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/ Published on February 2, 2025

International Menopause Society (IMS)

Menopausa e a terapia hormonal da menopausa

Abordando as principais controvérsias

A International Menopause Society (IMS) tem como propósito assegurar que mulheres em todo o mundo tenham acesso equitativo e facilitado ao conhecimento e aos cuidados de saúde baseados em evidências científicas. Nesse contexto, Panay e colaboradores (2024) elaboraram um White Paper com o objetivo de apresentar uma declaração de posicionamento da IMS sobre a menopausa e a terapia hormonal da menopausa (THM), abordando, em especial, algumas das principais controvérsias existentes.


A menopausa e a terapia hormonal da menopausa (THM) são temas amplamente debatidos tanto por mulheres quanto pela sociedade em geral. Os estágios da menopausa são classificados principalmente com base na regularidade do ciclo menstrual, sendo os marcadores hormonais considerados de importância secundária.

De acordo com metanálises de dados globais, a idade média para a menopausa natural é de 48,8 anos, embora possa variar em função de fatores econômicos e de condições de saúde, como a presença do HIV. Embora seja uma progressão natural ao longo do curso de vida, a menopausa pode estar associada a sintomas debilitantes que afetam significativamente a qualidade de vida das mulheres.

Os sintomas mais clássicos incluem sintomas vasomotores (VMS), como ondas de calor e sudorese noturna, e sintomas geniturinários, que envolvem alterações vulvares, vaginais e urinárias. No entanto, diversos outros sinais podem surgir nesse período, sendo alguns deles causados ou exacerbados pela queda nos níveis de estrogênio, embora fatores genéticos, epigenéticos e ambientais também desempenhem um papel relevante.

Uma recente revisão sistemática e metanálise de dados de prevalência global identificou que desconfortos articulares e musculares são os sintomas mais comuns relacionados à menopausa, afetando 65,43% das mulheres. Além disso, evidências sugeriram que as predispostas a sintomas vasomotores graves apresentam maior incidência de doenças cardiovasculares. Dessa forma, a ampla variedade de sintomas associados à menopausa pode impactar profundamente a saúde física, mental e cognitiva, além de afetar os relacionamentos pessoais e desempenho profissional.

THM e controvérsias

Nos últimos anos, a disseminação generalizada de desinformação e informações falsas tem levado pacientes a solicitarem THM a seus profissionais de saúde com base em expectativas equivocadas, como a melhora da qualidade da pele, unhas e cabelos, ou por potenciais benefícios de prevenção primária, como saúde cardiovascular e cerebral, para os quais não existem, atualmente, indicação clínica. Embora a THM seja indicada principalmente para o alívio dos sintomas angustiantes da menopausa, ela é frequentemente promovida incorretamente como um "elixir da juventude". Esse equívoco representa uma das principais controvérsias em torno da THM, pois ela não é recomendada exclusivamente para a prevenção primária.

> Prescrição de THM

A terapia hormonal da menopausa é indicada, convencionalmente, para mulheres com menopausa natural ou cirúrgica que apresentam sintomas vasomotores ou vulvovaginais importantes. Para determinar o tipo e a dose, devem ser considerados fatores como a preferência da paciente, presença ou ausência de útero, necessidade contraceptiva, tipo e gravidade dos sintomas, bem como a presença de comorbidades.

A menopausa, em si, não requer tratamento. No entanto, os sintomas e condições que interferem a qualidade de vida justificam intervenções terapêuticas. Estima-se que 80% das mulheres apresentem sintomas vasomotores, com 25% delas enfrentando VMS graves. A duração média desses sintomas é de 8 a 10 anos, com metade das mulheres sofrendo por mais de uma década.

Além do manejo dos sintomas vasomotores e vulvovaginais, a THM é, em alguns países, considerada uma opção de segunda linha para o tratamento da osteoporose. Sem intervenção adequada, até 50% das mulheres terão essa doença aos 80 anos. Antes de iniciar a prescrição da terapia hormonal, os sintomas predominantes devem ser identificados, metas realistas devem ser estabelecidas e o tempo esperado para a resposta ao tratamento deve ser claramente discutido com a paciente.

Outras abordagens adequadas

A adoção de uma gestão holística durante este marco importante na vida da mulher, possibilita a otimização da saúde e a melhoria da qualidade de vida. Essa abordagem inclui a prevenção primária de doenças crônicas por meio de uma alimentação balanceada, prática regular de atividade física, imunizações preventivas (como vacinas pneumocócica e contra herpes zoster), além da triagem oportuna e adequada para doenças crônicas e cânceres. Evitar substâncias prejudiciais, como o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, manter-se socialmente ativo e priorizar o bem-estar mental são estratégias fundamentais nesse processo.

Além disso, a menopausa pode ser gerenciada de forma eficaz por meio de terapias cognitivo-comportamentais baseadas em evidências, hipnoterapia e tratamentos farmacológicos não hormonais. Essas alternativas devem ser amplamente divulgadas e tornadas mais acessíveis, especialmente considerando as crescentes evidências de seus benefícios, em particular para mulheres que não podem ou optam por não utilizar a terapia hormonal da menopausa.


A menopausa representa um marco significativo no ciclo de vida da mulher e não deve ser reduzida a um simples componente do processo de envelhecimento. Promover globalmente a conscientização e o cuidado com a menopausa é essencial para dissipar equívocos e reduzir o estigma associado tanto à menopausa quanto ao envelhecimento feminino em geral. Essa abordagem pode encorajar mais mulheres a buscar o cuidado necessário para otimizar sua saúde na meia-idade e em fases posteriores da vida. Por fim, uma compreensão mais aprofundada da farmacogenética é fundamental para viabilizar opções terapêuticas verdadeiramente individualizadas no manejo dos sintomas da menopausa.