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Publicado el 27 de diciembre de 2020

Estudo de caso

Evidência genômica para reinfecção com SARS-CoV-2

Primeiro caso de reinfecção de COVID-19 nos EUA indica que a exposição viral pode não se traduzir em imunidade total

Autor/a: Richard L Tillett; Joel R Sevinsky; Paul D Hartley; Heather Kerwin et al.

Fuente: Genomic evidence for reinfection with SARS-CoV-2: a case study

O primeiro estudo de confirmação de reinfecção de COVID-19 nos EUA, publicado no jornal The Lancet Infectious Diseases, relatou o caso de um paciente que testou positivo para duas infecções distintas de SARS-CoV-2 dentro de 48 dias, período em que o teste foi negativo entre as infecções.

O paciente, um homem de 25, não possuía distúrbios imunológicos conhecidos ou condições subjacentes, teve teste positivo verificado por meio de sequenciamento genético. A sua segunda infecção por SARS-CoV-2 foi mais grave que a primeira, necessitando de hospitalização e suporte de oxigênio.

A análise gênica das amostras virais coletadas nas duas infecções (abril e junho de 2020) exibiram diferenças genéticas significativas, demonstrando que as infecções foram por cepas distintas de SARS-CoV-2.

Outro caso de reinfecção reportado no Equador também relatou aumento da gravidade dos sintomas do paciente, os pesquisadores discorrem sobre hipóteses que expliquem esse agravamento. Uma das possibilidades é a de que na segunda infecção o paciente entrou em contato com uma carga viral maior ou com uma versão mais virulenta do vírus, gerando uma reação mais aguda. Também há a chance de que os anticorpos aumentem o mecanismo, ou seja, a presença de anticorpos pode piorar uma infecção subsequente, como já observado com a dengue.

Segundo os autores, tais achados demonstram que a exposição prévia ao vírus da COVID-19 pode não se traduzir em imunidade total, sendo importante que a população continue a tomar as precauções necessárias para prevenção de infecção, mesmo após um contato anterior com o vírus.

Apesar de relatos de reinfecção serem raros e não poderem ser usados para generalizar um padrão, é importante ressaltar que devido a muitos casos assintomáticos, outros eventos de reinfecção podem ter acontecido sem que houvesse reporte. Por fim, os autores afirmam que mais estudos são necessários para fornecer um panorama maior sobre a doença e a imunidade conferida.