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Publicado el 21 de octubre de 2026

Estimativas do INCA projetam cenário do câncer no Brasil para 2026-2028

Relatório do Instituto Nacional de Câncer prevê 781 mil novos casos anuais e destaca desigualdades regionais, além do avanço do câncer colorretal e de pulmão.

Autor/a: Martins, L. F. L. et al.

Fuente: Rev. Bras. Cancerol. 72 (2) • 2026 Perfil Epidemiológico da Incidência de Câncer no Brasil e Regiões: Estimativas para o Triênio 2026-2028

 Introdução 

O câncer é um dos principais problemas de saúde pública do século XXI, sendo responsável por parcela expressiva da mortalidade global e representando um importante obstáculo ao aumento da expectativa de vida. Estima-se que a doença responda por quase uma em cada seis mortes no mundo e por cerca de um quarto dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis. 

Sua carga varia entre países e regiões, influenciada por fatores biológicos, sociais, ambientais e econômicos, além das desigualdades no acesso à prevenção, ao diagnóstico e ao tratamento. Em países de baixa e média renda, o aumento dos casos tem sido associado ao envelhecimento populacional, à transição demográfica e à maior exposição a fatores de risco relacionados ao estilo de vida. 

Nesse contexto, as estimativas de incidência são ferramentas importantes para orientar o planejamento de políticas públicas e a organização da assistência oncológica. Assim, o estudo do Instituto Nacional de Câncer (INCA) teve como objetivo estimar a magnitude e a distribuição dos principais tipos de câncer previstos para o triênio 2026-2028 no Brasil, nas regiões geográficas e nas Unidades da Federação, segundo sexo, considerando os 21 tipos de câncer mais incidentes. 

Métodos 

As estimativas foram elaboradas com base em dados de incidência dos 31 Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP), referentes ao período de 1988 a 2021, e em dados de mortalidade do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), de 1979 a 2023. Foram analisados os 21 tipos de câncer mais incidentes no país, incluindo tumores de mama, próstata, colorretal, pulmão e colo do útero, além dos cânceres em crianças e adolescentes. 

As projeções para o triênio 2026-2028 foram obtidas por meio de modelos de predição temporal nas localidades com séries históricas adequadas de incidência. Nos locais com dados insuficientes, as estimativas foram calculadas a partir da razão entre incidência e mortalidade. 

Resultados

Foram estimados 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil no triênio 2026-2028. Excluindo os cânceres tumores de pele não melanoma, a estimativa foi de aproximadamente 518 mil casos anuais, distribuídos de forma semelhante entre homens (49,4%) e mulheres (50,6%). 

Entre os homens, o câncer de próstata permanece como o mais incidente, correspondendo a 30,5% dos casos novos, seguido pelos tumores de cólon e reto (10,3%), pulmão (7,3%), estômago (5,4%) e cavidade oral (4,8%). Entre as mulheres, a maior proporção de diagnósticos ocorre na mama (30,0%), à frente de cólon e reto (10,5%), colo do útero (7,4%), pulmão (6,4%) e tireoide (5,1%). Em conjunto, os tipos de tumores mais comuns representam cerca de 65% dos casos novos no país. Os cânceres de mama e próstata respondem isoladamente por aproximadamente 15% dos diagnósticos cada, seguidos pelos de cólon e reto, pulmão, estômago e colo do útero. 

A análise regional evidenciou importantes diferenças na incidência dos tumores. Entre os homens, o câncer de próstata foi o mais incidente em todas as Unidades da Federação, com maiores taxas nas Regiões  Sudeste e Centro-Ooeste. O câncer de estômago apresentou destaque na Região Norte e no Ceará, enquanto o de pulmão mostrou elevada incidência na Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. 

Entre as mulheres, o câncer de mama foi o mais frequente na quase totalidade do país, com maiores taxas no Sudeste e no Sul. O do colo do útero, por sua vez, permaneceu como o mais incidente no Amapá e manteve taxas elevadas em diversos estados das Regiões Norte e Nordeste. Na Região Sul, além do câncer de mama e do câncer colorretal, o câncer de pulmão esteve entre os três tumores mais incidentes. 

Em relação ao câncer infantojuvenil, as maiores taxas de incidência foram observadas na Região Sul, seguida pelas Regiões Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste e Norte. Entre os estados, Paraná e São Paulo apresentaram os maiores números absolutos de casos estimados em suas respectivas regiões. 

Conclusão 

Os dados reforçaram a elevada carga do câncer no Brasil e evidenciaram um cenário marcado por importantes desigualdades regionais. O perfil observado reflete diferentes estágios da transição epidemiológica no país, com destaque para o aumento da incidência de câncer colorretal e para a retomada do crescimento do câncer de pulmão, especialmente entre as mulheres. Embora as estimativas devam ser interpretadas com cautela por se basearem em modelos estatísticos e registros populacionais, elas representam uma ferramenta essencial para orientar o planejamento, a alocação de recursos e a definição de estratégias de prevenção e controle do câncer no país.