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Publicado el 15 de septiembre de 2026

Estudo alertou para os riscos do melanoma fora da pele e reforçou importância do diagnóstico precoce

Boletim da Fundação do Câncer revelou o panorama epidemiológico do melanoma no Brasil e alertou para formas extracutâneas frequentemente diagnosticadas tardiamente.

Autor/a: Daniella Almeida

Fuente: Agência Brasil Câncer: estudo alerta para riscos de melanoma fora da pele

Um novo levantamento da Fundação do Câncer destacou que o melanoma não se limita à pele e pode surgir em estruturas extracutâneas, como olhos, mucosas da cavidade oral e órgãos dos sistemas digestório e genital. Embora menos frequentes, esses tumores costumam apresentar comportamento mais agressivo e maior potencial de metástase, tornando o diagnóstico precoce fundamental para melhorar os desfechos clínicos.

Os dados foram apresentados na 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, intitulada “Melanoma: nem sempre na pele”, que reúne informações epidemiológicas sobre a doença no Brasil a partir de registros hospitalares oncológicos.

Segundo o coordenador do estudo, Alfredo Scaff, o controle do câncer depende diretamente da identificação precoce da doença e do acesso oportuno ao tratamento. O boletim também destacou a necessidade de integração entre atenção primária, dermatologia, oftalmologia, oncologia e outras especialidades para otimizar o cuidado aos pacientes.

No Sistema Único de Saúde (SUS), o tratamento padrão do melanoma continua sendo a cirurgia para remoção da lesão primária e dos linfonodos comprometidos. Entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o primeiro tratamento em 84,7% dos casos de melanoma cutâneo registrados no país. A Região Sudeste apresentou o maior percentual de procedimentos cirúrgicos iniciais (89,6%), enquanto a Região Norte registrou o menor índice (64,4%).

O estudo também identificou desigualdades no acesso à assistência especializada. O Centro-Oeste apresentou o maior percentual de pacientes que precisaram se deslocar para tratamento oncológico fora da região de residência (20,2%), indicando limitações na oferta local de serviços especializados.

Nas últimas décadas, a imunoterapia transformou o tratamento do melanoma avançado. Medicamentos como nivolumabe e pembrolizumabe foram incorporados ao SUS em 2020 para casos metastáticos, após aprovação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). De acordo com especialistas, a imunoterapia elevou significativamente as taxas de resposta clínica, que passaram de menos de 10% com a quimioterapia para até 70% em alguns grupos de pacientes.

No entanto, desafios importantes como o alto custo desses medicamentos limita o acesso para pacientes atendidos pelo SUS. Atualmente, o Ministério da Saúde discute mecanismos para ampliar a distribuição desses medicamentos por meio da política de Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), além de estratégias de compra centralizada e fortalecimento da produção nacional.

> Melanoma extracutâneo: olho é o local mais comum

A análise de 42.255 casos mostrou que:

  • 92,2% correspondiam a melanomas cutâneos;
  • 5,7% eram melanomas oculares;
  • 2,5% tinham origem em mucosas.

Entre os melanomas extracutâneos registrados entre 1990 e 2021, o olho foi o principal sítio primário, representando 75% dos casos. Em seguida apareceram os órgãos genitais (12,8%) e o sistema digestório (8,2%).

Os especialistas alertaram que o melanoma ocular frequentemente permanece assintomático nas fases iniciais, podendo ser detectado apenas em exames de rotina. Quando presentes, os sintomas incluem visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda visual.

> Cenário do melanoma de pele no Brasil

A radiação ultravioleta (UV) continua sendo o principal fator de risco para o melanoma cutâneo. Embora represente apenas cerca de 4% dos cânceres de pele, o melanoma é o tipo mais agressivo e com maior capacidade de disseminação.

Entre 1990 e 2021, foram registrados 30.614 novos casos de melanoma de pele no Brasil, com discreto predomínio entre mulheres (51,3%).

As localizações mais frequentes foram:

  • Tronco (22,4%);
  • Membros inferiores (19,1%);
  • Membros superiores (13,8%).

Nos homens, os diagnósticos foram mais comuns em orelha, couro cabeludo, pescoço e tronco. Nas mulheres, predominaram lesões em face e extremidades.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontaram que, em 2023, ocorreram 2.047 mortes por melanoma no Brasil, sendo 1.176 em homens e 871 em mulheres.

Apesar de apresentar menor incidência, a Região Norte registrou maior letalidade proporcional, sugerindo impacto do diagnóstico tardio e dificuldades de acesso aos serviços especializados. Já a Região Sul apresentou as maiores taxas de incidência, com 44,4 casos por milhão de habitantes, mais que o dobro da média nacional.

Para o triênio 2026-2028, o Inca estima cerca de 9.360 novos casos de melanoma por ano no país, reforçando a necessidade de estratégias voltadas à prevenção, diagnóstico precoce e ampliação do acesso ao tratamento especializado.