A rosácea é uma doença cutânea crônica que atinge entre 1% e 22% da população, apresentando maior prevalência no sexo feminino. O seu quadro clínico engloba eritema centrofacial, rubor, telangiectasias, pápulas, pústulas e manifestações oculares. Com base na morfologia das lesões, a doença é classificada em quatro subtipos principais: rosácea eritematotelangiectásica (ETR), papulopustulosa, fimatosa e ocular. Enquanto as lesões inflamatórias proeminentes, como pápulas e pústulas, costumam apresentar boa resposta às terapias farmacológicas, a ETR e a forma fimatosa respondem mal ao tratamento, exigindo frequentemente abordagens fotoelétricas ou cirúrgicas.
A ETR é caracterizada sobretudo por rubor e eritema facial central persistente. Diversos sistemas de laser e de luz intensa pulsada (IPL) vêm sendo empregados no manejo do eritema e das telangiectasias. A IPL é uma luz policromática não coerente, com comprimento de onda variando de 400 a 1200 nm, que atua tendo a oxi-hemoglobina como cromóforo-alvo em lesões vasculares. Com o avanço tecnológico, a IPL passou a ser dividida em banda larga e banda estreita. A luz intensa pulsada de banda estreita (DPL) consiste em uma modalidade de IPL de banda estreita com espectro delimitado entre 500 e 600 nm, intervalo que sobrepõe dois picos de absorção da hemoglobina, conferindo maior seletividade e eficiência no tratamento de alterações vasculares.
Apesar de a DPL ser reconhecida como uma intervenção segura e eficaz para a ETR, a escolha dos parâmetros de energia ideais ainda representa um dilema na prática clínica, existindo pouca literatura a respeito. Diante desse cenário, Yang et al., (2026) delinearam um estudo retrospectivo para avaliar os resultados do tratamento com DPL sob diferentes parâmetros de energia em pacientes diagnosticados com ETR.
O estudo retrospectivo analisou prontuários de pacientes diagnosticados com ETR submetidos a cinco sessões de tratamento com DPL entre outubro de 2021 e outubro de 2023. Os critérios de inclusão exigiram o diagnóstico clínico de ETR e a conclusão das cinco sessões do protocolo, enquanto foram excluídos pacientes que apresentavam lesões inflamatórias proeminentes (pápulas, pústulas ou fimas) ou que estivessem em uso de medicações tópicas e orais para rosácea.
O tratamento foi realizado com o equipamento DPL (Alma Laser, Israel) utilizando comprimento de onda de 500–600 nm, tamanho de spot de 30 × 10 mm e largura de pulso de 12 ms, aplicando-se gel fotônico de resfriamento e adotando como desfecho imediato um leve eritema sem ardor ou edema acentuado. A partir da média da densidade de energia empregada nas cinco sessões, os participantes foram divididos em dois grupos: o de baixa energia (5,0–6,0 J/cm²) e o de alta energia (6,1–7,1 J/cm²).
As variáveis primárias de desfecho incluíram a medição do valor de vermelho (red value), obtido pelo analisador de imagem facial VISIA, a pontuação do Clinician's Erythema Assessment (CEA), avaliada de forma cega por dois dermatologistas, o registro de reações adversas e a avaliação da taxa de recorrência após um ano do término do tratamento. As análises estatísticas utilizaram o teste t pareado para comparações intragrupo, o teste t independente para análises intergrupos e o teste do qui-quadrado para a taxa de recidiva, estabelecendo a significância estatística em p < 0,05.
A amostra final incluiu 133 pacientes com ETR (69 no grupo de baixa energia e 64 no grupo de alta energia), demonstrando homogeneidade nas características demográficas e nos parâmetros basais pré-tratamento entre ambos os grupos. Ao avaliar todos os participantes após as cinco sessões, observou-se uma melhora global estatisticamente significativa do eritema, evidenciada pela redução do valor de vermelho de 16,03 ± 6,71 para 13,41 ± 4,35 e pela queda do escore CEA de 2,41 ± 0,97 para 1,71 ± 0,93. Na comparação intergrupos, o protocolo de baixa energia promoveu uma redução do valor de vermelho significativamente superior à do protocolo de alta energia. A melhora no escore CEA também foi numericamente superior no grupo de baixa energia, embora sem alcançar diferença estatisticamente significativa.
No acompanhamento de um ano pós-tratamento, a taxa de recorrência no grupo de baixa energia foi significativamente menor em relação ao grupo de alta. Apenas três pacientes apresentaram reações alérgicas leves pós-procedimento que resolveram rapidamente com medicação antialérgica, não ocorrendo complicações graves como bolhas, queimaduras ou alterações pigmentares em nenhum dos grupos.
Em conclusão, a aplicação de DPL com densidade de energia moderada/baixa (5,0–6,0 J/cm²) constituiu uma abordagem otimizada, eficaz e mais segura para o tratamento da rosácea eritematotelangiectásica.
Publicado el 15 de septiembre de 2026
Rosácea eritematotelangiectásica
DPL na rosácea eritematotelangiectásica
Em uma análise retrospectiva com 133 pacientes submetidos a 5 sessões, a fluência moderada/baixa (5,0–6,0 J/cm²) promoveu uma redução do red value significativamente maior do que a fluência elevada (6,1–7,1 J/cm²).
Autor/a: Lingling Yang, Wenzhong Xiang, Yong Zhang
Fuente: Journal of Cosmetic Dermatology, V. 25, N. 6, 2026 Clinical Study of Narrow-Band Intense Pulsed Light with Different Parameters in the Treatment of Erythematotelangiectatic rosacea: A Retrospective Study
A rosácea é uma doença cutânea crônica que atinge entre 1% e 22% da população, apresentando maior prevalência no sexo feminino. O seu quadro clínico engloba eritema centrofacial, rubor, telangiectasias, pápulas, pústulas e manifestações oculares. Com base na morfologia das lesões, a doença é classificada em quatro subtipos principais: rosácea eritematotelangiectásica (ETR), papulopustulosa, fimatosa e ocular. Enquanto as lesões inflamatórias proeminentes, como pápulas e pústulas, costumam apresentar boa resposta às terapias farmacológicas, a ETR e a forma fimatosa respondem mal ao tratamento, exigindo frequentemente abordagens fotoelétricas ou cirúrgicas.
A ETR é caracterizada sobretudo por rubor e eritema facial central persistente. Diversos sistemas de laser e de luz intensa pulsada (IPL) vêm sendo empregados no manejo do eritema e das telangiectasias. A IPL é uma luz policromática não coerente, com comprimento de onda variando de 400 a 1200 nm, que atua tendo a oxi-hemoglobina como cromóforo-alvo em lesões vasculares. Com o avanço tecnológico, a IPL passou a ser dividida em banda larga e banda estreita. A luz intensa pulsada de banda estreita (DPL) consiste em uma modalidade de IPL de banda estreita com espectro delimitado entre 500 e 600 nm, intervalo que sobrepõe dois picos de absorção da hemoglobina, conferindo maior seletividade e eficiência no tratamento de alterações vasculares.
Apesar de a DPL ser reconhecida como uma intervenção segura e eficaz para a ETR, a escolha dos parâmetros de energia ideais ainda representa um dilema na prática clínica, existindo pouca literatura a respeito. Diante desse cenário, Yang et al., (2026) delinearam um estudo retrospectivo para avaliar os resultados do tratamento com DPL sob diferentes parâmetros de energia em pacientes diagnosticados com ETR.
O estudo retrospectivo analisou prontuários de pacientes diagnosticados com ETR submetidos a cinco sessões de tratamento com DPL entre outubro de 2021 e outubro de 2023. Os critérios de inclusão exigiram o diagnóstico clínico de ETR e a conclusão das cinco sessões do protocolo, enquanto foram excluídos pacientes que apresentavam lesões inflamatórias proeminentes (pápulas, pústulas ou fimas) ou que estivessem em uso de medicações tópicas e orais para rosácea.
O tratamento foi realizado com o equipamento DPL (Alma Laser, Israel) utilizando comprimento de onda de 500–600 nm, tamanho de spot de 30 × 10 mm e largura de pulso de 12 ms, aplicando-se gel fotônico de resfriamento e adotando como desfecho imediato um leve eritema sem ardor ou edema acentuado. A partir da média da densidade de energia empregada nas cinco sessões, os participantes foram divididos em dois grupos: o de baixa energia (5,0–6,0 J/cm²) e o de alta energia (6,1–7,1 J/cm²).
As variáveis primárias de desfecho incluíram a medição do valor de vermelho (red value), obtido pelo analisador de imagem facial VISIA, a pontuação do Clinician's Erythema Assessment (CEA), avaliada de forma cega por dois dermatologistas, o registro de reações adversas e a avaliação da taxa de recorrência após um ano do término do tratamento. As análises estatísticas utilizaram o teste t pareado para comparações intragrupo, o teste t independente para análises intergrupos e o teste do qui-quadrado para a taxa de recidiva, estabelecendo a significância estatística em p < 0,05.
A amostra final incluiu 133 pacientes com ETR (69 no grupo de baixa energia e 64 no grupo de alta energia), demonstrando homogeneidade nas características demográficas e nos parâmetros basais pré-tratamento entre ambos os grupos. Ao avaliar todos os participantes após as cinco sessões, observou-se uma melhora global estatisticamente significativa do eritema, evidenciada pela redução do valor de vermelho de 16,03 ± 6,71 para 13,41 ± 4,35 e pela queda do escore CEA de 2,41 ± 0,97 para 1,71 ± 0,93. Na comparação intergrupos, o protocolo de baixa energia promoveu uma redução do valor de vermelho significativamente superior à do protocolo de alta energia. A melhora no escore CEA também foi numericamente superior no grupo de baixa energia, embora sem alcançar diferença estatisticamente significativa.
No acompanhamento de um ano pós-tratamento, a taxa de recorrência no grupo de baixa energia foi significativamente menor em relação ao grupo de alta. Apenas três pacientes apresentaram reações alérgicas leves pós-procedimento que resolveram rapidamente com medicação antialérgica, não ocorrendo complicações graves como bolhas, queimaduras ou alterações pigmentares em nenhum dos grupos.
Em conclusão, a aplicação de DPL com densidade de energia moderada/baixa (5,0–6,0 J/cm²) constituiu uma abordagem otimizada, eficaz e mais segura para o tratamento da rosácea eritematotelangiectásica.