| Introdução |
O envelhecimento cerebral saudável é uma prioridade de saúde pública mundial, com o intuito de permitir que os idosos melhorem a qualidade de vida. Estudos anteriores identificaram certos fatores que influenciam no declínio cognitivo e funcional, que abrangem:
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idade e sexo;
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determinantes sociais da saúde (DSS), como nível de escolaridade e status socioeconômico;
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doenças cardiometabólicas, como hipertensão, diabetes e obesidade;
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indicadores de saúde mental, incluindo depressão e ansiedade; e
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fatores de estilo de vida, como consumo de álcool, tabagismo e atividade física.
Esses fatores de risco variam amplamente entre as regiões globais. Os países da América Latina apresentam grandes desigualdades relacionadas à saúde devido a aspectos históricos, culturais e sociais. Evidências recentes destacaram que fatores relacionados às disparidades sociais e de saúde superam os demográficos na determinação do envelhecimento cerebral saudável nessas populações.
O Brasil tem uma das maiores incidências de demência na América Latina, com padrões distintos de prevalência de fatores de risco modificáveis e frações populacionais atribuíveis (FPA) em comparação com outros países da América Latina. Perda auditiva, inatividade física e hipertensão respondem por mais da metade da FPA de demência no país. Além disso, tem uma ancestralidade e história etnorracial únicas em comparação com outros países da América Latina, o que resultou em uma população mista derivada de múltiplas ondas de migração de países africanos, europeus e asiáticos, juntamente com povos indígenas da região. Portanto, avaliar amostras representativas de países da América Latina, incluindo o Brasil, oferece uma valiosa oportunidade para entender o efeito de fatores sociais e de saúde específicos no envelhecimento cerebral.
Por isso, Ros e colaboradores (2025) avaliaram os fatores de risco para o declínio cognitivo e funcional em um amplo estudo de base populacional brasileira, juntamente com coortes representativas do Chile, Colômbia, Equador e Uruguai.
| Métodos |
O estudo investigou o envelhecimento cerebral saudável, avaliando os fatores de risco para declínio cognitivo e funcional no Brasil, Chile, Colômbia, Equador e Uruguai. No total, 41.092 participantes com idade média de 70,81 anos foram incluídos. As coortes foram distribuídas da seguinte forma: Chile (n=1.301), Uruguai (n=1.450), Equador (n=5.235), Colômbia (n=23.694) e Brasil (n=9.412). Esses foram divididos em países de alta renda (HIC), que incluíram os dois primeiros e de baixa e média renda (LMIC) que foram representados pelos últimos três.
Pesquisadores avaliaram o envelhecimento cerebral saudável usando testes de cognição e capacidade funcional. Um Mini-Exame do Estado Mental Modificado (MMSE) foi usado para Chile, Colômbia, Equador e Uruguai para avaliar a função cognitiva. No Brasil, foi utilizado uma pontuação composta abrangendo domínios cognitivos globais semelhantes ao MMSE. Esse consistiu em 19 questões, com um ponto de corte de 13 indicando comprometimento cognitivo. O escore composto para o Brasil foi calculado testando a recuperação de palavras, a fluência verbal e a orientação temporal. O índice de Barthel foi usado para avaliar a capacidade funcional, avaliando as atividades da vida diária.
Fatores sociais (idade, sexo, isolamento social, status socioeconômico e educação) e fatores relacionados à saúde (diabetes, hipertensão, doença cardíaca, quedas, inatividade física, consumo de álcool, tabagismo e sintomas de saúde mental) foram incluídos como preditores nos modelos.
| Resultados |
A educação e os sintomas de saúde mental foram os fatores modificáveis mais importantes para o envelhecimento cerebral saudável no Brasil, superando os demográficos, como idade e sexo. Ao considerar esse país junto com os outros da América Latina, os sintomas de saúde mental e atividade física foram os mais relevantes ao declínio cognitivo e funcional, respectivamente.
A educação teve uma influência considerável no envelhecimento cognitivo da população brasileira. Baixos níveis de escolaridade, juntamente com a instabilidade econômica e a insegurança social, foram determinantes sociais da saúde com um grande impacto no envelhecimento cerebral.
Os sintomas de saúde mental foram destacados como o preditor mais importante da capacidade funcional no Brasil. Além disso, fatores cardiometabólicos (hipertensão, diabetes e doenças cardíacas) também contribuíram para prever o declínio funcional no país.
Ademais, o impacto dos níveis de renda nos preditores de envelhecimento cerebral saudável foi demonstrado em países da América Latina e em diferentes regiões do Brasil. Esses resultados corroboraram com a noção de que os determinantes sociais têm um impacto maior do que os demográficos na previsão do envelhecimento cerebral saudável.
Por fim, ao analisar as regiões brasileiras separadamente, os resultados sugeriram que o efeito dos fatores de risco também variou de acordo com as diferenças regionais dentro do país. Por exemplo, morar nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste foram fatores de proteção para o declínio cognitivo em comparação com a região Norte.
Em conclusão, Ros e colaboradores (2025) forneceram evidências de uma maior influência dos fatores de risco de disparidade social e de saúde no Brasil e em outros países da América Latina no envelhecimento cerebral saudável. Ao destacar a preponderância dos determinantes sociais da saúde, como educação e saúde mental, sobre os fatores demográficos tradicionais, a pesquisa enfatizou a necessidade de abordagens de saúde pública mais abrangentes e equitativas. No contexto brasileiro, o estudo sublinhou a importância de políticas que promovam o acesso à educação de qualidade e serviços de saúde mental, reconhecendo as disparidades regionais que modulam o impacto desses fatores de risco.