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/ Publicado el 1 de mayo de 2025

Cirurgia renal

Impressão 3D revoluciona a cirurgia de carcinoma renal

Ensaio clínico demonstrou que o planejamento com impressão 3D resultou em menos complicações e menor tempo de internação em UTI, abrindo caminho para cirurgias mais seguras e eficazes.

Autor/a: Rivero Belenchón I, Congregado Ruíz CB, Gómez Ciriza G, Gómez Dos Santos V, Burgos Revilla FJ, Medina López RA.

Fuente: Journal of Urology, V. 213, N. 5, pg 568–580, 2025. DOI: https://doi.org/10.1097/JU.0000000000004425 Impact of 3D-Printed Models for Surgical Planning in Renal Cell Carcinoma With Venous Tumor Thrombus: A Randomized Multicenter Clinical Trial.

Pontos importantes

·       Inovação: Modelos 3D revolucionam o planejamento cirúrgico do carcinoma de células renais (CCR) com extensão de trombo venoso (ETV).

·       Benefícios: Estudo clínico demonstrou redução significativa de complicações cirúrgicas e menor tempo de internação na UTI com o uso de impressão 3D.

·       Economia: Apesar do investimento inicial, a impressão 3D pode gerar economia para o sistema de saúde, diminuindo custos com complicações e internações.

·       Satisfação: Pacientes e urologistas relataram alta satisfação com o uso de modelos 3D para entendimento da patologia e planejamento cirúrgico.


Introdução

O carcinoma de células renais (CCR) representa de 3% a 5% de todos os cânceres e está entre os tumores mais letais. Possui um tropismo único, infiltrando o sistema venoso e potencialmente alcançando o átrio direito através da veia renal. Esta apresentação avançada, conhecida como CCR com extensão de trombo venoso (ETV), ocorre em 4% a 10% de todos os CCRs e acarreta um prognóstico ruim, com uma sobrevida câncer-específica (SCE) de 1 ano sem tratamento de 41% a 49%.

A remoção cirúrgica, envolvendo nefrectomia e trombectomia, pode ser curativa, embora seja complexa, com uma taxa de mortalidade de 1,5% a 10% no primeiro mês e uma taxa de complicação de 15% a 78%. No entanto, os seus resultados mostram uma SCE de 5 anos de 40% a 68%, tornando a cirurgia válida.

Devido à sua complexidade e baixa prevalência, o CCR com ETV requer uma abordagem multidisciplinar e deve ser tratado em centros especializados. Tudo isso torna o planejamento cirúrgico essencial nesta patologia. Tradicionalmente, tem-se baseado em imagens de tomografia computadorizada ou ressonância magnética, mas os avanços recentes permitiram reconstruções 3D da anatomia do paciente, que podem ser impressas para planejamento cirúrgico detalhado.

Figura 1:  Processo de impressão 3D. Imagem retirada de Belenchón e colaboradores (2025).

A impressão 3D fornece um modelo tangível para estudar as relações anatômicas, simulação cirúrgica e testes de próteses ou enxertos. Consequentemente, melhorias nos resultados cirúrgicos foram relatadas em tempo cirúrgico, complicações cirúrgicas, internação hospitalar, reintervenções e custo.

Dados os benefícios observados e a evidência limitada em CCR com ETV, Belenchón e colaboradores (2025) realizaram um ensaio clínico para avaliar a eficácia de modelos impressos em 3D na melhoria dos resultados cirúrgicos.

Métodos

O ensaio clínico multicêntrico incluiu 66 pacientes diagnosticados com carcinoma de células renais e extensão de trombo venoso que foram submetidos à nefrectomia com trombectomia. Os pacientes foram randomizados 1:1 para planejamento cirúrgico com imagens convencionais (grupo controle) e planejamento cirúrgico com modelos impressos em 3D (experimental). Os resultados cirúrgicos de cada grupo foram comparados em complicações, tempo cirúrgico e tempo de internação hospitalar.

Resultados

Foram incluídos 66 pacientes com idade média de 63 anos. O tempo cirúrgico médio e o tempo médio de internação hospitalar foram semelhantes entre os grupos, embora houvesse mais pacientes sem internação na UTI no grupo 3D do que no grupo de imagem. Ademais, houve mais pacientes sem nenhuma complicação no grupo 3D e, entre aqueles com complicações, elas foram mais graves no grupo de imagem.

Entre as complicações menores no grupo 3D, foram encontrados íleo paralítico, febre, trombose venosa profunda e perda de sangue, enquanto a grave foi choque séptico. No grupo de imagem, as complicações menores semelhantes foram semelhantes, mas entre as graves, os pesquisadores observaram hematoma pós-cirúrgico, derrame pleural maciço, eventração, choque hemorrágico e choque séptico. Além disso, no grupo de imagem, 5 pacientes faleceram: 2 por choque hemorrágico, 1 por embolia pulmonar, 1 por trombose renal aguda do rim remanescente e 1 após uma evolução lenta no hospital com diferentes complicações.

O custo médio do planejamento no braço 3D foi de €363, enquanto no de imagem foi de €119. No entanto, o custo do procedimento, incluindo complicações e internação hospitalar, no no grupo experimental foi de €7816 e €11.446 no controle. Isso significa que com um custo adicional de €245 para construir o 3D, pode-se economizar até €3630 para o sistema de saúde, o que significa uma economia absoluta de €3385.

Por fim, tanto os pacientes quanto os urologistas preencheram um questionário sobre o nível de satisfação. Os primeiros acharam os modelos 3D particularmente úteis para entender a patologia e a cirurgia. Os segundos acharam os modelos importantes para o planejamento cirúrgico (88%), compreensão da anatomia (100%), ganho de confiança na cirurgia (88%), redução do tempo cirúrgico e complicações (75%), comunicação com o paciente (88%), comunicação com outros especialistas (100%) e aprendizado de alunos e residentes (100%).

Conclusão

Os resultados demonstraram que os modelos impressos em 3D ajudaram a obter melhores resultados cirúrgicos do que o planejamento convencional com imagens radiológicas em menos complicações totais e menor tempo de permanência na UTI. No entanto, mais estudos são necessários para determinar o impacto dos modelos impressos em 3D entre os diferentes níveis de trombo tumoral.


Imagem da capa retirada de Belenchón e colaboradores (2025).