A osteoporose é estimada para afetar 200 milhões de pessoas em todo o mundoe representa um importante problema de saúde pública. Há evidências abundantes do efeito negativo do baixo índice de massa corporal (IMC) em diferentes parâmetros de saúde óssea, incluindo densidade mineral óssea (DMO), risco de fratura e de osteoporose. No entanto, as evidências sobre o efeito do IMC nos adolescentes na saúde óssea na vida adulta são insuficientes, e os estudos existentes carecem de dados sobre condições comórbidas com um efeito potencial na saúde óssea. Por isso, Simchoni e colaboradores (2025) realizaram um estudo com o objetivo de examinar a associação entre o IMC na adolescência e o risco de osteoporose na idade adulta.
Para isso, os pesquisadores desenvolveram um estudo de coorte retrospectivo, de base populacional, conduzido de 1967 a 2019. Os participantes foram adolescentes nascidos em Israel, com idades entre 16 e 19 anos, que foram avaliados para o serviço militar. Os dados foram analisados de janeiro de 2023 a março de 2025.
Na adolescência, o peso e altura foram medidos para calcular o IMC, e dados sociodemográficos e médicos adicionais foram coletados. O estado de saúde na linha de base e a incidência de câncer e diabetes ao longo da vida adulta foram acompanhados.
Os principais resultados foram o diagnóstico de osteoporose até 2022, registrado no Maccabi Healthcare Services (o segundo maior sistema de saúde israelense). Modelos de riscos proporcionais de Cox foram aplicados. A medição do IMC adulto estava disponível para 74% da população do estudo e foi utilizada para avaliar a associação entre a trajetória de peso da adolescência à idade adulta e a incidência de osteoporose.
Entre 1.083.491 adolescentes, 21.497 mulheres e 6.929 homens foram inscritos no registro de osteoporose. Para ambos os sexos, as proporções de baixo nível socioeconômico residencial e educação completa geralmente aumentaram com as categorias de IMC mais elevadas.
Houve uma associação inversa consistente entre o IMC na adolescência e o risco de osteoporose na idade adulta. Ou seja, quanto menor o IMC na adolescência, maior o risco de osteoporose mais tarde na vida, e vice-versa.
Em relação as mulheres, as razões de risco (HR) ajustadas para osteoporose variaram de 1,88 para aquelas com peso extremamente baixo para 0,83 e 0,86 para as com sobrepeso e com obesidade, respectivamente. Para os homens, um padrão semelhante foi observado na faixa de baixo IMC, com as HRs variando de 1,82 para aqueles com peso extremamente baixo para 1,04 e 1,14 para os com sobrepeso e obesidade, respectivamente.
Ademais, Simchoni e colaboradores (2025) descobriram que o IMC em uma idade jovem e sua trajetória para a idade adulta foram significativamente associados ao risco de osteoporose na vida adulta. Esse risco foi mais alto em indivíduos que permaneceram com baixo peso na adolescência para a idade adulta.
Tanto homens quanto mulheres com baixo peso na idade adulta tiveram maior risco de osteoporose, independentemente do status do IMC na adolescência. O ganho de peso entre as duas medições (adolescência e idade adulta) foi associado a razões de risco reduzidas para a incidência da doença. A perda de peso, por outro lado, foi associada a riscos aumentados.
Em conclusão, o estudo destacou a importância do peso saudável na adolescência para a prevenção da osteoporose e de outras doenças mais tarde na vida. O baixo peso, mesmo que corrigido na idade adulta, ainda confere um risco quase duplo para a doença óssea.