As mudanças climáticas são consideradas uma das maiores ameaças à saúde global do século XXI. Fatores como aumento das temperaturas, poluição do ar e eventos climáticos extremos, podem comprometer a barreira cutânea, modificar o microbioma e induzir inflamação, aumentando a prevalência e a gravidade de doenças dermatológicas, como a dermatite atópica (DA).
Embora a maioria dos dermatologistas reconheça essa associação, o tema ainda é pouco discutido durante as consultas, e há escassez de estudos que investiguem a percepção e as experiências dos pacientes em relação a esses impactos.
Para preencher essa lacuna, Mattson e colaboradores (2026) entrevistaram pacientes com DA para avaliar como eles percebem a influência das mudanças climáticas em sua condição e se essas preocupações são abordadas no atendimento dermatológico.
O estudo utilizou um questionário desenvolvido por especialistas e aplicado a pacientes atendidos em clínicas de dermatologia da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) entre 2023 e 2024.
Dos 2.164 pacientes inicialmente identificados, 326 participaram da pesquisa e 207 concluíram o questionário. As respostas foram analisadas por meio de estatísticas descritivas, permitindo caracterizar tendências e experiências relatadas pelos participantes.
Entre os respondentes, 80,2% relataram que fatores ambientais e climáticos influenciam sua dermatite atópica, especialmente o calor extremo (75,8%) e a má qualidade do ar (39,1%).
Os impactos mais frequentemente mencionados foram maior necessidade de medicamentos (81,2%), aumento das crises da doença (80,7%), maior extensão das lesões cutâneas (67,1%) e mudanças nos hábitos diários (62,8%). Apesar de 86,5% dos participantes demonstrarem interesse em compreender melhor os efeitos das mudanças climáticas sobre a DA, apenas 36,7% relataram que esse tema foi abordado por seus dermatologistas.
As estratégias consideradas mais úteis pelos pacientes incluíram maior acesso a informações sobre o tema (79,2%), tempo específico durante as consultas para discutir exposições ambientais (50,7%) e mais consultas presenciais (48,8%).
Em resumo, o estudo mostrou que a maioria dos pacientes com DA percebe as mudanças climáticas como um fator agravante da doença e gostaria de receber mais orientações sobre o tema, embora esse assunto ainda seja pouco abordado no atendimento dermatológico. Os autores destacaram a necessidade de desenvolver estratégias e ferramentas que facilitem essa discussão na prática clínica, promovendo um cuidado mais individualizado e alinhado às necessidades dos pacientes.
Publicado el 11 de agosto de 2026
Saúde ambiental
Impacto das mudanças climáticas na dermatite atópica
Calor extremo e poluição do ar foram os fatores ambientais mais frequentemente associados ao agravamento dos sintomas.
Autor/a: Mattson, G. et al.
Fuente: JMIR Dermatol 2026;9:e80679 Patient Perceptions of Climate Change Impacts on Atopic Dermatitis: Cross-Sectional Survey Study
As mudanças climáticas são consideradas uma das maiores ameaças à saúde global do século XXI. Fatores como aumento das temperaturas, poluição do ar e eventos climáticos extremos, podem comprometer a barreira cutânea, modificar o microbioma e induzir inflamação, aumentando a prevalência e a gravidade de doenças dermatológicas, como a dermatite atópica (DA).
Embora a maioria dos dermatologistas reconheça essa associação, o tema ainda é pouco discutido durante as consultas, e há escassez de estudos que investiguem a percepção e as experiências dos pacientes em relação a esses impactos.
Para preencher essa lacuna, Mattson e colaboradores (2026) entrevistaram pacientes com DA para avaliar como eles percebem a influência das mudanças climáticas em sua condição e se essas preocupações são abordadas no atendimento dermatológico.
O estudo utilizou um questionário desenvolvido por especialistas e aplicado a pacientes atendidos em clínicas de dermatologia da Universidade da Califórnia em São Francisco (UCSF) entre 2023 e 2024.
Dos 2.164 pacientes inicialmente identificados, 326 participaram da pesquisa e 207 concluíram o questionário. As respostas foram analisadas por meio de estatísticas descritivas, permitindo caracterizar tendências e experiências relatadas pelos participantes.
Entre os respondentes, 80,2% relataram que fatores ambientais e climáticos influenciam sua dermatite atópica, especialmente o calor extremo (75,8%) e a má qualidade do ar (39,1%).
Os impactos mais frequentemente mencionados foram maior necessidade de medicamentos (81,2%), aumento das crises da doença (80,7%), maior extensão das lesões cutâneas (67,1%) e mudanças nos hábitos diários (62,8%). Apesar de 86,5% dos participantes demonstrarem interesse em compreender melhor os efeitos das mudanças climáticas sobre a DA, apenas 36,7% relataram que esse tema foi abordado por seus dermatologistas.
As estratégias consideradas mais úteis pelos pacientes incluíram maior acesso a informações sobre o tema (79,2%), tempo específico durante as consultas para discutir exposições ambientais (50,7%) e mais consultas presenciais (48,8%).
Em resumo, o estudo mostrou que a maioria dos pacientes com DA percebe as mudanças climáticas como um fator agravante da doença e gostaria de receber mais orientações sobre o tema, embora esse assunto ainda seja pouco abordado no atendimento dermatológico. Os autores destacaram a necessidade de desenvolver estratégias e ferramentas que facilitem essa discussão na prática clínica, promovendo um cuidado mais individualizado e alinhado às necessidades dos pacientes.