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Publicado el 19 de marzo de 2026

COVID-19

Estudo detalhou sintomas neuropsiquiátricos e mecanismos biológicos da COVID longa

No Brasil, quase 14 milhões. de pessoas convivem com a condição crônica.

Autor/a: Luciana Constantino

Fuente: Agência FAPESP

Uma revisão publicada na Nature Reviews Disease Primers apresentou o mais abrangente panorama até agora sobre as manifestações neurológicas, psicológicas e psiquiátricas da COVID longa. O artigo foi produzido por um painel internacional de 14 especialistas, incluindo a neurologista brasileira Clarissa Yasuda (Unicamp/BRAINN).

Prevalência e impacto clínico

Estima‑se que entre 80 e 400 milhões de pessoas no mundo convivam com COVID longa. No Brasil, o número projetado é de 13,8 milhões de casos, com maior incidência entre 30 e 49 anos.

A condição envolve mais de 200 sintomas, com destaque para manifestações neuropsiquiátricas como disfunção cognitiva, distúrbios do sono, depressão e ansiedade, perda de memória e fadiga persistente. Esses sintomas comprometem qualidade de vida e retorno ao trabalho; estimativas de 2024 apontaram 803 milhões de horas de trabalho perdidas no Brasil.

Principais mecanismos biológicos identificados

A revisão descreveu múltiplos processos fisiopatológicos possivelmente envolvidos:

  • Persistência viral do SARS‑CoV‑2
  • Reativação de herpesvírus
  • Ativação imune crônica e disfunção imunológica
  • Disbiose intestinal
  • Anormalidades de coagulação e dano endotelial
  • Alterações estruturais cerebrais e conectividade funcional anormal

Diagnóstico permanece clínico

Sem biomarcadores específicos, o diagnóstico exige histórico comprovado de infecção por SARS‑CoV‑2, sintomas persistentes por ≥3 meses e exclusão de diagnósticos diferenciais por exames laboratoriais e de imagem, quando necessário.

A revisão reforçou que a única forma comprovada de prevenção é evitar a infecção e reinfecções, principalmente por meio da vacinação.

Impacto social 

Os autores descreveram barreiras frequentes no cuidado, incluindo dificuldade de reconhecimento da doença, estigmatização, limitações no retorno ao trabalho e falta de suporte social e econômico. Recomendam equipes multidisciplinares para manejo contínuo.

Prioridades para pesquisa

  • padronização das definições de COVID longa
  • desenvolvimento de biomarcadores
  • ampliação de ensaios clínicos com potenciais terapias
  • inclusão de populações diversas e representativas
  • avaliação de determinantes sociais de saúde

No Brasil, o grupo de Clarissa Yasuda conduz estudo longitudinal para avaliar alterações cerebrais associadas à condição.


Fonte: Estudo detalha sintomas neuropsiquiátricos e mecanismos biológicos da COVID longa