Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) identificou uma associação entre o consumo frequente de alimentos ultraprocessados e a maior ocorrência de dor dentária em adolescentes brasileiros.
A pesquisa analisou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019, abrangendo cerca de 125 mil estudantes de 13 a 17 anos de escolas públicas e privadas de todo o país. Segundo o levantamento, 98,4% dos adolescentes relataram ter consumido pelo menos um alimento ultraprocessado nas 24 horas anteriores à entrevista.
Os pesquisadores classificaram o consumo desses alimentos em baixo (0 a 2 dias por semana), moderado (3 a 4 dias) e alto (5 a 7 dias), com base na classificação NOVA. Os resultados mostraram que adolescentes com maior frequência de consumo apresentaram prevalência significativamente mais elevada de dor dentária: 27% maior entre consumidores frequentes de doces, 28% maior entre os que consumiam refrigerantes regularmente e 22% maior entre os que relataram alto consumo de fast-food.
A associação foi observada em todas as regiões do Brasil, indicando que fatores como desigualdades sociais, condições de acesso aos serviços odontológicos e características do ambiente alimentar podem influenciar os impactos desse padrão alimentar sobre a saúde bucal.
Além do desconforto físico, a dor dentária pode comprometer a qualidade de vida dos adolescentes, afetando sono, alimentação e desempenho escolar. Os autores destacam a necessidade de ações integradas entre os setores de saúde, educação e segurança alimentar para reduzir o consumo de ultraprocessados e promover hábitos alimentares mais saudáveis.
Os pesquisadores também ressaltaram a importância de estudos futuros para aprofundar a compreensão da relação causal entre a alimentação baseada em ultraprocessados e os desfechos em saúde bucal na população jovem.