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Publicado el 10 de septiembre de 2026

Imunoterapia em pacientes idosos com melanoma: a idade influencia os desfechos clínicos?

Estudo multicêntrico com mais de 8 mil pacientes avaliou o impacto da idade e das comorbidades nos desfechos da imunoterapia em melanoma, demonstrando eficácia e segurança comparáveis entre indivíduos com menos de 75 anos e aqueles com 75 anos ou mais.

Introdução

Os inibidores de checkpoint imunológico (ICIs) transformaram o tratamento do melanoma, proporcionando benefícios duradouros de sobrevida tanto em pacientes com doença metastática quanto naqueles com doença de alto risco. À medida que a incidência do melanoma aumenta com a idade, um número crescente de idosos tem sido exposto à imunoterapia. No entanto, essa população permanece sub-representada nos ensaios clínicos, o que limita a compreensão do impacto da idade avançada sobre a eficácia e a segurança desses tratamentos.

Embora estudos observacionais e metanálises sugiram que os benefícios dos ICIs em idosos sejam comparáveis aos observados em indivíduos mais jovens, persistem preocupações relacionadas à toxicidade em razão da maior frequência de comorbidades, polifarmácia e alterações imunológicas associadas ao envelhecimento.

Diante das incertezas ainda existentes sobre o uso ideal da imunoterapia nessa população, Lallas e colaboradores (2026) realizaram um estudo de coorte retrospectivo multicêntrico com o objetivo de descrever os padrões de tratamento em pacientes idosos com melanoma e avaliar a influência da idade e das comorbidades nos desfechos da imunoterapia.

Métodos

A análise utilizou dados do registro prospectivo ADOREG, que reúne indivíduos com melanoma tratados em centros especializados da Alemanha entre 2013 e 2023. Foram incluídos 8.213 pacientes com melanoma cutâneo confirmado histologicamente e seguimento mínimo de seis meses. A mediana de idade foi de 64 anos, sendo 73,8% dos participantes com menos de 75 anos e 26,2% com 75 anos ou mais. A mediana do seguimento foi de 31 meses.

Nos pacientes com doença metastática, foram avaliadas a taxa de resposta objetiva (ORR), a taxa de controle da doença (DCR), os eventos adversos relacionados ao tratamento e os motivos para sua descontinuação. Entre aqueles tratados com ICIs, também foram analisadas a sobrevida livre de progressão (SLP) e a sobrevida específica por melanoma (MSS).

Os desfechos foram comparados entre pacientes com menos de 75 anos e aqueles com 75 anos ou mais, e o impacto das comorbidades foi avaliado por meio do Índice de Comorbidades de Charlson (CCI).

Resultados

Em comparação aos pacientes mais jovens, os indivíduos com 75 anos ou mais eram mais frequentemente do sexo masculino e apresentavam maior proporção de melanomas localizados em cabeça e pescoço, além de tumores mais espessos, ulcerados e do subtipo nodular.

Entre os pacientes com doença metastática, aqueles com 75 anos ou mais receberam cirurgia, radioterapia e tratamentos sistêmicos com menor frequência, além de um menor número de linhas terapêuticas. Apesar dessas diferenças nos padrões de tratamento, a proporção de pacientes tratados com ICIs foi semelhante entre as faixas etárias. Os mais idosos receberam mais frequentemente monoterapia anti-PD-1, enquanto os mais jovens foram tratados preferencialmente com combinações de ICIs.

Entre os pacientes tratados com ICIs, a taxa de resposta objetiva foi semelhante entre indivíduos com menos de 75 anos e aqueles com 75 anos ou mais (28,2% vs. 30,4%), assim como a taxa de controle da doença (43,9% vs. 48,8%). A sobrevida livre de progressão e a sobrevida específica por melanoma também não diferiram entre os grupos, e os resultados permaneceram consistentes nas linhas subsequentes de tratamento.

Em relação à segurança, indivíduos mais jovens apresentaram maior incidência de eventos adversos imunomediados de qualquer grau, embora a frequência de toxicidades graves tenha sido semelhante entre os grupos. Pacientes com 75 anos ou mais interromperam o tratamento com maior frequência por solicitação própria ou por condições clínicas associadas. Além disso, a carga de comorbidades avaliada pelo CCI não influenciou significativamente a eficácia ou a segurança da imunoterapia.

Conclusão

O estudo de Lallas e colaboradores (2026) sugeriu que a idade cronológica, isoladamente, não deve ser considerada uma barreira para o uso de imunoterapia em pacientes com melanoma. Apesar de receberem tratamentos menos intensivos com maior frequência, indivíduos com 75 anos ou mais apresentaram eficácia e segurança da imunoterapia semelhantes às observadas em indivíduos mais jovens. Os achados reforçaram a importância de uma avaliação individualizada, considerando não apenas a idade, mas também as comorbidades e o estado funcional de cada paciente.