desafios significativos, especialmente devido à falta de clareza sobre os riscos e benefícios da terapia hormonal da menopausa (THM) nessa população.

Com base nessas lacunas de conhecimento, Slopien e colaboradores (2018) desenvolveram este guia clínico com o objetivo de sintetizar evidências científicas sobre: os efeitos da menopausa nos parâmetros metabólicos e no risco de DM2; a influência do DM2 na idade da menopausa; o impacto da TH no risco de desenvolvimento de DM2; e estratégias terapêuticas voltadas para mulheres pós-menopáusicas com DM2.

Alterações metabólicas durante a transição da menopausa

A menopausa é caracterizada pela depleção de oócitos, o que leva a uma queda abrupta nos níveis de estradiol endógeno (E₂). Durante a transição menopausal, observa-se um ganho de peso significativo, associado a um aumento na massa de gordura, especialmente na região abdominal. Assim como, ocorre uma redução na massa corporal magra e no gasto energético total, favorecendo o acúmulo de gordura corporal, tanto total quanto visceral.

A adiposidade visceral, por sua vez, eleva a produção de citocinas pró-inflamatórias, aumenta a concentração de ácidos graxos livres circulantes e intensifica a geração de espécies reativas de oxigênio, contribuindo para o desenvolvimento da resistência à insulina. Além disso, a redução nos níveis de E₂ e na atividade do receptor de estrogênio-α (ERα) durante a menopausa intensifica a resistência à insulina nos tecidos periféricos. Embora a homeostase da glicose seja mantida inicialmente pelas células β pancreáticas, que compensam a resistência à insulina, o diabetes tipo 2 pode se manifestar quando ocorre a disfunção das células β em combinação com essa resistência metabólica.

Efeito do DM na idade da menopausa

Diversos estudos sugeriram que mulheres com diabetes mellitus tipo 1 (DM1) apresentaram menopausa em idade mais precoce quando comparadas a mulheres sem DM1. O estudo Familial Autoimmune and Diabetes revelou que mulheres com DM1 atingiram a menopausa, em média, aos 41,6 anos. Por outro lado, alguns estudos questionaram essa relação entre DM1 e idade da menopausa. No estudo Ovarian Ageing in Type 1 Diabetes Mellitus (OVADIA), por exemplo, a idade da menopausa foi semelhante entre mulheres com e sem DM1, com uma média de 49,8 anos em ambos os grupos.

Em contraste, o DM2 pode estar associado a um início mais precoce da menopausa. Uma análise envolvendo 6.079 mulheres de meia-idade em 11 países da América Latina revelou que a proporção de mulheres com DM2 que já haviam passado pela menopausa era três vezes maior do que entre aquelas sem DM2, sugerindo uma possível influência da doença no processo de envelhecimento reprodutivo.

Impacto da THM no risco de DM2

A THM apresenta efeitos benéficos em diversos parâmetros metabólicos, incluindo a melhora da sensibilidade à insulina. Evidências indicaram que os estrogênios atuam diretamente nos receptores de estrogênio localizados no fígado, músculos e tecido adiposo, contribuindo para a redução do risco de desenvolvimento de DM2. Uma metanálise envolvendo 107 ensaios demonstrou que a THM reduziu a resistência à insulina em 13% e diminuiu a incidência de DM2 de início recente em 30%.

Estudos específicos indicaram que a THM com estrogênios equinos conjugados (CEE) oferece benefícios metabólicos, como a redução da resistência à insulina e do risco de DM2. No entanto, o uso de CEE pode elevar os níveis de triglicerídeos, proteína C-reativa e fatores de coagulação, o que aumenta o risco de trombose.

Manejo do DM2 em mulheres durante e pós-menopausa

Como estratégias de manejo, mudanças no estilo de vida, como dieta saudável, prática regular de exercícios, cessação do tabagismo e controle do consumo de álcool, são essenciais para combater as consequências metabólicas da menopausa em mulheres com diabetes tipo 2. A perda de peso gradual e moderada, acompanhada de uma dieta rica em gorduras insaturadas, proteínas magras, cálcio e vitamina D, ajuda a prevenir complicações.

Além disso, atividade física aeróbica e anaeróbica é crucial para melhorar o controle glicêmico, a qualidade óssea e a composição corporal, mesmo que a balança não reflita perda de peso significativa. Para as pacientes, atenta-se que o tabagismo é um fator de risco para várias doenças, e este deve ser interrompido. Em termos de medicação, a metformina é a primeira escolha, enquanto inibidores de dipeptidil peptidase-4 e agonistas de GLP-1 são opções seguras para preservar a saúde óssea. Por fim, medicamentos como tiazolidinedionas e canagliflozina devem ser evitados em pacientes com alto risco de fraturas.