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Publicado el 18 de abril de 2025

Maior adesão e cobertura

Estudo aponta que PrEP injetável pode gerar mais adesão entre jovens que a oral

Pesquisa da Fiocruz revelou taxa de cobertura de 95% com a PrEP injetável de longa duração, contra 48% da oral diária em grupo de comparação do SUS.

Autor/a: Ricardo Valverde

Fuente: Agência Fiocruz de Notícias Estudo aponta que PrEP injetável pode gerar mais adesão entre jovens que a oral

Um trabalho divulgado pela Fiocruz, em colaboração com pesquisadores de outras instituições, avaliou a cobertura de Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP) oral diária e da injetável de longa duração entre jovens de populações mais afetadas pelo HIV no Brasil. Segundo os autores, a segunda modalidade demonstrou melhorar de forma significativa a cobertura e, consequentemente, a proteção ao vírus.

Os resultados são especialmente promissores para superar os desafios de adesão enfrentados sobretudo por jovens e populações vulnerabilizadas. Além disso, a assiduidade dos participantes nas consultas para aplicação das injeções foi alta e consistente, um dado importante para construção da estratégia de implementação dessa tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS).

O estudo incluiu 1.447 participantes – gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens (HSH) cisgênero, pessoas transgênero e não-binárias –, com idades entre 18 a 30 anos, que nunca haviam utilizado PrEP. Eles puderam escolher entre a preparação oral diária ou a injetável de longa duração e iniciaram o uso já na primeira visita do estudo. A pesquisa foi conduzida em seis cidades brasileiras (São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Salvador, Manaus e Campinas). A inclusão de participantes ocorreu entre outubro de 2023 e setembro de 2024, com um acompanhamento mínimo previsto de 48 semanas.

Para efeito de comparação, os pesquisadores formaram um grupo de comparação com 2.411 pessoas com características demográficas similares, que iniciaram a PrEP oral diária em unidades do SUS no mesmo período do estudo. A cobertura foi medida pela proporção de dias em que os participantes estavam protegidos, independentemente da modalidade.

Os resultados mostraram taxas de cobertura de 95% para quem usou PrEP injetável de longa duração e de 58% para quem optou pela oral diária. No grupo de comparação a cobertura foi de 48%.

A preferência pelo esquema injetável foi expressiva: 83% dos participantes optaram pela PrEP de longa duração. Entre eles, 94% receberam as injeções dentro do período correto e apenas 6% perderam o acompanhamento do estudo – sendo que apenas 0,8% realizaram apenas a primeira aplicação.

O protocolo do estudo permitia a troca de modalidade. Cerca de 9% dos participantes mudaram do esquema oral diário para o injetável, enquanto que apenas 4% fizeram o caminho inverso. Durante o acompanhamento, foram registradas nove infecções por HIV entre participantes dos grupos de comparação que usaram a PrEP oral diária, e nenhuma soroconversão entre os que optaram pelo injetável.