| Introdução |
A gastroparesia diabética (GPD) é uma complicação comum do diabetes. Com o aumento do número de pacientes diabéticos, a doença se tornará cada vez mais comum. Pesquisas mostraram que pacientes com GPD têm uma baixa qualidade de vida e dificuldade no controle do açúcar no sangue, sendo necessário um tratamento a longo prazo para controlar eficazmente os sintomas. Além disso, apresentam maior taxa de mortalidade devido à ocorrência de eventos cardiovasculares. Portanto, a GPD tornou-se uma questão séria de saúde pública que afeta a saúde e a qualidade de vida dos pacientes.
Atualmente, o tratamento da GPD inclui terapia medicamentosa, estimulação elétrica gástrica, terapia endoscópica, tratamento cirúrgico e terapia dietética, todas capazes de melhorar o esvaziamento gástrico. Embora fármacos, como domperidona e metoclopramida, possam aliviar o desconforto gastrointestinal, o seu uso prolongado pode causar reações adversas, como discinesia tardia. Ademais, a terapia de estimulação elétrica gástrica pode levar ao ganho de peso.
Como uma terapia alternativa, a mudança dietética desempenha um papel importante na prevenção do desenvolvimento de diabetes tipo 2. Estudos mostraram que ajustes alimentares são benéficos para pacientes com GPD. As diretrizes do American College of Gastroenterology (ACG) para gastroparesia também recomendaram o manejo dietético para corrigir o estado nutricional, aumentar a probabilidade de alívio dos sintomas, melhorar o esvaziamento gástrico e controlar melhor a glicemia. No entanto, os pacientes recebem intervenções dietéticas com base em princípios fisiológicos, e não em evidências clínicas. Portanto, é particularmente importante estudar o papel da dieta no tratamento da GPD.
Por isso, Lin e colaboradores (2024) realizaram uma revisão sistemática a fim de recomendar as melhores intervenções dietéticas para o tratamento da GPD.
| Métodos |
Para a revisão, foi realizada uma busca abrangente de ensaios clínicos randomizados que utilizaram intervenções dietéticas para o tratamento da gastroparesia diabética até 9 de novembro de 2023. Os pesquisadores utilizaram quatro bases de dados em inglês (PubMed, Cochrane Library, EMBASE e Web of Science) e em quatro bases de dados em chinês (China National Knowledge Infrastructure, Chongqing VIP Database, Wanfang Database e Chinese Biomedical Literature Database). A estratégia de busca combinou as principais palavras-chave, como "diabetes mellitus", "gastroparesia" e "dieta, alimentos e nutrição".
O grupo de intervenção recebeu orientações sobre cuidado dietétitco personalizado (PDC) associado ou não à cuidado dietético de rotina (RDC). O controle recebeu apenas RDC.
Os desfechos primários foram o tempo de esvaziamento gástrico e o efeito clínico, enquanto a glicemia de jejum, a glicemia pós-prandial de 2 horas e a hemoglobina glicada foram os secundários.
| Resultados |
No total, 15 artigos foram incluídos na metanálise, com 1.106 pacientes diagnosticados com GPD, dos quais 547 eram homens e 559 eram mulheres. Quanto ao tipo de diabetes, cinco estudos incluíram pacientes com diabetes tipo 2, enquanto os outros dez estudos não mencionaram a classificação da doença.
Os resultados mostraram que, comparado RDC, o PDC, independentemente da associação com RDC, pode encurtar o tempo de esvaziamento gástrico e promover um melhor esvaziamento. Além disso, a eficácia clínica do grupo intervenção foi superior ao controle. O grupo PDC apresentou baixos níveis de glicemia de jejum (FBG), glicemia pós-prandial de 2 horas (2hPBG) e hemoglobina glicada (HbA1c), melhorando o controle glicêmico.
No entanto, os três desfechos secundários apresentaram alta heterogeneidade em ambos os grupos.
Apesar da evidência ser de qualidade baixa a moderada, os achados sugeriram que intervenções dietéticas personalizadas, como dietas de baixo teor de fibras, ingestão de alimentos líquidos ou semi-líquidos e ajuste no número e horário das refeições com base nas alterações glicêmicas pós-prandiais, podem reduzir significativamente o tempo de esvaziamento gástrico, melhorar o efeito clínico e controlar os níveis de glicemia de jejum, glicemia pós-prandial de 2 horas e hemoglobina glicada em pacientes com GPD.
A GPD é uma neuropatia autonômica associada ao controle inadequado de glicemia a longo prazo. O controle glicêmico adequado pode evitar a piora da gastroparesia, uma vez que há uma relação bidirecional entre o controle glicêmico e o esvaziamento gástrico. Dietas ricas em gordura e fibras retardam o esvaziamento gástrico, sendo assim, os pacientes devem evitá-las e consumir refeições pequenas e frequentes.
| Conclusão |
Os resultados apoiaram o potencial terapêutico da dieta no tratamento da gastroparesia diabética. Os cuidados dietéticos personalizados mostraram-se eficazes no tratamento da GPD, promovendo o esvaziamento gástrico ao reduzir o tempo de esvaziamento e diminuindo os níveis de glicemia de jejum, glicemia pós-prandial de 2 horas e hemoglobina glicada, ajudando a estabilizar o controle glicêmico. No entanto, o número de ensaios clínicos incluídos foi relativamente pequeno, e a qualidade metodológica foi moderada. Ensaios clínicos randomizados de maior porte e com melhor desenho metodológico são necessários para confirmar esses achados.