O novo Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado na última quinta-feira (27/3), alertou para o início da tendência de aumento da circulação dos vírus respiratórios nas próximas semanas. O InfoGripe já vem sinalizando em suas últimas edições para o crescimento de casos graves do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principalmente na região Centro-Oeste, com a incidência atingindo níveis altos ou muito altos. No atual cenário, a análise também observa esse crescimento em níveis de incidência moderada na região Sudeste, especialmente nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo. Também o estado do Acre já começa a dar sinais de aumento dos casos graves de VSR.
Além do crescimento do VSR, é provável que haja um aumento do vírus da influenza. É importante que todas as pessoas elegíveis busquem um posto de saúde para se vacinar, e com isso, preparar o sistema imunológico para enfrentar essa temporada de aumento do vírus da influenza que está por vir.
A análise observou que outro vírus que tem circulado muito no país - principalmente nas regiões Norte e Centro-Oeste - é o rinovírus, que tem afetado principalmente crianças e adolescentes de até 14 anos. No entanto, o rinovírus já mostra sinais de desaceleração em alguns estados do país.
| Estados e capitais |
O Boletim apontou que nove dos 27 estados apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento na tendência de longo prazo até a SE 12: Acre, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia e Roraima.
Outros estados das regiões Norte e Centro-Oeste, como Mato Grosso, Tocantins e Goiás, também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta ou risco, porém com sinal de estabilização ou oscilação na tendência de longo prazo. Contudo, Tocantins e Goiás ainda apresentam crescimento de SRAG na faixa etária de até dois anos.
O início ou a manutenção do crescimento de SRAG entre crianças de até dois anos, associado ao VSR, com níveis de incidência de moderado a muito alto em alguns estados do Centro-Oeste (Distrito Federal e Goiás), Sudeste (Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo) e no Acre.
O crescimento de SRAG nas crianças de 2 a 14 anos em muitos estados das regiões Norte (Amapá, Roraima e Rondônia), e Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul e Distrito Federal) é atribuído principalmente ao rinovírus. No entanto, em Rondônia e Distrito Federal, o aumento nessa faixa etária já apresenta sinais de desaceleração.
Roraima também registra crescimento de SRAG entre os idosos a partir de 65 anos, possivelmente associado à COVID-19. Sergipe continua sendo o único estado da região Nordeste com incidência em nível de alerta. Porém, a tendência de SRAG no estado segue em queda, principalmente entre crianças e adolescentes de dois a 14 anos e idosos a partir de 65 anos.
Ademais, nove das 27 capitais apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a semana 12: Belém (PA), Boa Vista (RR), Brasília (DF), Campo Grande (MS), Florianópolis (SC), Macapá (AP), Rio Branco (AC), São Luís (MA) e Teresina (PI).
| Situação nacional |
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 6,2% de influenza A, 1,5% de influenza B, 38,9% de vírus sincicial respiratório, 34,9% de rinovírus, e 20,8% de SARS-CoV-2 (COVID-19). Entre os óbitos, a prevalência foi de 8,5% de influenza A, 3% de influenza B, 3% de vírus sincicial respiratório, 11% de rinovírus, e 68,5% de SARS-CoV-2 (COVID-19).
Em nível nacional, o cenário atual sugere aumento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) e de curto prazo (últimas três semanas). No ano epidemiológico 2025, já foram notificados 24.635 casos de SRAG, sendo 9.336 (37,9%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 11.278 (45,8%) negativos, e ao menos 2.359 (9,6%) aguardando resultado laboratorial. Entre os casos positivos do ano corrente, observou-se 6% de influenza A, 2,1% de influenza B, 23,1% de vírus sincicial respiratório, 28,8% de rinovírus, e 36,5% de SARS-CoV-2 (COVID-19).