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Publicado el 1 de junio de 2026

Saúde cardiovascular

Exercício físico regula genes cardíacos e ajuda na recuperação pós-infarto

Novas evidências apontaram para o papel dos circRNAs nas respostas cardioprotetoras ao exercício físico.

Autor/a: Guilherme Ike

Fuente: Jornal da USP

Uma pesquisa da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP revelou que o treinamento aeróbico atua diretamente na regulação genética do coração, contribuindo para a recuperação após o infarto do miocárdio. O estudo identificou que o exercício físico modifica a expressão dos chamados RNAs circulares (circRNAs), moléculas estáveis que funcionam como reguladores da atividade gênica nas células cardíacas.

Os resultados trazem novos insights sobre os mecanismos biológicos envolvidos nos benefícios do exercício, especialmente em um contexto em que as doenças cardiovasculares permanecem como a principal causa de morte no mundo. Apesar das recomendações consolidadas para prática de atividade física no pós-infarto, seus efeitos moleculares ainda não eram totalmente compreendidos.

De acordo com a pesquisadora Noemy Pinto Pereira, responsável pelo estudo, o treinamento aeróbico foi capaz de modificar a expressão de circRNAs, reduzir a hipertrofia cardíaca e a fibrose, além de ativar vias cardioprotetoras. Isso reforçou que o exercício não impacta apenas o sistema muscular, mas também atua diretamente na regulação genética do coração.

A pesquisa utilizou ratos da linhagem Wistar submetidos a infarto induzido, seguidos de um protocolo estruturado de exercício aeróbico. Foram analisadas alterações funcionais e estruturais do coração por meio de ecocardiografia e estudos histológicos, além de sequenciamento de RNA para identificar mudanças na expressão de circRNAs, microRNAs e mRNAs. Os resultados mostraram que o infarto altera significativamente o perfil dessas moléculas, mas que o exercício pode reverter parcialmente esse padrão, aproximando-o de condições semelhantes às de corações saudáveis.

Além de melhorar a função cardíaca e reduzir marcadores de fibrose, o treinamento também demonstrou proteger contra a morte celular. Ensaios experimentais com superexpressão de circRNAs confirmaram seu potencial papel na modulação do remodelamento cardíaco.

Embora ainda sejam necessários estudos adicionais, especialmente em modelos mais próximos da fisiologia humana, os achados indicaram que os circRNAs podem se tornar alvos promissores para novas terapias. Segundo a autora, compreender esses mecanismos pode transformar o exercício físico em uma ferramenta cada vez mais precisa na prevenção e no tratamento da doença cardiovascular.


Fonte: Exercício físico atua na regulação genética para proteger coração infartado – Jornal da USP