Os adoçantes artificiais, incluindo os não nutritivos, são amplamente utilizados e geralmente considerados seguros. No entanto, um número crescente de estudos tem associado o uso desses ao aumento do risco de doenças cardiovasculares. Estudos anteriores demonstraram que níveis plasmáticos de eritritol em jejum estavam associados à riscos de eventos cardiovasculares graves (como infarto do miocárdio, AVC ou morte). Além disso, foi demonstrado que níveis elevados desse adoçante aumentaram o potencial de trombose em modelos animais e induziram mudanças fenotípicas pró-trombóticas em plaquetas humanas.
Embora a associação entre os níveis sanguíneos de eritritol e um estado pró-trombótico tenha sido sugerida, ainda não foram realizados estudos de intervenção para confirmar os efeitos diretos em humanos. Portanto, Witkowski e colaboradores (2024) realizaram um estudo com objetivo avaliar os potenciais efeitos pró-trombóticos do eritritol dietético (E968) em comparação com uma quantidade equivalente de glicose.
Para isso, eles realizaram um estudo intervencional prospectivo para testar o impacto do consumo de eritritol ou glicose em vários índices de responsividade das plaquetas dependente de estímulos em voluntários saudáveis (n=10). Os níveis plasmáticos foram quantificados por espectrometria de massa acoplada à cromatografia líquida. A função plaquetária no início e após a ingestão foi avaliada por meio de agregometria e análise dos marcadores de grânulos liberados.
O eritritol dietético (30 g), mas não a glicose (30 g), levou a um aumento >1000 vezes na concentração plasmática de eritritol. Ademais, um aumento notável nas respostas de agregação plaquetária a múltiplos níveis submáximos de ADP e TRAP6 foi observado após a ingestão de eritritol.
A ingestão de eritritol também aumentou significativamente a liberação dependente de estímulo tanto do marcador de grânulos densos serotonina quanto do marcador de grânulos α CXCL4. Em contraste, não foram observados aumentos significativos na liberação dependente de estímulo (ADP e TRAP6) de serotonina ou CXCL4 após o consumo de glicose.
Sendo assim, a ingestão de uma quantidade típica do adoçante não nutritivo eritritol, mas não de glicose, aumentou a reatividade plaquetária em voluntários saudáveis, levantando preocupações de que o consumo do adoçante possa aumentar o potencial de trombose. Combinados com estudos clínicos observacionais em grande escala e estudos mecanísticos em modelos celulares e animais, os achados sugeriram que é necessário discutir se o eritritol deve ser reavaliado como um aditivo alimentar com a designação de Geralmente Reconhecido como Seguro.