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/ Published on June 10, 2025

Obesidade e sobrepeso

Desvendando a relação entre IMC e saúde mental

Como a alimentação emocional e a insatisfação corporal moldam trajetórias de peso e impactam o bem-estar psicológico em adultos.

Nas últimas décadas, o aumento global do sobrepeso e da obesidade tem representado riscos significativos à saúde. Estudos epidemiológicos indicaram que o sobrepeso e a obesidade estão fortemente associados a problemas de saúde mental, especialmente à depressão, numa relação bidirecional em que tanto o excesso de peso quanto os sintomas depressivos reforçam mutuamente o risco de seu desenvolvimento. Embora pesquisas já tenham demonstrado essa associação, há poucos estudos longitudinais que acompanhem as alterações no peso e seus efeitos na saúde mental a longo prazo.

Por isso, Schrempft e colaboradores (2025) exploraram a relação entre ganho de peso e saúde mental em adultos e investigaram uma variedade de preditores comportamentais e psicossociais que influenciam as trajetórias do índice de massa corporal (IMC), avaliando também as interações entre esses fatores. Além disso, foram analisados diversos desfechos relacionados à saúde mental – incluindo construtos da psicologia positiva, depressão e ansiedade – bem como os mecanismos subjacentes a essa associação, com especial atenção à alimentação emocional e à insatisfação corporal.

Foram analisados dados do estudo digital Specchio, realizado em Genebra a partir de dezembro de 2020. A altura e o peso foram autorrelatados no cadastro e em avaliações subsequentes, permitindo o cálculo e a categorização do IMC conforme diretrizes da OMS. As trajetórias do peso foram estimadas por meio de modelos de efeitos mistos e regressões logísticas para identificar transições entre categorias. Além disso, as relações entre fatores comportamentais e psicossociais com as trajetórias do IMC, bem como os desfechos de saúde mental (bem-estar, qualidade de vida e satisfação corporal), foram analisadas via regressões ajustadas por idade, sexo, escolaridade e condições de saúde prévias.

A idade média dos participantes era de 51 anos, dos quais 59% eram mulheres, 23% apresentavam comorbidades e o IMC médio da inclusão era de 24,5 kg/m². Ao longo de quatro anos de acompanhamento, observou-se um aumento médio de 0,4 kg/m², com maiores incrementos entre mulheres, indivíduos mais jovens e aqueles com dificuldades financeiras. A maioria manteve sua classificação de IMC, enquanto 8% tiveram progressão e 5% apresentaram redução, culminando em 43% de sobrepeso ou obesidade em 2024.

Fatores comportamentais — como menor prática de atividade física, redução no consumo de frutas e vegetais, aumento do tempo frente a telas, sono inadequado, uso de antidepressivos e, especialmente, o hábito de alimentação emocional — contribuíram significativamente para elevação do IMC. Adicionalmente, fatores psicossociais, como dificuldades financeiras, sentimentos de solidão e sintomas depressivos/ansiosos, também desempenharam papel relevante nesse aumento. Notavelmente, a associação entre alimentação emocional e o aumento do IMC foi mais acentuada entre mulheres e indivíduos com menor engajamento em atividades físicas. Os modelos estatísticos indicaram que a alimentação emocional mediou parcialmente a relação entre os sintomas depressivos/ansiosos e as dificuldades financeiras com a elevação do IMC. Além disso, percursos de aumento desse índice estiveram associados a uma maior insatisfação corporal e pior autoavaliação de saúde, elementos que contribuíram para a redução da qualidade de vida.

O estudo de Schrempft e colaboradores (2025) reforçou que intervenções eficazes para o controle do peso devem abordar integralmente aspectos comportamentais e psicossociais, incentivando a atividade física, melhorando a qualidade do sono e da alimentação e fortalecendo estratégias de autorregulação. Essas ações, aliadas à redução do estigma e à promoção de uma imagem corporal positiva, foram essenciais para mitigar tanto os desfechos físicos quanto os impactos na saúde mental, diminuindo o risco de doenças metabólicas e o peso psicológico do sobrepeso e da obesidade. Em síntese, os autores ressaltaram que compreender os fatores de risco modificáveis — em especial a alimentação emocional e a insatisfação corporal — é fundamental para a criação de estratégias de prevenção e intervenção que promovam efetivamente a saúde integral dos pacientes.