O primeiro estudo de confirmação de reinfecção de COVID-19 nos EUA, publicado no jornal The Lancet Infectious Diseases, relatou o caso de um paciente que testou positivo para duas infecções distintas de SARS-CoV-2 dentro de 48 dias, período em que o teste foi negativo entre as infecções.
O paciente, um homem de 25, não possuía distúrbios imunológicos conhecidos ou condições subjacentes, teve teste positivo verificado por meio de sequenciamento genético. A sua segunda infecção por SARS-CoV-2 foi mais grave que a primeira, necessitando de hospitalização e suporte de oxigênio.
A análise gênica das amostras virais coletadas nas duas infecções (abril e junho de 2020) exibiram diferenças genéticas significativas, demonstrando que as infecções foram por cepas distintas de SARS-CoV-2.
Outro caso de reinfecção reportado no Equador também relatou aumento da gravidade dos sintomas do paciente, os pesquisadores discorrem sobre hipóteses que expliquem esse agravamento. Uma das possibilidades é a de que na segunda infecção o paciente entrou em contato com uma carga viral maior ou com uma versão mais virulenta do vírus, gerando uma reação mais aguda. Também há a chance de que os anticorpos aumentem o mecanismo, ou seja, a presença de anticorpos pode piorar uma infecção subsequente, como já observado com a dengue.
Segundo os autores, tais achados demonstram que a exposição prévia ao vírus da COVID-19 pode não se traduzir em imunidade total, sendo importante que a população continue a tomar as precauções necessárias para prevenção de infecção, mesmo após um contato anterior com o vírus.
Apesar de relatos de reinfecção serem raros e não poderem ser usados para generalizar um padrão, é importante ressaltar que devido a muitos casos assintomáticos, outros eventos de reinfecção podem ter acontecido sem que houvesse reporte. Por fim, os autores afirmam que mais estudos são necessários para fornecer um panorama maior sobre a doença e a imunidade conferida.
Publicado el 27 de diciembre de 2020
Estudo de caso
Evidência genômica para reinfecção com SARS-CoV-2
Primeiro caso de reinfecção de COVID-19 nos EUA indica que a exposição viral pode não se traduzir em imunidade total
Autor/a: Richard L Tillett; Joel R Sevinsky; Paul D Hartley; Heather Kerwin et al.
Fuente: Genomic evidence for reinfection with SARS-CoV-2: a case study
O primeiro estudo de confirmação de reinfecção de COVID-19 nos EUA, publicado no jornal The Lancet Infectious Diseases, relatou o caso de um paciente que testou positivo para duas infecções distintas de SARS-CoV-2 dentro de 48 dias, período em que o teste foi negativo entre as infecções.
O paciente, um homem de 25, não possuía distúrbios imunológicos conhecidos ou condições subjacentes, teve teste positivo verificado por meio de sequenciamento genético. A sua segunda infecção por SARS-CoV-2 foi mais grave que a primeira, necessitando de hospitalização e suporte de oxigênio.
Outro caso de reinfecção reportado no Equador também relatou aumento da gravidade dos sintomas do paciente, os pesquisadores discorrem sobre hipóteses que expliquem esse agravamento. Uma das possibilidades é a de que na segunda infecção o paciente entrou em contato com uma carga viral maior ou com uma versão mais virulenta do vírus, gerando uma reação mais aguda. Também há a chance de que os anticorpos aumentem o mecanismo, ou seja, a presença de anticorpos pode piorar uma infecção subsequente, como já observado com a dengue.
Apesar de relatos de reinfecção serem raros e não poderem ser usados para generalizar um padrão, é importante ressaltar que devido a muitos casos assintomáticos, outros eventos de reinfecção podem ter acontecido sem que houvesse reporte. Por fim, os autores afirmam que mais estudos são necessários para fornecer um panorama maior sobre a doença e a imunidade conferida.