Medical News

/ Published on September 8, 2025

Diabetes

Medicamento para diabetes demonstra efeitos antienvelhecimento em pacientes com diabetes tipo 2.

Henagliflozina, um medicamento popular prescrito para diabetes tipo 2, demonstrou potenciais efeitos antienvelhecimento em um estudo recente publicado na revista Cell Reports Medicine.

Os telômeros são estruturas protetoras formadas por sequências repetitivas de DNA que ficam nas extremidades dos nossos cromossomos. O encurtamento dos telômeros ao longo do tempo é um marcador bem reconhecido do envelhecimento e um indicativo de possíveis danos ao DNA.

Uma equipe de pesquisadores chineses recrutou 142 pessoas entre 35 e 70 anos com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2 e as distribuiu aleatoriamente entre o grupo que recebeu henagliflozina e o grupo placebo. Eles descobriram que a henagliflozina aumentou significativamente o comprimento dos telômeros em comparação ao placebo, com 90,5% dos pacientes apresentando alongamento dos telômeros versus 65,6% no grupo placebo.

Os casos de diabetes tipo 2 estão em ascensão e, segundo a Federação Internacional de Diabetes, o número de casos no mundo deve atingir 700 milhões até 2045. Essa doença metabólica está frequentemente associada à senescência, o processo biológico de envelhecimento. Estudos mostraram que a presença de células senescentes — que estão irreversivelmente paradas e não se dividem nem se replicam — leva à secreção de moléculas inflamatórias que danificam os tecidos, acelerando a progressão do diabetes e o risco de complicações associadas.

Combinar o tratamento do diabetes com o monitoramento de biomarcadores do envelhecimento pode levar a estratégias terapêuticas mais eficazes. Os inibidores do cotransportador de sódio-glicose tipo 2 (SGLT2i) são uma classe de medicamentos orais para diabetes que reduzem os níveis de glicose no sangue ao inibir a reabsorção de glicose nos rins. Além de contribuírem diretamente para uma melhor regulação da glicose e dos lipídios, medicamentos como a henagliflozina também favorecem a perda de peso e imitam a restrição calórica (RC), uma intervenção conhecida por retardar o envelhecimento. Apesar das fortes evidências teóricas e pré-clínicas, ainda faltam dados clínicos diretos sobre os efeitos antienvelhecimento desses medicamentos.

Para investigar esse possível efeito antienvelhecimento dos SGLT2i, os pesquisadores escolheram a henagliflozina como medicamento de estudo e conduziram um ensaio clínico multicêntrico para avaliar especificamente seus efeitos sobre biomarcadores de envelhecimento em pacientes com diabetes tipo 2. Os participantes receberam uma dose oral de 10 mg/dia de henagliflozina ou um comprimido placebo correspondente por um período de 26 semanas.

Além dos marcadores de metabolismo da glicose, os pesquisadores mediram parâmetros relacionados ao envelhecimento — como o comprimento dos telômeros em leucócitos do sangue periférico e os níveis do sistema do fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1), que regula crescimento e metabolismo — antes e depois do estudo.

As medições indicaram um alongamento significativo dos telômeros no grupo que recebeu henagliflozina em comparação ao grupo placebo, demonstrando seu potencial antienvelhecimento. O tratamento também melhorou o metabolismo da glicose, aumentou certos fatores de crescimento semelhantes à insulina e fortaleceu a função imunológica.

Os pesquisadores observaram que ambos os grupos receberam a mesma intervenção de estilo de vida, o que provavelmente explica o leve aumento no comprimento dos telômeros no grupo placebo. No entanto, o aumento mais expressivo no grupo da henagliflozina apontou para um efeito farmacológico adicional.

Embora o comprimento dos telômeros seja um biomarcador confiável de envelhecimento, ele não é o único nem o mais conclusivo. Ensaios clínicos com amostras maiores e que avaliem outros marcadores de envelhecimento além dos telômeros são necessários para confirmar os reais efeitos antienvelhecimento da henagliflozina.