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A doença de Ménière (DM) é uma condição idiopática do ouvido interno, que tem como principal achado patológico a hidropsia endolinfática membranosa. Clinicamente, é caracterizada por perda auditiva flutuante, vertigem debilitante e sensação de pressão ou zumbido no ouvido. Segundo os critérios da Academia Americana de Otorrinolaringologia, a DM “Definida” envolve pelo menos dois episódios de vertigem com mais de 20 minutos de duração, acompanhados de zumbido ou pressão no ouvido afetado e perda auditiva documentada.
Embora a DM afete tipicamente adultos de meia-idade, há um número crescente de estudos sobre sua ocorrência na população pediátrica, que, apesar de rara, parece ser mais comum do que se imaginava. O diagnóstico é especialmente desafiador em crianças pequenas, devido à dificuldade na coleta da história clínica, à apresentação atípica dos sintomas e à limitação na expressão de sinais como zumbido ou pressão no ouvido. Além disso, ainda há escassez de literatura sobre o seu manejo clínico na pediatria.
Diante disso, o estudo de Saniasiaya e Prepageran (2025) buscou explorar as estratégias de tratamento e os desfechos da DM em crianças, com o objetivo de ampliar a compreensão sobre a progressão da doença nessa faixa etária.
Foi realizada uma revisão sistemática conforme as diretrizes PRISMA, incluindo artigos publicados até outubro de 2024 nas bases PubMed, Google Scholar e Web of Science, com pacientes menores de 18 anos diagnosticados com DM que relataram intervenções terapêuticas e seus resultados clínicos. Os desfechos primários foram melhora ou resolução dos sintomas e dos achados audio-vestibulares, enquanto os secundários incluíram recorrência dos sintomas e complicações.
A revisão incluiu 12 estudos, majoritariamente conduzidos na Ásia, envolvendo 57 crianças com DM, com idade média de 9,9 anos e predominância feminina (60%). Os sintomas mais comuns foram vertigem (100%), perda auditiva, zumbido, náuseas, vômitos e sensação de pressão no ouvido. A avaliação audiológica foi feita principalmente por audiometria tonal, e os testes vestibulares mais utilizados foram o teste calórico e a avaliação de nistagmo. A ausência de critérios diagnósticos específicos em crianças e a sobreposição de sintomas com outras condições, como migrânea vestibular, dificultam o diagnóstico precoce.
Diversas abordagens terapêuticas foram descritas para a DM em crianças, mas ainda não há um tratamento padrão-ouro estabelecido. Os diuréticos foram os medicamentos mais utilizados, relatados em 50% dos estudos, com melhora da audição em alguns casos, embora sem definição clara da duração do efeito. Esteroides foram indicados em situações agudas, mas apenas um paciente recebeu essa combinação. A betahistina, amplamente usada em adultos, não foi prescrita em nenhum dos estudos pediátricos.
A administração intratimpânica de gentamicina foi associada à piora auditiva em um caso, destacando a necessidade de cautela em crianças. Intervenções cirúrgicas, como a descompressão do saco endolinfático, foram realizadas em poucos casos e não foram utilizadas nos últimos 20 anos, possivelmente devido ao diagnóstico mais precoce e ao manejo clínico eficaz.
A maioria dos estudos relatou melhora dos sintomas (91,7%), com melhora audiométrica em quatro estudos, recorrência em quatro e persistência dos sintomas em um. Devido à limitação dos dados, não foi possível estabelecer uma relação clara entre sintomas, exames, tipo de tratamento e evolução clínica. Por isso, recomenda-se o acompanhamento prolongado, considerando o risco de recorrência e progressão da doença.
Em resumo, ainda não foi possível definir o tratamento ideal nem os desfechos a longo prazo, sendo necessário um estudo multicêntrico randomizado de alta qualidade para esclarecer essas questões.
Published on October 1, 2025
Diagnóstico audiovestibular infantil
Abordagem clínica da Doença de Ménière em crianças
Revisão sistemática discutiu sobre os principais sintomas, tratamentos e evolução da doença de Ménière na população pediátrica.
Author: Saniasiaya, J. e Prepageran, N.
Fuente: International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology V.195 112449 (2025) Abordagem clínica da Doença de Ménière em crianças
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A doença de Ménière (DM) é uma condição idiopática do ouvido interno, que tem como principal achado patológico a hidropsia endolinfática membranosa. Clinicamente, é caracterizada por perda auditiva flutuante, vertigem debilitante e sensação de pressão ou zumbido no ouvido. Segundo os critérios da Academia Americana de Otorrinolaringologia, a DM “Definida” envolve pelo menos dois episódios de vertigem com mais de 20 minutos de duração, acompanhados de zumbido ou pressão no ouvido afetado e perda auditiva documentada.
Embora a DM afete tipicamente adultos de meia-idade, há um número crescente de estudos sobre sua ocorrência na população pediátrica, que, apesar de rara, parece ser mais comum do que se imaginava. O diagnóstico é especialmente desafiador em crianças pequenas, devido à dificuldade na coleta da história clínica, à apresentação atípica dos sintomas e à limitação na expressão de sinais como zumbido ou pressão no ouvido. Além disso, ainda há escassez de literatura sobre o seu manejo clínico na pediatria.
Diante disso, o estudo de Saniasiaya e Prepageran (2025) buscou explorar as estratégias de tratamento e os desfechos da DM em crianças, com o objetivo de ampliar a compreensão sobre a progressão da doença nessa faixa etária.
Foi realizada uma revisão sistemática conforme as diretrizes PRISMA, incluindo artigos publicados até outubro de 2024 nas bases PubMed, Google Scholar e Web of Science, com pacientes menores de 18 anos diagnosticados com DM que relataram intervenções terapêuticas e seus resultados clínicos. Os desfechos primários foram melhora ou resolução dos sintomas e dos achados audio-vestibulares, enquanto os secundários incluíram recorrência dos sintomas e complicações.
A revisão incluiu 12 estudos, majoritariamente conduzidos na Ásia, envolvendo 57 crianças com DM, com idade média de 9,9 anos e predominância feminina (60%). Os sintomas mais comuns foram vertigem (100%), perda auditiva, zumbido, náuseas, vômitos e sensação de pressão no ouvido. A avaliação audiológica foi feita principalmente por audiometria tonal, e os testes vestibulares mais utilizados foram o teste calórico e a avaliação de nistagmo. A ausência de critérios diagnósticos específicos em crianças e a sobreposição de sintomas com outras condições, como migrânea vestibular, dificultam o diagnóstico precoce.
Diversas abordagens terapêuticas foram descritas para a DM em crianças, mas ainda não há um tratamento padrão-ouro estabelecido. Os diuréticos foram os medicamentos mais utilizados, relatados em 50% dos estudos, com melhora da audição em alguns casos, embora sem definição clara da duração do efeito. Esteroides foram indicados em situações agudas, mas apenas um paciente recebeu essa combinação. A betahistina, amplamente usada em adultos, não foi prescrita em nenhum dos estudos pediátricos.
A administração intratimpânica de gentamicina foi associada à piora auditiva em um caso, destacando a necessidade de cautela em crianças. Intervenções cirúrgicas, como a descompressão do saco endolinfático, foram realizadas em poucos casos e não foram utilizadas nos últimos 20 anos, possivelmente devido ao diagnóstico mais precoce e ao manejo clínico eficaz.
A maioria dos estudos relatou melhora dos sintomas (91,7%), com melhora audiométrica em quatro estudos, recorrência em quatro e persistência dos sintomas em um. Devido à limitação dos dados, não foi possível estabelecer uma relação clara entre sintomas, exames, tipo de tratamento e evolução clínica. Por isso, recomenda-se o acompanhamento prolongado, considerando o risco de recorrência e progressão da doença.
Em resumo, ainda não foi possível definir o tratamento ideal nem os desfechos a longo prazo, sendo necessário um estudo multicêntrico randomizado de alta qualidade para esclarecer essas questões.