As estrias gravídicas (EG), comuns entre a 24ª e a 27ª semana de gestação, são alterações dermatológicas que, embora não afetem a saúde física da mãe ou do bebê, persistem após o parto e frequentemente exigem tratamentos caros, dolorosos e pouco eficazes. Além de representarem uma preocupação estética, as EG podem impactar negativamente a qualidade de vida e estão frequentemente associadas à redução da autoestima.
Diante desse contexto, o estudo de Calheiro e colaboradores (2025) avaliou 840 gestantes do Sul do Brasil com o objetivo de investigar a associação entre estrias gravídicas e sintomas de depressão e ansiedade no terceiro trimestre da gestação.
A primeira avaliação foi realizada por meio de entrevistas domiciliares com gestantes de até 24 semanas. Sessenta dias depois, ocorreu a segunda etapa, na qual as EG foram autodeclaradas e confirmadas pelos entrevistadores. As participantes relataram a presença ou aumento de EG no abdome, coxas e mamas, sendo consideradas quatro variáveis: presença geral, e localização específica em cada região.
Para avaliar sintomas psicológicos, foram utilizados os inventários Beck de Depressão (BDI-II) e Ansiedade (BAI) na versão em português. Os pontos de corte foram ≥13 para sintomas depressivos e ≥11 para sintomas de ansiedade. Além disso, foram considerados fatores como nível socioeconômico, escolaridade, idade, obesidade, insegurança alimentar e histórico de depressão.
Os resultados mostraram que gestantes com estrias apresentaram maior prevalência de sintomas depressivos (29,3%), ansiosos (37,8%) e de ambos juntos (23,0%) em comparação com aquelas sem EG. A análise ajustada revelou que a presença de EG aumentou em 60% a chance de sintomas depressivos e em 90% a chance dos sintomas combinados de ansiedade e depressão (SCAD). Estrias nas mamas e coxas foram especialmente associadas a maiores riscos de transtornos de humor.
Em resumo, o estudo reforçou que, apesar de serem consideradas alterações estéticas, as EG podem estar associadas a sofrimento psíquico significativo durante a gestação. Por isso, a abordagem multidisciplinar no pré-natal deve incluir atenção à saúde mental, especialmente em casos de alterações dermatológicas visíveis.
Publicado el 25 de agosto de 2025
Saúde mental na gestação
Impacto emocional das estrias na gravidez
Estudo brasileiro revelou associação entre estrias gravídicas e sintomas de depressão e ansiedade em gestantes.
Autor/a: Calheiros, T. P. et al.
Fuente: Arquivos Brasileiros de Dermatologia, v. 100, n. 3, p. 573–576 (2025). Impacto negativo das estrias gravídicas na saúde mental materna
As estrias gravídicas (EG), comuns entre a 24ª e a 27ª semana de gestação, são alterações dermatológicas que, embora não afetem a saúde física da mãe ou do bebê, persistem após o parto e frequentemente exigem tratamentos caros, dolorosos e pouco eficazes. Além de representarem uma preocupação estética, as EG podem impactar negativamente a qualidade de vida e estão frequentemente associadas à redução da autoestima.
Diante desse contexto, o estudo de Calheiro e colaboradores (2025) avaliou 840 gestantes do Sul do Brasil com o objetivo de investigar a associação entre estrias gravídicas e sintomas de depressão e ansiedade no terceiro trimestre da gestação.
A primeira avaliação foi realizada por meio de entrevistas domiciliares com gestantes de até 24 semanas. Sessenta dias depois, ocorreu a segunda etapa, na qual as EG foram autodeclaradas e confirmadas pelos entrevistadores. As participantes relataram a presença ou aumento de EG no abdome, coxas e mamas, sendo consideradas quatro variáveis: presença geral, e localização específica em cada região.
Para avaliar sintomas psicológicos, foram utilizados os inventários Beck de Depressão (BDI-II) e Ansiedade (BAI) na versão em português. Os pontos de corte foram ≥13 para sintomas depressivos e ≥11 para sintomas de ansiedade. Além disso, foram considerados fatores como nível socioeconômico, escolaridade, idade, obesidade, insegurança alimentar e histórico de depressão.
Os resultados mostraram que gestantes com estrias apresentaram maior prevalência de sintomas depressivos (29,3%), ansiosos (37,8%) e de ambos juntos (23,0%) em comparação com aquelas sem EG. A análise ajustada revelou que a presença de EG aumentou em 60% a chance de sintomas depressivos e em 90% a chance dos sintomas combinados de ansiedade e depressão (SCAD). Estrias nas mamas e coxas foram especialmente associadas a maiores riscos de transtornos de humor.
Em resumo, o estudo reforçou que, apesar de serem consideradas alterações estéticas, as EG podem estar associadas a sofrimento psíquico significativo durante a gestação. Por isso, a abordagem multidisciplinar no pré-natal deve incluir atenção à saúde mental, especialmente em casos de alterações dermatológicas visíveis.