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Publicado el 6 de agosto de 2026

Melanoma

Fotografia corporal total em 3D no rastreamento do câncer de pele

Revisão destacou o potencial do sistema VECTRA WB360 para o monitoramento de lesões cutâneas e a detecção precoce do câncer de pele, incluindo melanoma, carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular.

O câncer de pele representa um importante problema de saúde pública devido à sua elevada incidência e aos custos significativos associados ao seu manejo. Embora a maioria dos casos apresente bom prognóstico, o melanoma continua associado a elevada mortalidade quando diagnosticado em estágios avançados, tornando a detecção precoce fundamental para melhorar a sobrevida, reduzir a morbidade e minimizar os custos do tratamento.

Atualmente, diretrizes internacionais recomendam o uso da fotografia corporal total em 3D (Total Body Photography – TBP) associada ao acompanhamento dermatoscópico digital em pacientes de alto risco. Nos últimos anos, a evolução dos sistemas de imagem 3D, como o VECTRA WB360, permitiu o registro detalhado de praticamente toda a superfície cutânea e abriu novas perspectivas para o rastreamento e monitoramento de lesões suspeitas.

Nesse contexto, Baete e colaboradores (2025) realizaram uma revisão de escopo para avaliar as evidências sobre a aplicação dessa tecnologia na detecção precoce do câncer de pele. A busca, conduzida na base PubMed entre dezembro de 2023 e março de 2024, identificou 698 publicações, das quais onze atenderam aos critérios de elegibilidade e foram incluídas na análise final, conduzida de acordo com as recomendações do PRISMA-ScR.

Os estudos selecionados investigaram diferentes aplicações do sistema VECTRA WB360 em populações gerais e de alto risco, demonstrando sua capacidade de documentar e monitorar, de forma objetiva, praticamente toda a superfície cutânea, favorecendo a identificação de novas lesões e de alterações em lesões pré-existentes ao longo do tempo.

As imagens obtidas pelo sistema apresentaram qualidade suficiente para possibilitar a avaliação remota por dermatologistas e o diagnóstico de alguns casos de melanoma e de cânceres de pele não melanoma. Estudos que compararam a análise das imagens tridimensionais com os resultados histopatológicos demonstraram desempenho diagnóstico promissor para a detecção de melanoma, carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular, com resultados semelhantes aos obtidos pela avaliação clínica associada à dermatoscopia. No entanto, a sensibilidade da técnica para a detecção de melanoma em comparação ao exame presencial ainda permanece incerta.

A revisão também destacou o potencial das ferramentas de inteligência artificial (IA) integradas ao sistema. O software de visualização de lesões foi capaz de detectar, contabilizar e classificar lesões cutâneas com elevada precisão, especialmente nevos e melanomas. Em um dos estudos, um modelo preditivo alcançou área sob a curva (AUC) de 0,94 para identificação de melanoma, enquanto outros trabalhos demonstraram que a incorporação de redes neurais convolucionais (CNNs) pode aumentar a sensibilidade e a especificidade da análise automatizada. Apesar desses resultados promissores, os melhores desempenhos foram observados quando a IA foi utilizada como ferramenta complementar à avaliação realizada por dermatologistas, que mantiveram maior especificidade diagnóstica do que os sistemas automatizados.

Entre as principais vantagens relatadas estão a aquisição rápida e não invasiva de imagens de alta resolução, a possibilidade de comparação longitudinal das lesões, a integração com imagens dermatoscópicas e a elevada aceitação pelos pacientes. Por outro lado, a tecnologia apresenta limitações importantes, incluindo dificuldades na visualização de áreas como couro cabeludo, plantas dos pés e região genital, além do alto custo de implementação e da necessidade de infraestrutura especializada.

Embora a fotografia corporal total em 3D com o VECTRA WB360 apresente resultados promissores para o rastreamento e monitoramento do câncer de pele, as evidências atuais indicaram que a tecnologia deve ser utilizada como ferramenta complementar, e não como substituta da avaliação dermatológica presencial. Além disso, são necessários estudos maiores, controlados e comparativos com o padrão atual de cuidado para definir seu real impacto clínico e o papel futuro da inteligência artificial nesse contexto.