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Published on February 24, 2026

Desenvolvimento de fármacos

Medicamento para osteoporose mostrou potencial contra doenças causadas por excesso de ferro

Em testes realizados em células humanas, os fármacos etidronato e tiludronato se ligaram ao ferro em excesso, reduziram o estresse oxidativo e evitaram danos celulares.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) identificaram que dois medicamentos já utilizados  no tratamento da osteoporose podem ter uma função de ajudar a reduzir os danos provocados pelo excesso de ferro no organismo. A descoberta surgiu a partir de experimentos conduzidos em culturas de células humanas, nos quais o etidronato e o tiludronato demonstraram capacidade de se ligar ao ferro em concentrações elevadas, diminuindo o estresse oxidativo e protegendo as células de danos associados ao metal. 

O estudo partiu da hipótese de que bisfosfonatos, que contêm grupos fosfato, poderiam interagir com íons metálicos como o ferro. Essa possibilidade levou os pesquisadores a testar a capacidade dessas moléculas de atuar de maneira parecida com agentes quelantes. Os experimentos foram realizados com níveis fisiológicos normais de cálcio e os resultados mostraram um comportamento semelhante ao de um quelante conhecido, sugerindo que esses medicamentos podem ter funções adicionais ainda pouco exploradas

O acúmulo tóxico de ferro pode ocorrer em decorrência de doenças genéticas como hemocromatose ou por tratamentos essenciais, como transfusões frequentes em casos de talassemia. A terapia atual para esses casos depende de poucos quelantes disponíveis. Esses fármacos são eficazes, mas muitos pacientes enfrentam efeitos adversos que dificultam a continuidade do tratamento. 

Além dos dois bisfosfonatos principais avaliados, a pesquisa também examinou outras moléculas da mesma classe. Algumas delas apresentaram capacidade expressiva de impedir a oxidação causada pelo ferro, mas demonstraram toxicidade celular mais elevada, o que exigiria cuidados adicionais em estudos futuros. Um medicamento usado contra a reabsorção óssea denominado ranelato de estrôncio também foi incluído nos testes, mas não exibiu capacidade de se ligar ao ferro. 

Os pesquisadores destacaram que os achados representam apenas uma etapa inicial. Os experimentos foram feitos exclusivamente em laboratório e ainda não existe confirmação de que o efeito observado se mantenha em organismos vivos. O próximo passo depende de novas investigações que considerem segurança, eficácia e possíveis efeitos adversos. Mesmo assim, os resultados ampliam o campo de pesquisa sobre usos alternativos de fármacos já bem estabelecidos e levantam novas possibilidades para o manejo da sobrecarga de ferro.