| Introdução |
Os transtornos pré-menstruais englobam condições como a síndrome pré-menstrual (TPM) e o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM). A TPM é caracterizada por sintomas físicos e emocionais que surgem durante a fase lútea e desaparecem com o início da menstruação, incluindo irritabilidade, inchaço, alterações de humor, letargia, sensibilidade mamária, ansiedade e sentimentos de rejeição. O TDPM, classificado como um transtorno depressivo pela Associação Psiquiátrica Americana, manifesta-se com sintomas cíclicos mais graves e por vezes incapacitantes, como labilidade de humor, irritabilidade, disforia e ansiedade, que ocorrem na fase lútea e se aliviam com a menstruação.
Esses distúrbios, que interferem significativamente no funcionamento diário, levam muitas pacientes a buscarem atendimento ginecológico. Dentro deste contexto, esta diretriz visa fornecer atualizações baseadas em evidências para o manejo desses transtornos em adultos e adolescentes.
| Recomendações clínicas de manejo |
Após identificar o momento, o tipo e a gravidade dos sintomas pré-menstruais, os clínicos e pacientes podem discutir diferentes abordagens de tratamento. As opções variam desde intervenções comportamentais e modificações no estilo de vida até tratamentos médicos, como o uso de inibidores seletivos da recaptação da serotonina, gestão médica hormonal, entre outros.
> Inibidores seletivos da recaptação da serotonina
As diretrizes desta recomendação destacam fortemente a eficácia e a segurança dos inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs) no tratamento dos distúrbios pré-menstruais, respaldadas por evidências de diversos ensaios clínicos randomizados (ECRs). Especialistas recomendam os ISRSs como a opção farmacológica de primeira linha para o manejo dos sintomas afetivos pré-menstruais. Embora a maioria dos estudos com ISRSs tenha se concentrado em participantes que atendem aos critérios diagnósticos para o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), essas medicações também demonstram eficácia em pacientes com síndrome pré-menstrual (TPM) moderada a grave. Atualmente, três ISRSs — sertralina, paroxetina e fluoxetina — são aprovados pela Food and Drug Administration (FDA) dos EUA para o tratamento do TDPM.
> Contraceptivos orais combinados
Acredita-se que os anticoncepcionais orais combinados (ACOs) tratem distúrbios pré-menstruais suprimindo a ovulação e estabilizando as flutuações nos níveis de estrogênio e progesterona, que são considerados desencadeadores dos sintomas. Evidências de ensaios clínicos randomizados (ECRs) de baixa qualidade sugerem que os ACOs estão associados à redução da gravidade geral dos sintomas pré-menstruais e ao comprometimento funcional. No entanto, os ACOs podem não ser eficazes para os sintomas de humor, especialmente os sintomas depressivos pré-menstruais.
Embora sejam necessários estudos de maior qualidade para confirmar a eficácia dos ACOs no tratamento desses sintomas, eles permanecem uma opção de tratamento razoável para a maioria das pacientes com sintomas pré-menstruais gerais, uma vez que os benefícios potenciais (como a melhora dos sintomas gerais e a contracepção) provavelmente superam os riscos. No entanto, para pacientes cuja principal preocupação é a depressão pré-menstrual, recomenda-se uma tomada de decisão compartilhada, que inclua a discussão de outras opções de tratamento comprovadamente eficazes para o controle da depressão pré-menstrual, as quais podem ser usadas como adjuvantes ou alternativas aos ACOs.
> Terapia Cognitivo Comportamental
O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) recomenda a terapia cognitivo-comportamental (TCC) para o tratamento dos sintomas afetivos pré-menstruais. A TCC auxilia na reestruturação de padrões de pensamento negativos e irracionais, frequentemente incorporando técnicas de relaxamento, habilidades de resolução de problemas e gerenciamento de estresse. É a intervenção psicossocial mais estudada para o manejo dos sintomas pré-menstruais e é amplamente reconhecida como uma opção de tratamento recomendada em diretrizes de especialistas para o gerenciamento de distúrbios pré-menstruais.
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Considerações Finais Nesta diretriz, o ACOG também realizou recomendações condicionais, onde o equilíbrio entre benefícios e riscos varia conforme as características individuais do paciente, seus valores e preferências, e com base em evidências de baixa qualidade. Entre essas recomendações estão a prática de exercícios físicos, suplementação de cálcio, acupuntura, estratégias educacionais e de autoajuda, o uso de fitoterápicos como Vitex agnus castus, e, por fim, medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) para o manejo da dor. Em conclusão, esta diretriz visa proporcionar uma orientação abrangente e baseada em evidências para o manejo dos distúrbios pré-menstruais. Espera-se que, ao seguir essas recomendações, os profissionais de saúde possam melhorar a qualidade de vida das pacientes, oferecendo tratamentos mais eficazes e personalizados, que considerem tanto as características individuais quanto as preferências de cada paciente. Além disso, a diretriz destaca a importância de uma abordagem integrada e multidisciplinar, que abrange desde intervenções farmacológicas até terapias psicossociais, promovendo um cuidado mais holístico e centrado na paciente. |