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/ Published on February 15, 2026

Saúde

Estudo apontou que obesidade infantil causa danos vasculares precoces

Investigação realizada com 130 participantes entre 6 e 11 anos mostrou que inflamação associada a obesidade afeta o funcionamento do endotélio, abrindo caminho para doenças como aterosclerose, infarto e AVC

Um estudo realizado na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 130 crianças de 6 a 11 anos revelou que o excesso de peso na infância é capaz de gerar impacto imediato sobre a saúde cardiovascular. A pesquisa identificou sinais precoces de inflamação sistêmica e comprometimento do endotélio em crianças com sobrepeso ou obesidade, indicando risco aumentado para aterosclerose, infarto e AVC ainda nas primeiras décadas de vida.

Segundo a coordenadora do estudo, a professora Maria do Carmo Pinho Franco, a obesidade provoca um estado inflamatório crônico de baixo grau tanto em adultos quanto em crianças. Essa inflamação contínua mantém o sistema imune em alerta permanente, favorecendo desgaste celular precoce. Nas análises realizadas, as crianças com excesso de peso apresentaram maior expressão do gene TNF-alfa e níveis elevados de micropartículas endoteliais apoptóticas, marcadores associados à lesão da célula endotelial e disfunção vascular.

Além dos marcadores laboratoriais, indicadores clínicos como IMC, circunferência abdominal, pressão arterial e função endotelial microvascular também foram avaliados. As crianças com sobrepeso e obesidade tiveram pior desempenho no Índice de Hiperemia Reativa (RHI), medida relacionada à saúde dos microvasos, reforçando a evidência de comprometimento vascular precoce.

O estudo foi conduzido em um Centro da Juventude na capital paulista, com participação de uma equipe multiprofissional para coleta de dados clínicos e avaliação nutricional. As análises de biologia molecular, incluindo quantificação de citocinas inflamatórias por qRT-PCR, foram realizadas no Departamento de Biofísica da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp). A iniciativa incluiu ainda ações educativas com merendeiras e responsáveis, voltadas à redução de alimentos ultraprocessados na alimentação das crianças.

Para os pesquisadores, os achados reforçaram a urgência de estratégias públicas de prevenção da obesidade infantil, especialmente em contextos de vulnerabilidade socioeconômica. Sem intervenção precoce, essas crianças tendem a carregar o risco aumentado para doenças cardiovasculares e metabólicas ao longo da vida, com repercussões importantes para a saúde pública e para a sustentabilidade do sistema de saúde.