Estima-se que mais de 400 milhões de adultos entre 20 e 79 anos viviam com diabetes em 2019, com estatísticas alarmantes revelando cerca de 700 milhões até 2045. As disfunções da tireoide são doenças frequentes com alta prevalência de hipotireoidismo manifesto e subclínico em todo o mundo.
A associação entre diabetes e hipotireoidismo manifesto é muito comum. Essa provavelmente é bidirecional. Alguns estudos indicaram que complicações da doença metabólica, como doença arterial coronariana (DAC) e retinopatia diabética, são mais frequentes em pacientes com disfunções da tireoide.
Ademais, tanto o diabetes quanto o hipotireoidismo podem estar associados de forma independente à aterosclerose subclínica e à doença cardiovascular precoce, medidas pela espessura médio-intimal da carótida (cIMT). Por isso, Spilack e colaboradores (2024) realizaram um estudo com o objetivo de analisar de forma transversal a associação entre diabetes, hipotireoidismo subclínico e cIMT usando dados do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil).
Para isso, os pesquisadores realizaram uma análise transversal com dados da terceira visita médica do estudo. Modelos de regressão linear foram utilizados para avaliar a associação do hipotireoidismo subclínico, diabetes e de ambas as doenças com a cIMT. Também foram usados modelos de regressão logística para analisar a Razão de Chances (OR) e IC 95% para a associação de ambas as doenças usando cIMT > P75%.
No total, foram incluídos 7.751 participantes: 5.077 sem diabetes ou hipotireoidismo subclínico, 662 com hipotireoidismo subclínico, 1.578 com diabetes e 234 com ambos.
O principal fator de risco cardiovascular consistentemente associado a um aumento do cIMT foi o diabetes. No subgrupo com diabetes e hipotireoidismo subclínico, houve associação com os valores de cIMT apenas nos modelos de regressão linear, mas não foi detectado efeito aditivo em pacientes com ambas as doenças.
Algumas razões podem explicar por que não houve um efeito aditivo de ambas as condições sobre o cIMT na amostra total. A idade média na 3ª visita do estudo ELSA-Brasil é em torno de 59 anos, e a maioria dos participantes da coorte tinham menos de 60 anos. Portanto, são relativamente jovens, enquanto a prevalência de diabetes e hipotireoidismo subclínico aumenta com a idade.
Em conclusão, os resultados confirmaram a associação do diabetes com o cIMT. No entanto, não foram demonstrados nenhum efeito de interação entre hipotireoidismo subclínico e diabetes com a DCV precoce medida pelo cIMT.