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Publicado el 4 de agosto de 2025

Saúde ginecológica

Lubrificantes hiperosmolares e microbiota vaginal

Evidências sobre a estabilidade do microbioma vaginal após exposição a lubrificantes durante ultrassonografia transvaginal e implicações para práticas clínicas

Autor/a: Brown, S. E. et al.

Fuente: American Journal of Obstetrics & Gynecology, V.233, I.1, 42.e1 - 42.e27 (2025) Assessment of the vaginal microbiota before and after use of hyperosmolal lubricant during transvaginal ultrasound

Lubrificantes vaginais são comumente utilizados durante a atividade sexual e em procedimentos clínicos, como a ultrassonografia transvaginal. Estudos epidemiológicos e laboratoriais indicaram que lubrificantes aquosos hiperosmolares podem alterar a microbiota vaginal, especialmente as bactérias benéficas do gênero Lactobacillus, que desempenham papel essencial na proteção contra infecções sexualmente transmissíveis e outros desfechos ginecológicos e obstétricos adversos.

Nesse contexto, Brown e claboradores (2025) avaliaram as alterações na composição da microbiota vaginal antes e após uma única exposição ao lubrificante, ao longo de um período de 10 semanas, entre pacientes pré-, peri- e pós-menopáusicas encaminhadas para ultrassonografia transvaginal.

Foram incluídas 104 participantes que coletaram amostras vaginais diariamente entre o início do estudo e a ultrassonografia transvaginal (1 semana), imediatamente antes do exame (pré-ultrassonografia transvaginal) e entre 6 a 12 horas após o exame (pós-ultrassonografia transvaginal). As participantes retornaram para uma visita de acompanhamento entre 2 a 5 dias após o exame (seguimento pós-ultrassonografia) e continuaram a coletar amostras duas vezes por semana durante 9 semanas, com uma visita clínica final na décima semana. A composição da microbiota foi caracterizada por sequenciamento do gene do RNA ribossomal 16S (regiões V3–V4) e classificada em tipos de estado comunitário: baixo Lactobacillus vs dominância de Lactobacillus. Modelos lineares mistos generalizados avaliaram a probabilidade de apresentar microbiota com baixo Lactobacillus após o exame, usando as amostras pré-exame como referência.

A maioria das participantes era pré-menopáusica (82%) e 62% se identificavam como negras. Na primeira semana, não houve alterações imediatas na composição da microbiota após o exame. No entanto, no prazo de 10 semanas, observou-se menor estabilidade da microbiota vaginal após o exame em comparação ao período anterior. No geral, não houve aumento na probabilidade de microbiota com baixo Lactobacillus após o exame. Contudo, em grupos específicos — como participantes peri/pós-menopáusicas (N=19) e aquelas com histórico de vaginose bacteriana (N=58) — houve maior probabilidade de persistência em estado de baixo Lactobacillus durante o acompanhamento.

Em resumo, indivíduos peri- e pós-menopáusicos e com histórico de vaginose bacteriana apresentaram redução sustentada de Lactobacillus protetores após uma única exposição a lubrificante vaginal hiperosmolar. Esses dados reforçaram a importância de reformular lubrificantes aquosos com menor osmolaridade e toxicidade, visando preservar a integridade da microbiota vaginal e promover melhores resultados clínicos.