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Publicado el 12 de agosto de 2025

Pediatria

Encefalopatia necrosante aguda e influenza em jovens

Estudo revelou impacto da ENA associada à influenza na morbidade e mortalidade infantil nos EUA

Autor/a: Influenza-Associated Acute Necrotizing Encephalopathy (IA-ANE) Working Group

Fuente: JAMA. Published online July 30, 2025. doi:10.1001/jama.2025.11534 Influenza-Associated Acute Necrotizing Encephalopathy in US Children

A encefalopatia necrosante aguda (ENA) é uma condição neurológica rara e grave, caracterizada por inflamação e morte das células cerebrais. Os dados epidemiológicos e de manejo da doença ainda são limitados. Durante a temporada de influenza de 2024-2025 nos Estados Unidos, profissionais de grandes centros pediátricos relataram de forma anedótica um aumento no número de crianças com ENA associada à influenza.

Por isso, o Grupo de Trabalho sobre Encefalopatia Necrosante Aguda Associada à Influenza (IA-ANE) desenvolveu uma investigação nacional para compreender a apresentação clínica, as intervenções e os desfechos entre crianças norte-americanas diagnosticadas com ENA associada à influenza.

Para isso, os autores reuniram uma série de casos com acompanhamento longitudinal de criança diagnosticadas com ENA. Foram solicitados casos por meio de sociedades acadêmicas, agências de saúde pública e contato direto com especialistas pediátricos em 76 centros acadêmicos dos EUA, incluindo casos de 1º de outubro de 2023 a 30 de maio de 2025. Os critérios de inclusão exigiam encefalopatia aguda com evidência radiológica de lesão talâmica aguda e confirmação laboratorial de infecção por influenza em indivíduos com até 21 anos. Foram coletados dados de: sintomas de apresentação, histórico vacinal, achados laboratoriais e genéticos, desfechos clínicos e tempo de internação.

Dos 58 casos submetidos, 41 atenderam os critérios de inclusão. Desses, 23 crianças eram do sexo feminino e a idade média foi de 5 anos. Ademais, 76% dos casos não tinham histórico médico significativo, mas 12% apresentaram comorbidades complexas. Por fim, 95% foram diagnosticados com influenza A e 5% com influenza B.

A apresentação clínica incluiu febre, encefalopatia e convulsões em 93%, 100% e 68% dos pacientes, respectivamente. Alterações laboratoriais frequentes incluíram elevação das enzimas hepáticas (78%), trombocitopenia (63%) e proteína elevada no líquor (63%). Entre 32 pacientes submetidos à análise genética, 47% apresentaram alelos de risco potencialmente ligados à ENA, incluindo 34% variantes do gene RANBP2.

Dos 38 pacientes com histórico vacinal disponível, apenas 6 haviam recebido a vacinação sazonal apropriada para idade. A maioria recebeu tratamento imunomodulador múltiplo, incluindo metilprednisolona (95%), imunoglobulina intravenosa (66%), tocilizumabe (51%), plasmaférese (32%), anakinra (5%) e metilprednisolona intratecal (5%). A mediana de dias em UTI foi de 11 (IQR, 4-19) e de hospitalização foi de 22 dias (IQR, 7-36).

Por fim, 27% dos pacientes morreram em mediana de 3 dias (IQR, 2-4) após o início dos sintomas, principalmente por herniação cerebral (91%). Entre os 27 sobreviventes com 90 dias de acompanhamento, 63% apresentavam ao menos incapacidade moderada (Escala de Rankin ≥3).

Em conclusão, a ENA foi associada a alta morbidade e mortalidade em uma coorte predominantemente jovem e previamente saudável. Os achados destacaram a importância da prevenção, reconhecimento precoce, tratamento intensivo e protocolos de manejo padronizados.