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Publicado el 27 de septiembre de 2026

Impacto da transição menopausal na composição corporal e na saúde metabólica

Estudo retrospectivo com 325 mulheres revelou que a transição menopausal está associada ao aumento da adiposidade central e à redução progressiva de massa magra, alterações que podem elevar o risco cardiometabólico e comprometer a saúde muscular.

Autor/a: Szeliga, A. et al.

Fuente: J. Clin. Med. 2026, 15(2), 740; The Impact of the Menopausal Transition on Body Composition and Abdominal Fat Redistribution

A transição menopausal está associada a mudanças importantes na composição corporal, impulsionadas principalmente pela redução dos níveis de estrogênio. Essas alterações incluem aumento da gordura corporal, especialmente da gordura visceral abdominal, e redução da massa magra, fatores relacionados ao maior risco cardiometabólico observado após a menopausa.

Embora estudos anteriores tenham demonstrado essa tendência, ainda existem lacunas sobre como essas mudanças se manifestam em mulheres com diferentes perfis de índice de massa corporal (IMC), particularmente naquelas com sobrepeso ou obesidade. Nesse contexto, Szeliga e colaboradores (2026) avaliaram mulheres em diferentes fases do climatério para investigar como esse período influencia a composição corporal e a saúde metabólica.

O estudo retrospectivo incluiu 325 mulheres avaliadas entre janeiro e abril de 2022 no Departamento de Endocrinologia Ginecológica, Ginecologia e Obstetrícia da Universidade de Ciências Médicas de Poznań, na Polônia. As participantes foram classificadas, com base em critérios clínicos e hormonais, em três grupos: pré-menopausa (n=217), perimenopausa (n=58) e pós-menopausa (n=50), sendo posteriormente estratificadas de acordo com o IMC em peso normal, sobrepeso e obesidade.

A composição corporal foi avaliada por bioimpedância elétrica, com avaliação de parâmetros como gordura corporal total, massa magra e distribuição dos tecidos corporais. Também foram investigados marcadores hormonais e metabólicos, incluindo glicose, insulina e perfil lipídico.

Em comparação ao grupo pré-menopausa, mulheres na peri e pós-menopausa apresentaram diferenças significativas nos níveis de FSH, LH, estradiol (E2), DHEA-S e testosterona. Por outro lado, não foram observadas diferenças significativas no perfil lipídico, nos níveis de glicose, insulina ou hormônios tireoidianos quando os grupos foram analisados de forma global.

Entre as mulheres com peso normal, a pós-menopausa foi associada à redução da massa magra, massa muscular esquelética, água corporal total, proteínas e minerais quando comparada às fases pré e perimenopausal. Além disso, essas mulheres apresentaram maior percentual de gordura corporal, maior relação cintura-quadril e maior área de gordura visceral. Os resultados mostraram ainda que as participantes na perimenopausa apresentaram maior massa de gordura corporal em comparação ao grupo pré-menopausa.

Nas mulheres com sobrepeso, a pós-menopausa foi associada a maior relação cintura-quadril e maior área de gordura visceral em comparação ao grupo pré-menopausa. Entre aquelas com obesidade, as mulheres na pós-menopausa apresentaram menor massa de gordura corporal do que as participantes na pré-menopausa.

Em relação aos parâmetros metabólicos, mulheres com peso normal na perimenopausa apresentaram níveis mais elevados de glicemia de jejum em comparação às mulheres na pré-menopausa. Entre as participantes com sobrepeso, a pós-menopausa foi associada a maiores níveis de glicose de jejum e colesterol total. No grupo com obesidade, as mulheres na pós-menopausa apresentaram níveis mais elevados de glicemia, colesterol total e insulina quando comparadas às participantes na perimenopausa.

Em síntese, os resultados sugeriram que a transição menopausal está associada a uma redistribuição da gordura corporal, caracterizada pelo aumento da adiposidade central, além da redução progressiva da massa magra. Essas alterações foram mais pronunciadas em determinados perfis de IMC e podem contribuir para maior risco cardiometabólico e comprometimento da saúde muscular. Os autores destacaram que a avaliação rotineira da composição corporal pode favorecer a identificação precoce de mulheres em maior risco, reforçando a importância de estratégias preventivas, como exercícios físicos regulares e adequada ingestão de proteínas, para preservar a saúde metabólica e funcional durante o envelhecimento feminino.