Artículos

Publicado el 2 de octubre de 2025

Lesões anogenitais

ISTs: um panorama das lesões anogenitais em São Paulo

Estudo retrospectivo detalhou o perfil dos pacientes e as principais patologias encontradas, evidenciando a necessidade de estratégias de prevenção e controle mais eficazes.

Autor/a: Julia Aires Thomaz Maya, Kaique Arriel, Laura Stamato de Figueiredo e John Verrinder Veasey

Fuente: Anais Brasileiros de Dermatologia, V. 100, N. 4, 2025 Perfil epidemiológico das lesões anogenitais de 4.029 atendimentos realizados em Ambulatório de Infecções Sexualmente Transmissíveis da cidade de São Paulo

A alta prevalência das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) constituem um problema de saúde pública. O seu diagnóstico é de uma suma importância, uma vez que o seu atraso pode expor o paciente a terapêuticas inadequadas, agravando seu quadro clínico e perpetuando a transmissão das ISTs.

Com objetivo de realizar um novo levantamento populacional, Maya e colaboradores (2025) identificaram os diagnósticos anogenitais mais frequentes nos pacientes atendidos no ambulatório de IST de um hospital terciário da cidade de São Paulo. Para isso, eles realizaram um estudo retrospectivo analisando os atendimentos ocorridos no período de outubro de 2012 a agosto de 2024. Os dados de gênero, idade e diagnóstico primário foram obtidos por meio do sistema de prontuário eletrônico da instituição.

No total, neste período, foram realizadas 4.029 consultas médicas por queixas anogenitais, das quais 2.847 foram de pacientes do sexo masculino. A média de atendimentos por ano foi de 309,84 e a idade média dos pacientes foi de 42,77 anos.

Em ordem crescente, os principais diagnósticos clínicos foram de condiloma acuminado, sífilis, herpes simples, carcinoma espinocelular, líquen escleroso e atrófico, molusco contagioso, eczema e líquen plano (tabela 1).

Tabela 1: Distribuição dos atendimentos por diagnóstico. Outros diagnósticos com menos de um 1% representaram candidíase, tumor de BuschkeLowenstein, linfogranuloma venéreo, cancro mole, lúpia, vitiligo, cisto pilonidal, lesão cicatricial, comedão, neuroma, plicoma, ceratose seborreica, corpo estranho, varicocele, linfangioma, sarcoma de Kaposi, síndrome mãopéboca, nevo melanocítico, psoríase, hidradenite supurativa, escabiose, foliculite, farmacodermia, epidermodisplasia verruciforme, hemorroida, doença de Behçet, doença de Paget e doença de Crohn. Tabela retirada de Maya e colaboradores (2025).

Ao se analisar a distribuição ano a ano dos atendimentos no período do estudo, notase redução progressiva a partir de 2013, com marcado decréscimo de 2020 a 2024, provavelmente consequente à pandemia da COVID19.

É importante ressaltar que o número de pacientes atendidos com carcinoma espinocelular na região anogenital ocupou o quarto lugar. Esse diagnóstico está intrinsecamente relacionado com o potencial neoplásico do vírus HPV, responsável também pelo condiloma acuminado, e que demonstra maior agressividade em pacientes imunocomprometidos. Esses dados demonstraram que não só grande parte da população é portadora desse vírus potencialmente oncogênico, como ele está seguindo seu curso patogênico, possivelmente, em significante fração dessa população. Tal fato reforça a extrema importância de medidas públicas focadas na vacinação contra o HPV.

Em conclusão, os números encontrados por Maya e colaboradores (2025) representaram a realidade de diversos aspectos que envolvem as dermatoses anogenitais na cidade de São Paulo. Esses dados podem servir como indicadores para o desenvolvimento de políticas públicas, principalmente no que tange às ISTs.