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Publicado el 17 de noviembre de 2024

Nutrição e saúde

Importância da microbiota Intestinal no comportamento alimentar

Os estudos discutidos oferecem insights valiosos sobre o uso de probióticos em patologias que afetam o equilíbrio energético e alimentar, abrindo novas perspectivas para intervenções baseadas na modulação da microbiota

Autor/a: Fetissov SO.

Fuente: 2023; 11(3):749. https://doi.org/10.3390/microorganisms11030749 Gut Microbiota–Brain Axis in Regulation of Feeding Behavior

Diversos estudos confirmaram o potencial da microbiota intestinal na regulação do comportamento alimentar do hospedeiro, sendo um fator determinante em condições patológicas como a síndrome metabólica, a obesidade e transtornos alimentares, como a anorexia nervosa. Além disso, novas abordagens terapêuticas que utilizam probióticos e auto probióticos têm ganhado destaque por sua capacidade de modular a microbiota e restaurar o equilíbrio metabólico e inflamatório em diferentes contextos clínicos. Nesse cenário, é essencial explorar o impacto da microbiota intestinal sobre o comportamento alimentar e seu potencial terapêutico. Os estudos discutidos a seguir oferecem insights valiosos sobre o uso de probióticos em patologias que afetam o equilíbrio energético e alimentar, abrindo novas perspectivas para intervenções baseadas na modulação da microbiota.

Uma nova abordagem terapêutica que utiliza as bactérias intestinais autóctones como auto probióticos tem ganhado atenção devido à sua vantagem de maior tolerabilidade em nível individual. Assim, no estudo de Ermolenko e colaboradores (2022), os autores utilizaram auto probióticos em pacientes com síndrome metabólica e observaram uma redução no índice de massa corporal (IMC). O tratamento, entretanto, não modificou o comportamento alimentar, sugerindo que os mecanismos moleculares subjacentes à melhora do índice eram independentes da regulação do apetite. Isso pode estar relacionado ao aumento de algumas cepas de Lactobacillus, que já foi demonstrado melhorar levemente a obesidade, mas não a hiperfagia.

Uma das principais indicações para o uso de auto probióticos é a recuperação da disbiose intestinal induzida por tratamento com antibióticos. Ao investigarem ratos nessas condições, Gromova e colaboradores (2021) observaram uma redução na ingestão alimentar após o tratamento com o medicamento, o que é uma resposta típica. Após a sua descontinuação, tanto os ratos que receberam como os que não receberam auto probióticos à base de Bifidobacterium aumentaram sua ingestão alimentar. No entanto, os com a intervenção melhoraram os sintomas dispépticos sem influenciar o comportamento alimentar.

A pesquisa sobre a seleção de probióticos para o tratamento da síndrome metabólica e obesidade deve levar em consideração as diferenças sexuais. De fato, Myles e colaboradores (2020) revelaram que a administração ao longo da vida de Lactobacillus helveticus R0052 e Bifidobacterium longum R0175 em ratos alimentados com uma dieta rica em gorduras atenuou os efeitos prejudiciais da síndrome metabólica e reduziu a ingestão calórica em ratos machos, mas não em fêmeas.

Como visto nos artigos acima, modulação da microbiota intestinal na obesidade continua sendo um desafio. Por isso, Breton e colaboradores (2020) discutiram esse problema, destacando a necessidade de uma melhor compreensão da ligação molecular entre a microbiota intestinal e o cérebro, bem como o desenvolvimento de probióticos de nova geração para o tratamento de diabetes e obesidade, como Akkermansia muciniphila e Hafnia alvei, sendo este último capaz de aumentar a sensação de saciedade em humanos com sobrepeso.

A suplementação de cepas específicas de Lactobacillus pode ser útil não apenas para o tratamento de sobrepeso e obesidade, mas também em situações metabólicas inversas, como a anorexia induzida por quimioterapia. Nesse sentido, Marsova e colaboradores (2020) utilizaram a cepa Lactobacillus brevis em camundongos tratados com o quimioterápico 5-fluorouracil. Embora os autores não tenham relatado o comportamento alimentar, observaram uma atenuação da inflamação intestinal, sugerindo que essa cepa também pode reduzir a anorexia induzida por inflamação.

Por fim, Thangaleela e colaboradores (2022) discutiram a primeira experiência racional do uso de probióticos na doença de Parkinson (DP). Embora o comportamento alimentar alterado na doença possa ser um sintoma independente do problema motor central, os pacientes que são tratados com L-DOPA, que também pode influenciar o sistema dopaminérgico regulador do comportamento alimentar.

Em conclusão, os artigos ressaltam novos dados e confirmam o papel da microbiota intestinal na manutenção da homeostase corporal, incluindo o equilíbrio energético. Dessa forma, condições patológicas acompanhadas por comportamentos alimentares alterados e desequilíbrios energéticos impactam a composição da microbiota intestinal, cuja restauração e modificação representam alvos terapêuticos válidos.