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/ Publicado el 3 de julio de 2025

Conferência da Sociedade Americana de Nutrição

Highlights do congresso NUTRITION 2025

Descubra os principais tópicos discutidos na conferência

Autor/a: American Society for Nutrition (ASN)

Fuente: NUTRITION 2025

NUTRITION 2025 é a principal conferência da Sociedade Americana de Nutrição e é indispensável aos profissionais de nutrição em todo o mundo. Ele tem como objetivo identificar soluções para os maiores desafios nutricionais da atualidade. O evento foi realizado de 31 de maio a 3 de junho em Orlando. Abaixo, a IntraMed selecionou alguns dos temas mais comentados dessa última edição.

Prioridades nutricionais para apoiar a terapia pepetídeo semelhante ao glucagon-1 (GLP-1) para obesidade

Um conjunto de parecer clínico intitulado “Nutritional Priorities to Support GLP-1 Therapy for Obesity” foi publicado por quatro organizações líderes em medicina do estilo de vida, obesidade e nutrição — o American College of Lifestyle Medicine (ACLM), a American Society for Nutrition (ASN), a Obesity Medicine Association (OMA) e a The Obesity Society (TOS). Esta orientação baseada reflete uma colaboração interdisciplinar para ajudar os médicos a apoiar pacientes que recebem GLP-1 com estratégias nutricionais e comportamentais baseadas em evidências.

As terapias com GLP-1, incluindo agentes únicos e combinados, surgiram como ferramentas poderosas no tratamento da obesidade, demonstrando reduções médias de peso de 5 a 18% em ensaios clínicos, juntamente com melhorias nos resultados metabólicos, funcionais e cardiovasculares. No entanto, para sustentar estes benefícios ao longo do tempo e maximizar os resultados para os pacientes, é necessário um tratamento abrangente que integre a intervenção no estilo de vida — particularmente a terapia nutricional — no plano de tratamento.

Os GLP-1 representam um avanço importante no tratamento da obesidade. Mas estes medicamentos podem apresentar desafios, incluindo efeitos colaterais gastrointestinais, risco de deficiências de micronutrientes, perda de massa muscular e óssea, má adesão a longo prazo com subsequente recuperação de peso e altos custos; e, por si só, não são suficientes. A terapia nutricional e o apoio ao estilo de vida são componentes essenciais para enfrentar esses desafios e ajudar os pacientes a maximizarem e manterem os ganhos de saúde ao longo do tempo.

O parecer descreveu oito prioridades nutricionais principais para apoiar pacientes em uso de medicamentos GLP-1, enfatizando a importância de:

·       início da terapia centrado no paciente

·       avaliação nutricional basal cuidadosa

·       gestão de efeitos colaterais gastrointestinais

·       dietas personalizadas, densas em nutrientes e minimamente processadas

·       prevenção de deficiências de micronutrientes

·       ingestão adequada de proteínas e treinamento de força para preservar a massa magra

·       aproveitamento de uma boa dieta para maximizar a redução de peso

·       promoção de outras mudanças no estilo de vida em torno da atividade, sono, estresse mental, uso de substâncias e conexões sociais para maximizar o sucesso a longo prazo.

Evidências recentes apoiaram este modelo integrativo. Estudos que avaliaram intervenções farmacológicas e de estilo de vida combinadas demonstraram que pacientes recebendo terapia com GLP-1 e orientação nutricional estruturada alcançaram maior perda de peso, melhor adesão e maior probabilidade de sustentar o emagrecimento após a descontinuação da medicação, em comparação com aqueles que receberam apenas farmacoterapia.

Apesar dos benefícios conhecidos, a maioria dos indivíduos que recebem prescrição de GLP-1 não recebe aconselhamento nutricional ou suporte comportamental adequados. O parecer buscou preencher essa lacuna com orientação prática e interdisciplinar para implementação na prática clínica.

Embora certas considerações — como a tolerância gastrointestinal e o equilíbrio de micronutrientes — sejam importantes para os médicos abordarem, o parecer enfatizou que uma abordagem proativa baseada no estilo de vida pode mitigar os riscos e otimizar os resultados. Com a prevalência da obesidade continuando a aumentar em todo o mundo, a integração da terapia nutricional no tratamento com base em GLP-1 oferece uma estratégia escalável para estender o valor clínico e econômico dessas terapias.

Feito para a longevidade: Beber café ligado ao envelhecimento saudável em mulheres

Resultados de um novo estudo com quase 50.000 mulheres acompanhadas por 30 anos sugeriram que uma xícara de café pela manhã pode fazer mais do que aumentar a energia; também pode ajudar as mulheres a se manterem atentas, fortes e mentalmente bem à medida que envelhecem.

A análise descobriu que mulheres que bebiam café com cafeína na meia-idade tinham maior probabilidade de apresentar um envelhecimento saudável. No entanto, os pesquisadores não encontraram nenhuma ligação com chá ou café descafeinado, enquanto beber mais refrigerante de cola estava ligado a uma chance significativamente menor de envelhecimento saudável.

O estudo apresentou diversos pontos favoráveis, como uma grande amostra e mais de 30 anos de acompanhamento. Além disso, os pesquisadores avaliaram diversos aspectos de longevidade e envelhecimento saudável, bem como informações sobre hábitos nutricionais e de estilo de vida que foram coletadas a cada quatro anos após o início do estudo.

O estudo incluiu 47.513 mulheres do Nurses’ Health Study com dados dietéticos e de saúde coletados desde 1984. Os pesquisadores avaliaram a ingestão de cafeína usando questionários de frequência alimentar validados que incluíram o consumo de principais contribuintes de cafeína, como café, chá, refrigerante de cola e café descafeinado. O envelhecimento saudável foi definido como viver até os 70 anos ou mais, estar livre de 11 principais doenças crônicas, manter a função física, ter boa saúde mental, não apresentar comprometimento cognitivo e não apresentar queixas de memória.

Após 30 anos de acompanhamento, os investigadores estimaram como a probabilidade de envelhecimento saudável mudou para cada 80 mg de cafeína consumidas por dia. Eles também examinaram bebidas específicas como café, chá, café descafeinado (por xícara de 240 mL) e refrigerante de cola (por copo de 350 mL). Essas análises preliminares levaram em conta outros fatores que podem influenciar o envelhecimento saudável, como peso corporal, tabagismo, uso de álcool, atividade física, nível de educação e proteína na dieta.

Em 2016, 3.706 das mulheres no estudo atenderam a todos os requisitos para serem consideradas envelhecedoras saudáveis. Na meia-idade, entre 45 e 60 anos, essas mulheres normalmente consumiam uma média de 315 mg de cafeína por dia — aproximadamente a quantidade em três xícaras pequenas de café ou uma xícara e meia grande pelos padrões atuais. Mais de 80% dessa cafeína veio do consumo regular de café.

Para as mulheres no grupo de envelhecedoras saudáveis, cada xícara extra de café por dia estava ligada a uma chance de 2% a 5% maior de um envelhecimento saudável, até cinco xícaras pequenas por dia, ou cerca de 2,5 xícaras de acordo com as medidas atuais.

Os pesquisadores não encontraram nenhuma associação significativa entre beber café descafeinado ou chá com uma maior probabilidade de envelhecimento saudável. Entretanto, cada copo pequeno adicional de refrigerante - outra fonte importante de cafeína - foi associado a uma probabilidade 20% a 26% menor de envelhecimento saudável, reforçando que nem todas as fontes de cafeína conferiram benefícios.

Uma xícara diária de feijão melhora a saúde cardíaca e metabólica

Um novo estudo sugeriu que comer regularmente uma xícara de feijão por dia pode oferecer benefícios mensuráveis para a saúde do coração e metabólica. Incorporar esse alimento na dieta pode ser uma maneira simples e econômica de reduzir o risco de doenças crônicas.

O estudo de 12 semanas com 72 pessoas com pré-diabetes mostrou uma associação entre o consumo de grão de bico e a melhora dos níveis de colesterol, enquanto o consumo de feijão preto foi associado à redução da inflamação.

Indivíduos com pré-diabetes frequentemente exibem metabolismo lipídico prejudicado e inflamação crônica de baixo grau, ambos os quais podem contribuir para o desenvolvimento de condições como doenças cardíacas e diabetes tipo 2. O estudo descobriu que o consumo de feijão ajudou a diminuir significativamente o colesterol e reduzir a inflamação em pessoas com pré-diabetes, embora os níveis de glicose não tenham sido alterados.

Feijões pretos e grãos de bico são comumente consumidos, mas frequentemente negligenciados em estudos detalhados sobre seu impacto no colesterol e na inflamação entre aqueles em risco de doenças cardíacas ou diabetes. O novo estudo faz parte de um projeto que explora como comer feijões pretos e grãos de bico afeta a inflamação e a resposta à insulina através da atividade da microbiota intestinal.

Para aumentar a relevância do estudo para a vida cotidiana, os pesquisadores conduziram o estudo com participantes em condições de vida livre. Eles foram aleatoriamente designados para comer 1 xícara de feijão preto, grão de bico ou arroz (controle) por 12 semanas. Amostras de sangue foram coletadas no início do estudo e após 6 e 12 semanas para rastrear o colesterol, a inflamação e o açúcar no sangue, e testes de tolerância à glicose.

Para o grupo que consumiu grão de bico, o colesterol total diminuiu significativamente de uma média de 200,4 miligramas por decilitro no início do estudo para 185,8 miligramas por decilitro após 12 semanas. Para aqueles que comeram feijão preto, o nível médio de citocina pró-inflamatória interleucina-6 - um marcador de inflamação - foi de 2,57 picogramas por mililitro no início do estudo e diminuiu significativamente para 1,88 picogramas por mililitro após 12 semanas. Nenhuma mudança significativa foi observada nos marcadores do metabolismo da glicose.

Consumir mais fitoesteróis pode diminuir o risco de doenças cardíacas e diabetes

Doenças cardíacas e diabetes tipo 2 estão entre as principais causas de morte e incapacidade nos Estados Unidos, e consumir uma dieta saudável rica em alimentos de origem vegetal pode ajudar a prevenir ou retardar ambas as condições. Uma nova pesquisa sugeriu que um componente específico de alimentos de origem vegetal, conhecido como fitoesterol, pode ser fundamental para diminuir o risco.

De acordo com o estudo, pessoas que consumiram mais fitoesterol – um composto estruturalmente semelhante ao colesterol encontrado em alguns alimentos vegetais – tiveram um risco significativamente menor de doenças cardíacas e diabetes tipo 2. Essa maior ingestão também foi associada a marcadores de melhor regulação da insulina e redução da inflamação, bem como a diferenças da microbiota intestinal, que podem contribuir para um metabolismo saudável.

As descobertas apoiaram a recomendação dietética de aderir a padrões alimentares saudáveis à base de plantas que são ricos em vegetais, frutas, nozes e grãos integrais. Essas descobertas podem ajudar as pessoas a fazer escolhas alimentares informadas.

Embora pesquisas anteriores tenham demonstrado que os fitoesteróis podem ajudar a melhorar a saúde, diminuindo o colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL) ou colesterol "ruim", a maioria dos ensaios usou altas doses desses compostos, além do que se obteria apenas através da dieta. O novo estudo está entre os primeiros a mostrar os benefícios dos fitoesteróis como parte de uma dieta normal.

Wang e colaboradores (2025) reuniram dados de três estudos que envolveram coletivamente mais de 200.000 adultos nos EUA. Todos os participantes eram enfermeiros ou outros profissionais de saúde, e quase 80% eram mulheres. Durante um período de acompanhamento de até 36 anos, mais de 20.000 participantes do estudo desenvolveram diabetes tipo 2 e quase 16.000 desenvolveram doenças cardíacas.

Com base em questionários de frequência alimentar, os pesquisadores estimaram a ingestão de cada participante de fitoesteróis totais e três fitoesteróis individuais: β-sitosterol, campesterol e estigmasterol. Os participantes no quintil superior para ingestão de fitoesterol consumiram cerca de 4-5 porções de vegetais, 2-3 porções de frutas, duas porções de grãos integrais e meia porção de nozes por dia.

Comparado com aqueles no quintil inferior para ingestão de fitoesterol, aqueles no quintil superior tiveram 9% menos probabilidade de desenvolver doenças cardíacas e 8% menos probabilidade de desenvolver diabetes tipo 2. Associações semelhantes foram observadas para β-sitosterol, mas não para campesterol ou estigmasterol.

Os pesquisadores também analisaram os metabólitos (produtos do metabolismo) presentes em amostras de sangue de mais de 11.000 participantes do estudo e outros biomarcadores metabólicos em mais de 40.000 pessoas. Eles descobriram que o fitoesterol total e o β-sitosterol foram associados a metabólitos favoráveis e marcadores metabólicos relevantes para doenças cardíacas e diabetes, apontando para um possível mecanismo por trás da associação.

Os resultados clínicos de biomarcadores e metabolômicos sugeriram o envolvimento da atividade da insulina, inflamação e a metabólitos associados ao diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Sendo assim, o fitoesterol pode reduzir o risco, aliviando a resistência à insulina e a inflamação.

Os pesquisadores também examinaram a composição da microbiota intestinal e enzimas associadas em um subconjunto de 465 participantes do estudo. Eles identificaram vários microrganismos e enzimas associadas a uma maior ingestão de fitoesterol que podem influenciar a produção de metabólitos associados a um menor risco de doenças. Algumas espécies, como Faecalibacterium prausnitzii, carregam enzimas que podem ajudar a degradar o fitoesterol, potencialmente influenciando o metabolismo do hospedeiro.

Os pesquisadores observaram que o estudo foi observacional e não foi projetado para confirmar definitivamente a causalidade, mas acrescentaram que a combinação de resultados de dados epidemiológicos, biomarcadores e dados do microbioma fortalece a evidência.

Não tão saboroso: Partículas de plástico encontradas em alimentos podem prejudicar o corpo

Resultados de um novo estudo sugeriram que partículas microscópicas de plástico encontradas em alimentos e bebidas podem afetar o metabolismo da glicose e prejudicar órgãos como o fígado. As descobertas levantaram preocupações sobre potenciais riscos à saúde em pessoas e apontaram para a necessidade de mais pesquisas.

À medida que o plástico se decompõe, ele forma micro (<5 mm) e nanopartículas (<100 nm), que podem entrar na cadeia alimentar e parar em frutos do mar e outros alimentos que as pessoas comem. Estudos estimaram que uma pessoa ingira cerca de 40.000 a 50.000 partículas de microplástico por ano através de alimentos e bebidas.

Com a crescente preocupação em torno da exposição a micro e nanoplásticos, os autores avaliaram o impacto dessa exposição na saúde de animais. As observações de que a ingestão oral de nanoplásticos de poliestireno contribuiu para a intolerância à glicose e sinais de lesão hepática, confirmaram e ampliaram o que foi relatado recentemente sobre os efeitos de nanoplásticos em modelos animais.

Para o estudo, os pesquisadores se concentraram na exposição via consumo oral para simular nanopartículas encontradas em alimentos e bebidas. Eles deram a camundongos machos de 12 semanas de idade uma dieta padrão para roedores com uma dose oral diária de nanopartículas de poliestireno. Esse é um plástico amplamente utilizado, comumente encontrado em embalagens e produtos alimentícios. Os pesquisadores escolheram uma dose diária de nanopartículas de 60 mg por quilograma de peso corporal, com base nos níveis de exposição humana e em estudos anteriores com camundongos que mostraram efeitos na saúde em quantidades semelhantes.

Comparado ao grupo de controle, os camundongos que consumiram nanoplásticos exibiram intolerância sistêmica à glicose e alanina aminotransferase elevada, o que indica lesão hepática. Além disso, foi observado um aumento na permeabilidade intestinal e níveis elevados de endotoxina, o que contribui para a disfunção hepática.

Cientistas propõem uma nova abordagem para classificar alimentos processados

Nos últimos anos, tem havido um crescente escrutínio e debate em torno dos alimentos processados, mas os investigadores têm lutado para identificar quais aspetos do processamento são mais relevantes para a saúde. Por isso, cientistas desenvolveram um sistema para classificar os alimentos processados com base em informações sobre os impactos na saúde associados a ingredientes específicos.

A nova abordagem foi desenvolvida pela WISEcode, criadora de um aplicativo que fornece aos consumidores informações sobre os ingredientes alimentares encontrados em produtos embalados.

A abordagem foi mais objetiva do que os sistemas de classificação anteriores, alcançada através do fornecimento de uma estrutura mais específica e acionável para avaliar os alimentos processados. Para os consumidores, pode fornecer um método claro para avaliar os alimentos processados e selecionar opções mais saudáveis, mesmo dentro de categorias de alimentos altamente processados. Para os fabricantes, isto permite uma fácil comparação dos seus produtos com os seus concorrentes, com base nos ingredientes utilizados e no potencial impacto na saúde desses ingredientes.

O sistema de classificação mais comum utilizado na investigação nutricional é conhecido como Nova, que foi desenvolvido em 2009 e agrupa os alimentos em quatro categorias, desde não processados ou minimamente processados até ultraprocessados. Esses últimos foram associados a um risco aumentado de obesidade, doenças cardíacas e outras doenças crônicas, mas os investigadores afirmaram que a ampla definição de "ultraprocessado" — que, por exemplo, coloca uma barra de chocolate na mesma categoria que cereais — dificulta a avaliação dos impactos na saúde de produtos alimentares específicos.

Embora o Nova tenha desempenhado um papel importante na conscientização sobre o processamento de alimentos, sua abordagem "tamanho único" não parece refletir a complexidade das formulações modernas de alimentos ou a diversidade de seus impactos na saúde. Os pesquisadores acreditam que certamente existe um grupo de alimentos processados que podem ter um impacto negativo na saúde a longo prazo, enquanto outros que poderiam contribuir para uma dieta saudável.

Para fornecer uma forma mais granular de diferenciar entre os produtos alimentícios, os pesquisadores da WISEcode desenvolveram um sistema de pontuação com três componentes principais: uma avaliação dos ingredientes ponderada com base na compreensão científica atual dos riscos à saúde associados, a porcentagem de calorias provenientes de açúcares adicionados e considerações para ingredientes com conhecidas preocupações com a saúde.

Black e colaboradores (2025) aplicaram este sistema a um banco de dados de mais de 650.000 alimentos e mais de 5.500 ingredientes alimentares e compararam os resultados com os mesmos alimentos classificados de acordo com o sistema Nova. Os resultados mostram que o sistema WISEcode proporcionou muito mais diferenciação entre os alimentos classificados como ultraprocessados sob o Nova, embora menos diferenciação entre os alimentos menos processados.

Com base nas pontuações WISEcode, o processamento de alimentos é classificado como mínimo, leve, moderado, ultra ou super-ultra.

Os aurores enfatizaram que a abordagem representa o progresso contínuo, em vez de uma conclusão final, em consonância com o compromisso da WISEcode com a credibilidade científica e a transparência. O sistema foi projetado para evoluir com o conhecimento científico. À medida que os pesquisadores descobrirem mais sobre ingredientes e métodos de processamento específicos, a plataforma será continuamente atualizada para garantir que os consumidores sempre tenham acesso às informações mais atuais e baseadas em evidências.

Além de ser útil para consumidores, o WISEcode pode ser uma poderosa ferramenta de pesquisa, tornando possível estudar a ocorrência de ingredientes individuais e combinações de ingredientes de novas maneiras, a fim de determinar quais estão ligados ao risco à saúde e quais não.

Combatendo o mieloma com fibras: dieta baseada em plantas oferece esperança

Resultados de um novo ensaio clínico sugeriram que uma dieta rica em fibras e baseada em plantas poderia beneficiar pacientes com risco de desenvolver mieloma múltiplo. O estudo mostrou que a dieta não foi apenas viável e bem recebida, mas também melhorou diversos fatores que poderiam potencialmente retardar a progressão de condições pré-cancerosas. Os resultados destacaram a importância da melhoria da qualidade da dieta em estados iniciais da doença e forneceram orientação para futuros ensaios clínicos.

O mieloma múltiplo é frequentemente precedido por condições iniciais não cancerosas envolvendo células plasmáticas anormais, um tipo de glóbulo branco encontrado na medula óssea. Foi demonstrado que ter um alto peso corporal, uma dieta de má qualidade e disbiose aumentam o risco de desenvolver essas condições e progredir para o câncer.

A pesquisa atual em pacientes com risco de mieloma tende a se concentrar na identificação de fatores genômicos e imunológicos de progressão e opções de terapia para pessoas com as condições precursoras. Por isso, esse estudo somou o campo mostrando o poder da nutrição no cenário preventivo e demonstrou o potencial de dar aos pacientes uma sensação de controle em seu diagnóstico.

O estudo piloto, que fez parte dos NUTRIVENTION Trials, incluiu 20 pacientes com risco de desenvolver mieloma múltiplo devido a condições precursoras e um índice de massa corporal elevado. Os pacientes receberam 12 semanas de refeições ricas em fibras e baseadas em plantas, 24 semanas de aconselhamento nutricional individualizado e foram acompanhados por 52 semanas. Eles foram incentivados a comer até a saciedade, desde que consumissem alimentos integrais à base de plantas, como frutas, legumes, nozes, sementes, grãos integrais e leguminosas. Também foram solicitados a evitar grãos refinados, produtos de origem animal, adição de açúcar e alimentos altamente processados.

Os pesquisadores descobriram que a dieta rica em fibras e baseada em plantas era viável e bem recebida, levando à adesão e à perda de peso. Antes do início do estudo, apenas 20% do total de calorias eram provenientes de alimentos ricos em fibras e à base de plantas, enquanto no final, esse número saltou para 91%. Em 12 semanas, o IMC médio dos participantes havia caído 7% e essa perda de peso foi mantida em 1 ano. Além disso, dois pacientes experimentaram uma desaceleração da progressão da doença, enquanto a progressão permaneceu estável nos demais.

Os investigadores também observaram melhorias significativas na qualidade da dieta e de vida, marcadores metabólicos, como resistência à insulina e perfis lipídicos, inflamação e diversidade e composição da microbiota intestinal. Essas melhorias ainda eram observáveis ​​no final da intervenção de 12 semanas e mantidas durante o acompanhamento de 52 semanas.

Nunca é tarde para começar a comer melhor para o seu cérebro

À medida que a população envelhece e os casos de demência aumentam, muitas pessoas estão se perguntando se é possível prevenir esta doença devastadora. De acordo com um novo estudo, a resposta pode estar no seu prato: pessoas que seguiram um padrão alimentar conhecido como dieta MIND tiveram uma probabilidade significativamente menor de desenvolver a doença de Alzheimer ou formas relacionadas de demência.

A dieta MIND, que significa Intervenção Mediterrânea-DASH para Atraso Neurodegenerativo, combina a dieta mediterrânea com a dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension) para baixar a pressão arterial e também enfatiza alimentos comprovadamente saudáveis para o cérebro, como vegetais de folhas verdes, frutas vermelhas, nozes e azeite de oliva.

De acordo com o estudo, a dieta MIND teve uma relação de redução de risco mais forte e consistente com a demência do que outros padrões alimentares saudáveis, embora a relação tenha variado entre cinco grupos raciais. Aqueles que melhoraram sua adesão à dieta ao longo do tempo apresentaram o maior padrão de redução de risco. Essa relação benéfica foi observada de forma semelhante entre grupos mais jovens e mais velhos, sugerindo que existem benefícios em adotar a dieta em qualquer idade.

Park e colaboradores (2025) analisaram dados de quase 93.000 adultos dos EUA que forneceram informações sobre sua dieta como parte de uma coorte de pesquisa conhecida como Estudo Multiétnico de Coorte, a partir da década de 1990. Os participantes tinham entre 45 e 75 anos no início do estudo e mais de 21.000 desenvolveram a doença ou demências relacionadas nos anos seguintes.

No geral, os participantes que obtiveram pontuações mais altas de adesão à dieta MIND no início do estudo tiveram um risco 9% menor de demência, com uma redução ainda maior — em torno de 13% — entre aqueles que se identificaram como afro-americanos, latinos ou brancos. No entanto, esses resultados não foram significativos nos nativos do Havaí ou asiático-americanos.

Os resultados também mostraram que pessoas que melhoraram sua adesão à dieta MIND ao longo de 10 anos (incluindo aqueles que não seguiram a dieta de perto no início) tiveram um risco 25% menor de demência em comparação com aqueles cuja adesão diminuiu. Essa tendência foi consistente em diferentes idades e grupos raciais.

Pesquisadores disseram que diferenças nos padrões e preferências alimentares entre grupos raciais e étnicos podem desempenhar um papel na variação que observaram na relação entre demência e dieta. Como os asiático-americanos também apresentam taxas mais baixas de demência do que outros grupos, é possível que a dieta MIND não reflita as vantagens de padrões alimentares que são mais comuns entre essa população. Por isso, estudos adicionais podem ajudar a esclarecer esses padrões e acrescentou que estudos de intervenção seriam necessários para verificar causa e efeito, uma vez que o estudo foi baseado em dados observacionais.

Qualidade da dieta de crianças ligada aos hábitos alimentares do pai na adolescência

Embora as mães tradicionalmente recebam a maior parte da atenção quando se trata dos hábitos alimentares das crianças, um novo estudo destacou a importância dos pais na formação da relação de uma criança com a comida. De acordo com o mesmo, crianças pequenas eram mais propensas a consumir a quantidade recomendada de frutas e vegetais se seus pais tivessem uma dieta mais saudável durante a adolescência.

O estudo foi baseado em dados de 669 homens que responderam a questionários sobre seus hábitos alimentares durante a adolescência e, anos depois, forneceram informações sobre suas atitudes e comportamentos em relação à dieta de seus filhos.

O estudo descobriu que pais que se alimentavam de forma mais saudável na adolescência eram mais propensos a incentivar hábitos alimentares positivos em seus filhos.

Os participantes do estudo faziam parte de uma coorte chamada Fathers & Family, um subestudo do Growing Up Today Study, que recrutou filhos de enfermeiras nas décadas de 1990 e 2000. Todos os participantes haviam preenchido pelo menos dois questionários sobre dieta durante a adolescência e tinham filhos entre 1 e 6 anos em 2021-2022, quando concordaram em participar de um estudo de acompanhamento específico para pais.

Durante a adolescência, cerca de 44% dos participantes foram classificados como tendo má qualidade alimentar, 40% tiveram qualidade alimentar em declínio e 16% tiveram qualidade alimentar em melhora. No estudo de acompanhamento, os pesquisadores coletaram dados sobre os fatores sociodemográficos dos participantes, a dieta de seus filhos, sua própria dieta e sua abordagem para monitorar e gerenciar o acesso de seus filhos a alimentos não saudáveis.

De acordo com os resultados, homens cuja qualidade da dieta havia melhorado durante a adolescência tinham 90% mais probabilidade de modelar uma alimentação saudável quando se tornavam pais e 60% mais probabilidade de monitorar a alimentação saudável em seus filhos, em comparação com pais que tinham uma dieta ruim. Além disso, os filhos de pais cuja qualidade da dieta havia melhorado durante a adolescência eram significativamente mais propensos a atender às recomendações alimentares para o consumo de frutas e vegetais em comparação com filhos cujos pais tinham qualidade da dieta ruim ou em declínio na adolescência.

Sendo assim, as descobertas ressaltaram a importância de incentivar uma alimentação saudável em todos os grupos demográficos, incluindo jovens que podem um dia se tornar pais.

Hábitos alimentares saudáveis formados durante a adolescência não beneficiaram apenas os indivíduos, mas também moldaram futuros comportamentos parentais, contribuindo para uma melhor nutrição para a próxima geração."Isto é especialmente significativo dadas as crescentes preocupações em torno da obesidade infantil e dos maus hábitos alimentares. Investir na nutrição dos adolescentes pode ter benefícios duradouros e intergeracionais.

Os pesquisadores observaram que a população do estudo era desproporcionalmente branca e com boa escolaridade, com mais de 90% se identificando como branca e mais de 80% com pelo menos um diploma de bacharel, o que pode limitar a aplicabilidade das descobertas em outros grupos demográficos. Além disso, o estudo avaliou o papel de fazer refeições familiares regulares durante a adolescência e descobriu que isso não contribuiu para padrões alimentares mais saudáveis mais tarde na vida.

Obesidade contribuiu para a ansiedade e o comprometimento cognitivo

Com as taxas de obesidade e ansiedade em ascensão—especialmente entre os americanos mais jovens—uma nova pesquisa sugeriu que as duas condições podem estar conectadas através de interações entre o intestino e o cérebro. O estudo, conduzido em ratos, relacionou a obesidade induzida pela dieta com sintomas semelhantes aos da ansiedade, alterações na sinalização cerebral e diferenças nos microrganismos intestinais que podem contribuir para o comprometimento do funcionamento cerebral.

Vários estudos apontaram para uma ligação entre obesidade e ansiedade, embora ainda não esteja claro se a obesidade causa diretamente a ansiedade ou se a associação é influenciada por pressões sociais. Com isso, esse novo estudo soma sugerindo que a obesidade pode levar a comportamentos semelhantes à ansiedade, possivelmente devido a mudanças tanto na função cerebral quanto na saúde intestinal.

Embora esteja bem estabelecido que a obesidade pode levar a condições como diabetes tipo 2 e doenças cardíacas, os potenciais impactos na saúde mental são menos claros. Para investigar as conexões entre obesidade, função cognitiva e ansiedade, os pesquisadores projetaram uma série de experimentos usando um modelo de rato que desenvolve muitos dos mesmos problemas relacionados à obesidade observados em humanos.

O estudo incluiu 32 ratos machos. De 6 a 21 semanas de idade—um período equivalente à adolescência até o início da idade adulta em humanos—metade deles foi alimentada com uma dieta com baixo teor de gordura e a outra metade com uma com alto teor de gordura. Ao final desse período, os ratos com uma dieta rica em gordura pesavam significativamente mais e tinham significativamente mais gordura corporal.

Nos testes comportamentais, os pesquisadores descobriram que os ratos obesos exibiram mais comportamentos semelhantes à ansiedade. Esses também mostraram diferentes padrões de sinalização no hipotálamo, uma região do cérebro envolvida na regulação do metabolismo, o que poderia contribuir para comprometimentos cognitivos.

Além disso, os pesquisadores observaram diferenças distintas na composição das bactérias intestinais em ratos obesos em comparação com ratos magros. Essas descobertas foram alinhadas com um crescente corpo de evidências que apontam para o papel da microbiota intestinal na regulação do comportamento.

Essas descobertas podem ter implicações importantes para a saúde pública e para as decisões pessoais. O estudo destacou o impacto potencial da obesidade na saúde mental, particularmente em termos de ansiedade. Ao entender as conexões entre dieta, saúde cerebral e microbiota intestinal, esta pesquisa pode ajudar a orientar iniciativas de saúde pública que se concentrem na prevenção da obesidade e na intervenção precoce, principalmente em crianças e adolescentes.

Níveis mais altos de ácido linoleico associados a menor risco de doenças cardíacas e diabetes

Novas pesquisas que utilizaram marcadores sanguíneos para medir os níveis de ácido linoleico e sua relação com o risco cardiometabólico adicionaram evidências de que este ácido graxo ômega-6 pode ajudar a diminuir os riscos de doenças cardíacas e diabetes tipo 2. Os achados desafiaram as alegações de que os óleos de sementes são prejudiciais à saúde cardiometabólica.

O ácido linoleico, encontrado em óleos vegetais – especialmente óleos de sementes como óleo de soja e milho – e alimentos vegetais, é o principal ácido graxo ômega-6 consumido na dieta.

O estudo, baseado em quase 1.900 pessoas, descobriu que níveis mais altos de ácido linoleico no plasma sanguíneo estavam associados a níveis mais baixos de biomarcadores de risco cardiometabólico, incluindo aqueles relacionados à inflamação. Os resultados foram consistentes com aqueles de estudos observacionais que mostraram que uma maior ingestão de ácido linoleico foi associada a menores riscos de diabetes tipo 2 e eventos cardiovasculares, como ataques cardíacos e derrames.

Para o estudo, os investigadores realizaram uma análise transversal de dados de 1.894 pessoas numa coorte observacional focada na COVID-19. Eles descobriram que níveis mais altos de ácido linoleico no plasma - indicativos da ingestão dietética - estavam consistentemente associados a níveis mais baixos de fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.

Especificamente, os participantes do estudo com maior ácido linoleico apresentaram níveis mais baixos de glicose e insulina, bem como HOMA-IR, um biomarcador de resistência à insulina. Eles também apresentaram níveis mais baixos de biomarcadores de inflamação, incluindo proteína C-reativa, glicoproteínas acetiladas e amiloide sérico A.

Entretanto, são necessários mais estudos para testar se o aumento da ingestão de ácido linoleico melhora os fatores de risco cardiometabólicos e diminui a incidência de ataques cardíacos, derrames e diabetes tipo 2.

Para a saúde do coração, a qualidade dos alimentos importa mais do que cortar carboidratos ou gordura

Um novo estudo que acompanhou quase 200.000 pessoas por várias décadas descobriu que, quando se trata de saúde do coração, a qualidade dos alimentos consumidos é tão importante quanto seguir uma dieta com baixo teor de carboidratos ou gordura. Os resultados sugeriram que escolher alimentos saudáveis e de alta qualidade é fundamental para proteger o coração.

Nas últimas duas décadas, dietas com baixo teor de carboidratos e de gordura têm sido promovidas por seus potenciais benefícios à saúde, como controle de peso e melhora nos níveis de açúcar no sangue e colesterol. No entanto, o impacto dessas dietas na redução do risco de doenças cardíacas permaneceu um debate contínuo.

Os autores descobriram que, independentemente da quantidade de carboidratos ou gordura, o que realmente importa é a própria dieta. Versões saudáveis dos padrões alimentares – aqueles ricos em alimentos à base de plantas e grãos integrais – foram associadas a melhores resultados de saúde cardíaca e melhora da função metabólica.

O estudo incluiu 43.430 homens no Health Professionals Follow-Up Study (1986-2016), 64.164 mulheres no Nurses' Health Study (1986-2018) e 92.189 mulheres no Nurses' Health Study II (1991-2019). Os pesquisadores acompanharam os quase 200.000 participantes do estudo por várias décadas, rastreando seus hábitos alimentares e se eles desenvolveram doenças cardíacas.

Com base em informações de questionários detalhados preenchidos pelos participantes do estudo, os pesquisadores atribuíram pontuações indicando o quão saudáveis ou não saudáveis eram suas escolhas alimentares.

Os pesquisadores classificaram carboidratos, gorduras e proteínas de alimentos como grãos integrais, frutas, vegetais, nozes e legumes como nutrientes de alta qualidade, ou saudáveis, enquanto carboidratos de batatas e grãos refinados, bem como gorduras saturadas e proteínas de alimentos de origem animal, foram categorizados como de baixa qualidade, ou não saudáveis.

Para mais de 10.000 participantes do estudo, os pesquisadores também mediram centenas de metabólitos sanguíneos para avaliar como a qualidade da dieta influenciava sua regulação metabólica.

A análise mostrou que os participantes do estudo que seguiram uma dieta saudável com baixo teor de carboidratos ou de gordura apresentaram um menor risco de desenvolver doença arterial coronariana, enquanto aqueles em versões não saudáveis viram um risco aumentado. Esses padrões alimentares saudáveis diminuíram o risco de desenvolver doenças cardíacas em cerca de 15%.

Sendo assim, melhorar a qualidade dos alimentos foi crucial para a saúde do coração, independentemente da escolha de uma dieta com baixo teor de carboidratos ou gordura. Logo, enfatizar alimentos integrais, minimamente processados e à base de plantas, e limitar grãos refinados, açúcar e alimentos de origem animal, pode reduzir significativamente o risco de doença arterial coronariana.

Para aqueles que procuram melhorar sua dieta, os pesquisadores sugeriram focar em grãos integrais, frutas, vegetais, nozes e legumes, enquanto devem diminuir o consumo de carnes processadas, carboidratos refinados e alimentos açucarados. Eles observam que também é importante verificar os rótulos dos alimentos e estar atento aos ingredientes adicionados de baixa qualidade, como açúcares adicionados em sucos e lanches processados.