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/ Publicado el 4 de septiembre de 2024

Bem-estar

Padrões de consumo de álcool e mortalidade entre idosos

Associação dos padrões de consumo de álcool com a mortalidade e sua modificação por fatores de risco relacionados à saúde ou socioeconômicos.

Autor/a: Ortolá R, et al.

Fuente: JAMA Netw Open. 2024;7(8):e2424495. doi:10.1001/jamanetworkopen.2024.24495 Alcohol Consumption Patterns and Mortality Among Older Adults With Health-Related or Socioeconomic Risk Factors

Introdução

O consumo de álcool é uma das principais causas de morbidade e mortalidade, representando aproximadamente 5,1% da carga global de doenças e 5,3% de todas as mortes, além de ser responsável por significativas perdas sociais e econômicas.

O impacto de seu consumo na saúde é controverso, principalmente em indivíduos com fatores de risco socioeconômicos ou relacionados à saúde. Estudos relataram que idosos são mais suscetíveis aos efeitos nocivos do álcool devido à maior morbidade, maior uso de fármacos que podem interagir com o mesmo e a menor tolerância. No entanto, outras análises observaram benefícios do álcool, quando moderado, no envelhecimento não saudável ou na fragilidade.

Há evidências, também, que populações socioeconomicamente desfavorecidas apresentam taxas mais altas de danos relacionados ao álcool, provavelmente devido à coexistência de outros desafios de saúde, como estilos de vida menos saudável ou acesso reduzido aos cuidados de saúde.

Como não foram encontrados estudos que relatassem esta relação, Ortolá e colaboradores (2024) realizaram um estudo com objetivo de examinar associação dos padrões de consumo de álcool com a mortalidade em 12 anos e sua modificação por fatores de risco relacionados à saúde ou socioeconômicos.

Métodos

Dados do UK Biobank foram utilizados para o estudo de coorte prospectivo. Os participantes eram consumidores de álcool atuais com 60 anos ou mais. Os dados foram analisados entre setembro de 2023 a maio de 2024.

Na visita de avaliação inicial, os participantes completaram uma entrevista sobre características sociodemográficas, de estilo de vida e clínicas, forneceram amostras biológicas e se submeteram a exames físicos e médicos. Eles foram acompanhados para mortalidade por meio de vinculação aos registros nacionais de óbito.

Os padrões de consumo foram classificados de acordo com a ingesta média de álcool: ocasional (≤2,86 g/dia), baixo (homens: >2,86-20,00 g/dia; mulheres: >2,86-10,00 g/dia), moderado (homens: >20,00-40,00 g/dia; mulheres: >10,00-20,00 g/dia) e alto risco (homens: >40,00 g/dia; mulheres: >20,00 g/dia).

Os fatores de risco relacionados à saúde foram avaliados com o índice de fragilidade, e os fatores de risco socioeconômicos foram avaliados com o índice de privação de Townsend.

Resultados

Foram incluídos 135.103 participantes com idade média de 64 anos. Ao longo do seguimento, foram registrados 15.833 óbitos, incluindo 7.871 mortes por câncer e 3.215 por doenças cardiovasculares (DCV).

Em comparação com o consumo ocasional, o de baixo risco foi associado a uma maior mortalidade por câncer; o de risco moderado foi associado a uma maior mortalidade por todas as causas e câncer; e o consumo de alto risco foi associado a uma maior mortalidade por todas as causas, câncer e DCV. Os riscos foram maiores em indivíduos com fatores de risco relacionados à saúde ou socioeconômicos em comparação com aqueles sem esses fatores em todas as categorias de consumo de álcool.

A preferência por vinho e o consumo de álcool durante as refeições mostraram pequenas associações protetoras com a mortalidade, especialmente por câncer, mas apenas em consumidores com fatores de risco socioeconômicos ou relacionados à saúde, e esteve associado à atenuação da mortalidade excessiva associada ao consumo de alto, moderado e baixo risco.

Conclusão

O consumo de álcool foi associado a maior mortalidade entre idosos com fatores de risco relacionados à saúde ou socioeconômicos. A atenuação da mortalidade observada para aqueles com preferência por vinho e que bebem apenas durante as refeições requer mais investigação, pois pode refletir principalmente o efeito de estilos de vida mais saudáveis, absorção mais lenta do álcool ou componentes não alcoólicos das bebidas.